"Arrancaram meu coração", diz mãe de motociclista morto por policial que atirou para não pagar corrida de R$ 7

Por: Rádio Sampaio com G1
 / Publicado em 03/12/2024

Foto: Reprodução

Foi enterrado no Cemitério de Camaragibe, no Grande Recife, o corpo de Thiago Fernandes Bezerra, de 23 anos, o motociclista de aplicativo morto com um tiro por um policial militar enquanto finalizava uma corrida. Durante o velório, parentes e amigos da vítima fizeram um protesto pedindo justiça pela morte do trabalhador.

"Tiraram a vida do meu filho, nunca mais vou escutar meu menino me chamando: 'Mãeinha, eu cheguei, estou em casa'. [...] Arrancaram meu coração. Quero agradecer a todos os companheiros do meu filho, meu Deus, e que a justiça seja feita. Tiraram a vida do meu filho. O meu filho era um bom menino", declarou a mãe de Thiago, Otacília Fernandes.

A cerimônia foi realizada na tarde da segunda-feira (3). Segundo a família, testemunhas contaram que o policial Venilson Cândido da Silva, de 50 anos, atirou no motociclista após discutir com ele para não pagar o valor da corrida, que custava R$ 7. Até o momento, a Polícia Civil, que investiga o caso, não confirma que esse foi o motivo do desentendimento.

"Ele era a minha luz, era meu norte, era o amor da minha vida. E me tiraram isso. Me tiraram isso a troco de nada. A troco de quê? De 7 reais? [...] Hoje eu perdi meu marido. A gente tinha o sonho de ter filhos, de se casar. A gente tinha sonhos de viajar o mundo. Isso tudo foi interrompido", afirmou a viúva do motociclista, Déborah Lopes.

Espancado por moradores e atendido num hospital após o crime, Venilson Cândido da Silva foi preso em flagrante e teve a prisão preventiva decretada pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) durante audiência de custódia. Ele está detido no Centro de Reeducação da Polícia Militar de Pernambuco (Creed), em Abreu e Lima, no Grande Recife.

O sepultamento de Thiago foi acompanhado por outros motociclistas de aplicativo, que se reuniram em frente ao cemitério com camisas e cartazes pedindo a punição do policial militar.

"O objetivo é pedir justiça pela vida de Thiago, que não vale R$ 7. Foi uma covardia o que esse policial fez com ele", disse o motociclista Gustavo César da Silva.

Em nota publicada no Instagram, o Sindicato dos Trabalhadores, Empregados e Autônomos de Moto e Bicicleta por Aplicativo do Estado de Pernambuco (Seambape) informou que a corrida realizada por Thiago custou R$ 6,98. Para a entidade, o caso reflete "a realidade de milhares de trabalhadores que, diariamente, enfrentam condições precárias, insegurança e desvalorização".

"Thiago foi assassinado covardemente pelo policial militar, que se recusou a pagar R$ 7. Não é por ser um policial militar, poderia ser qualquer outro cidadão que estivesse em poder de uma arma de fogo ou, até mesmo, de uma arma branca. Além de se submeter ao preço que a plataforma quer, tem que se submeter ao luxo de um passageiro, que quer um serviço de luxo e determinar a forma de pagar", disse o presidente do sindicato, Rodrigo Lopes.

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