[Áudio] Família de Gabriel Lincoln contesta conclusão de inquérito e pede responsabilização por homicídio doloso

Por: Victor Fernando/Rádio Sampaio
 / Publicado em 25/08/2025

Foto: Gustavo Morais

A Polícia Civil de Alagoas concluiu, na última sexta-feira (19), o inquérito que investigou a morte do jovem Gabriel Lincoln, ocorrida em 3 de maio durante um acompanhamento policial. O caso, que gerou ampla repercussão, agora segue para análise do Ministério Público.

Em entrevista ao repórter Niraldo Correia, da Rádio Sampaio 94.5 FM, o advogado da família, Dr. Gilmar Menino, criticou a tipificação adotada no inquérito, que enquadrou o policial militar responsável pelo disparo fatal por homicídio culposo — quando não há intenção de matar.

Para o advogado, essa interpretação não condiz com os elementos reunidos pela própria investigação.

“Não houve tiro acidental. Houve dolo, houve a intenção de matar. Tipificar como homicídio culposo é ignorar a realidade dos fatos. Na verdade, o crime foi doloso”, afirmou.

Divergências nas versões

O inquérito policial descartou que Gabriel estivesse armado, como havia sido relatado inicialmente pela guarnição envolvida na ocorrência. Segundo a versão dos militares, o jovem teria atirado contra a equipe, que reagiu. No entanto, as investigações concluíram que o adolescente não portava arma de fogo, derrubando a tese de legítima defesa apresentada no início.

Para o advogado da família, essa contradição caracteriza ainda outro crime:

“Os policiais imputaram falsamente a Gabriel a prática de portar e disparar arma de fogo. Isso configura denunciação caluniosa e precisa ser incluído no processo”, destacou.

Pedido de indenização

Gilmar Menino também confirmou que a família pretende mover ação judicial contra o policial envolvido e contra o Estado:

“A indenização é inerente a um caso tão grave. A família perdeu um filho trabalhador, querido por todos, e merece reparação pelo que aconteceu”.

Próximos passos

O Ministério Público de Alagoas analisará o inquérito e decidirá se mantém a denúncia por homicídio culposo ou se altera para homicídio doloso, como defende a acusação. O advogado se disse confiante de que o órgão acompanhará seu entendimento.

“Houve claramente homicídio doloso, não culposo. A expectativa é de que o MP corrija essa tipificação e busque justiça pelo que aconteceu com Gabriel Lincoln”, concluiu.

O caso segue sob acompanhamento da família, de entidades sociais e da imprensa, que cobram transparência e justiça para o episódio que ainda comove Palmeira dos Índios e região.

Ouça a entrevista completa:

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