Aumento dos casos de síndromes gripais reflete no atendimento em unidades de saúde em Alagoas

Por: Rádio Sampaio
 / Publicado em 29/12/2021

Aumento dos casos de síndromes gripais reflete no atendimento em unidades de saúde em Alagoas

Com a demanda crescente de pacientes com síndromes gripais nas emergências médicas em Maceió, a espera por atendimento cresceu. Um levantamento feito nesta quarta-feira (29) junto a hospitais públicos e particulares revela que a maioria já está operando no limite da capacidade.

A situação vem piorando gradativamente. Na noite de terça (28), a reportagem da TV Gazeta conversou com a aposentada Telma Maria, que tentava atendimento para o filho na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Trapiche, onde o movimento de pacientes cresceu 200%. A esperava já passava de quatro horas.

"Eu estou aqui desesperada, ele (filho) não consegue nem tomar água, que a garganta está tampando, com diarreia, estão esperando o que? Ele ficar pior? A espera era de 60 minutos e a gente já está aqui há 4 horas", questionou Telma.

A situação é semelhantes em outras unidades públicas e privadas, muita gente e muita fila. "Leitos ocupados, 100% da capacidade, uma demanda enorme. A gente está com a equipe médica completa, mas a demanda tem sido muito superior à nossa capacidade de assistência", explicou a diretora da UPA Trapiche, Ana Flávia Pontes.

O jornalista André Feijó buscou atendimento para o filho em um hospital particular de Maceió, mas após esperar muito, resolveu tentar atendimento em outra unidade, onde também não conseguiu atendimento.

“Já saímos de um hospital no bairro da Gruta, onde a espera iria durar pelo menos seis horas. Aí quando chegamos no outro, no bairro do Centro, nos mandaram procurar outra unidade”, explicou o jornalista.

O diretor da Santa Casa de Misericórdia de Maceió, o médico Arthur Gomes, confirmou o aumento no número de atendimento de pacientes com síndromes gripais.

“Estamos com muitos pacientes na emergência essa semana. Fluxo enorme de gripe, a grande maioria de influenza. Estamos no limite”, afirmou o médico Arthur Gomes.

O Hospital Memorial Arthur Ramos confirmou que também foi registrado um aumento na procura por atendimento, mas que ainda não está sobrecarregado, considerando que o hospital tem estrutura e equipe para fazer o ajuste de quadros necessários e que ninguém sai da unidade sem ser atendido. O hospital ressalta que a demanda crescente é apenas na emergência de síndromes Gripais.

Outro hospital particular que confirmou aumento de pacientes com síndromes gripais foi a Unimed, 40% somente nos últimos 10 dias, na comparação com o mesmo período de novembro.

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Maceió emitiu uma Nota Informativa às unidades públicas de saúde orientando para o atendimento prioritário às pessoas com sintomas de síndromes gripais. O objetivo é prevenir a evolução para quadros graves da doença e a disseminação dos vírus respiratórios, especialmente em pacientes de grupos de risco.

“A Secretaria Municipal de Saúde de Maceió orienta todos os profissionais de saúde para que se mantenham em alerta para a identificação precoce de casos de Síndrome Gripal (SG) em pacientes pertencentes a grupos de risco, a fim de prevenir a evolução para a gravidade e enfatizar medidas de controle e prevenção de novos casos, evitando, assim, aumento de casos e/ou surtos causados por Influenza e/ou outros vírus respiratórios”, diz a nota.

Segundo a SMS, casos graves de síndromes gripais deverão ser encaminhados para as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Jaraguá e Cidade Universitária, disponibilizadas pelo Governo do Estado como unidades sentinela para atendimento a síndromes respiratórias.

Em outro trecho da nota, a SMS orienta sobre a medicação para tratar os casos de Inluenza. “Os medicamentos de escolha para tratamento de Influenza são fosfato de oseltamivir (Tamiflu®️) e zanamivir (Relenza). O tratamento deverá ser iniciado obrigatoriamente em até 48 (quarenta e oito) horas a partir do início dos sintomas”.

Mesmo com todo esse planejamento, os casos de gripe se multiplicam. "O meu filho adoeceu, eu adoeci, minha filha adoeceu, a avó da minha filha adoeceu... todo mundo esse mês, com febre e dor de cabeça", disse a cuidadora Euline Maria, que tentava atendimento médico para o filho na UPA Trapiche.

Sintomas de síndromes gripais e síndromes respiratórias agudas graves

As síndromes gripais (SG) são caracterizadas por febre, calafrios, dor de garganta, dor de cabeça, tosse e coriza; em crianças, considerar também obstrução nasal; em idosos, podem estar associados síncope, confusão mental, sonolência excessiva, irritabilidade e inapetência.

As síndromes respiratórias agudas greves (SRAG) são caracterizadas, em indivíduos de qualquer idade, por dispneia/desconforto respiratório; ou pressão ou dor persistente no tórax; ou saturação de SpO² <95% em ar ambiente exame negativo para Covid-19.

A Coordenação de Farmácia e Bioquímica de Maceió reforçou o abastecimento do medicamento fosfato de oseltamivir (Tamiflu®️) para o tratamento do vírus em circulação, podendo ser administrado, inclusive, em pessoas com comorbidades, desde que seguidos os protocolos pertinentes a cada caso.

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