
Foto: Gustavo Morais
A Polícia Civil de Alagoas concluiu, na última sexta-feira (19), o inquérito que investigou a morte do jovem Gabriel Lincoln, ocorrida em 3 de maio durante um acompanhamento policial. O caso, que gerou ampla repercussão, agora segue para análise do Ministério Público.
Em entrevista ao repórter Niraldo Correia, da Rádio Sampaio 94.5 FM, o advogado da família, Dr. Gilmar Menino, criticou a tipificação adotada no inquérito, que enquadrou o policial militar responsável pelo disparo fatal por homicídio culposo — quando não há intenção de matar.
Para o advogado, essa interpretação não condiz com os elementos reunidos pela própria investigação.
“Não houve tiro acidental. Houve dolo, houve a intenção de matar. Tipificar como homicídio culposo é ignorar a realidade dos fatos. Na verdade, o crime foi doloso”, afirmou.
O inquérito policial descartou que Gabriel estivesse armado, como havia sido relatado inicialmente pela guarnição envolvida na ocorrência. Segundo a versão dos militares, o jovem teria atirado contra a equipe, que reagiu. No entanto, as investigações concluíram que o adolescente não portava arma de fogo, derrubando a tese de legítima defesa apresentada no início.
Para o advogado da família, essa contradição caracteriza ainda outro crime:
“Os policiais imputaram falsamente a Gabriel a prática de portar e disparar arma de fogo. Isso configura denunciação caluniosa e precisa ser incluído no processo”, destacou.
Gilmar Menino também confirmou que a família pretende mover ação judicial contra o policial envolvido e contra o Estado:
“A indenização é inerente a um caso tão grave. A família perdeu um filho trabalhador, querido por todos, e merece reparação pelo que aconteceu”.
O Ministério Público de Alagoas analisará o inquérito e decidirá se mantém a denúncia por homicídio culposo ou se altera para homicídio doloso, como defende a acusação. O advogado se disse confiante de que o órgão acompanhará seu entendimento.
“Houve claramente homicídio doloso, não culposo. A expectativa é de que o MP corrija essa tipificação e busque justiça pelo que aconteceu com Gabriel Lincoln”, concluiu.
O caso segue sob acompanhamento da família, de entidades sociais e da imprensa, que cobram transparência e justiça para o episódio que ainda comove Palmeira dos Índios e região.
Ouça a entrevista completa:
