


O empreendedor ambiental Omar al-Fayed afirmou que o pai, o bilionário egípcio Mohamed al-Fayed, já falecido, fingiu ter demência para enganar investigadores e evitar responder por dezenas de acusações de estupro. A polícia britânica acredita que ao menos 111 mulheres e meninas foram vítimas do dono da luxuosa loja de departamentos Harrods, ao longo de quase quatro décadas.
Em entrevista ao Daily Mail, publicada neste domingo, Omar al-Fayed afirmou que o pai bilionário driblou acusações formais pelos crimes sexuais "alegando que era mentalmente incapacitado". No entanto, tempos depois, "voltou aos negócios, e estava afiado como uma tachinha".
Omar é o caçula do egípcio, que também era pai de Dodi al-Fayed, namorado da princesa Diana, e que faleceu com ela num acidente de carro em Paris, em 1997.
Omar al-Fayed afirmou ao jornal britânico que gostaria que a "investigação tivesse seguido seu curso quando ele ainda estava vivo". O bilionário morreu em 2023, aos 94 anos, sem ser responsabilizado pelos estupros que cometeu. Omar defendeu que o pai poderia ter sido acusado formalmente, mesmo anos depois dos crimes terem ocorrido.
As investigações apontam que o bilionário usou a estrutura da Harrods para cometer e encobrir os crimes contra funcionárias. Al Fayed vendeu a loja em 2010 ao fundo Qatar Investment Authority por 1,5 bilhão de libras.
As agressões atribuídas a Mohamed al-Fayed teriam ocorrido durante um período de quase trinta anos, entre 1979 e 2013, segundo a polícia. Ele chegou a ser preso em 2013 por suspeita de estupro, mas nunca foi formalmente acusado. Policiais corruptos teriam ajudado o egípcio a ficar impune e perseguir mulheres que o denunciaram.
A polícia britânica não se manifestou sobre as alegações de que teria sido enganada pelo bilionário. As autoridades ordenaram uma revisão de procedimentos tomados à época das denúncias.