
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Cresceu em sete vezes o número de pessoas que foram atendidas por dependência em apostas na rede pública desde 2020, segundo dados do SUS (Sistema Único de Saúde).
Até julho de 2024, foram registrados 544 atendimentos, dos quais elas representaram 296, e eles, 248. O aumento é de 66% e 26%, respectivamente, se comparado com o ano anterior. Em relação a 2020, a alta foi de 1.010% entre mulheres e de 573% entre homens.
Profissionais da área enfrentam dificuldades, especialmente em centros especializados, devido à falta de recursos e infraestrutura adequados.
A psicóloga Mirella Martins de Castro Mariani, supervisora do Programa Ambulatorial do Jogo no Instituto de Psiquiatria da USP (Universidade de São Paulo), explica que jogos de resposta rápida, como o “tigrinho”, são preferidos por mulheres, enquanto os homens, especialmente jovens, se voltam mais para as apostas esportivas.
“Essa resposta imediata, associada ao prazer momentâneo e à repetição da atividade, pode desencadear um padrão compulsivo”, observa. Ela ressalta que a dependência em jogos ativa o sistema límbico, liberando dopamina, o chamado “hormônio do prazer”.
Esse mecanismo, similar ao do vício em álcool e drogas, gera um ciclo compulsivo, que pode ser associado a fatores genéticos que aumentam a predisposição à dependência.
