Argentina: governo Javier Milei apresenta novo pacote, com mais de 600 medidas

Protesto de sindicatos em Buenos Aires, contra o decreto de emergência de Javier Milei — Foto: LUIS ROBAYO

O governo argentino enviou ao Congresso, na tarde de quarta-feira (27), um projeto de lei chamado Lei de Bases e Pontos de Partida para a Liberdade dos Argentinos, que inclui uma ampla reforma do Estado, a eliminação das eleições primárias, mudanças na lei criminal, limites para piquetes e medidas para desregulamentar a economia. Por conta das medidas, o governo já enfrenta protestos.

O projeto de lei, que conta com 664 artigos distribuídos por 351 páginas, foi assinado na quarta-feira pelo presidente Havier Milei e seu gabinete, depois de várias idas e vindas em relação à sua elaboração: o governo finalmente optou por uma única "lei ônibus", dividida em vários capítulos, e descartou a ideia de dividi-la em várias iniciativas.

Esse projeto se soma às mais de 300 medidas enviadas ao Congresso por Milei pouco antes do Natal.

O texto declara "emergência pública em questões econômicas, financeiras, fiscais, de seguridade social, segurança, defesa, tarifas, energia, saúde, administrativas e sociais até 31 de dezembro de 2025" e estabelece que "esse período pode ser prorrogado pelo Poder Executivo nacional por um período máximo de dois anos".

Confira algumas medidas econômicas previstas no projeto:

  • Fim do limite para tomar dívida por meio da emissão de títulos públicos em moeda estrangeira. Uma lei de 2021 determina que é necessário haver autorização do Congresso quando esse limite fosse ultrapassado.
  • Estão "sujeitas à privatização" empresas total ou majoritariamente estatais. São 41 companhias, incluindo Aerolíneas Argentinas, YPF e Banco de la Nación, entre outras.
  • Criação de um Regime de Incentivo a Grandes Investimentos (RIGI), a ser aplicado a todo o território e declara que os "grandes investimentos" são de interesse nacional. O objetivo, segundo a lei, é "garantir a prosperidade do país."
  • Regularização de ativos no exterior não declarados de até US$ 100 mil não pagarão imposto. Acima desse valor, haverá um calendário, com uma taxação progressiva. Ela começará em 5% e vai até 15%. O prazo termina em novembro de 2024.
  • O imposto sobre cigarros vai passar de 70% a 73%. Esse valor será repassado aos consumidores.
  • Os preços dos combustíveis não sofrerão intervenção do governo: "o Poder Executivo não poderá intervir nem fixar os preços de comercialização no mercado interno em nenhuma etapa da produção." Sem citar a YPF, o texto diz ainda que as estatais "só poderão vender a preços que reflitam o equilíbrio competitivo do setor, ou seja, às paridades de exportação ou importação correspondentes, conforme o caso."
  • Não haverá limite para a revenda de bilhetes para eventos esportivos. Até agora, essa proibido revender entradas para jogos.
  • Fim do preço único para livros. Hoje, o mercado livreiro da Argentina funciona sobre o regime de “preço uniforme de venda”, que estabelece um valor único para cada livro. O governo quer revogar essa lei e permitir a concorrência entre livrarias. Muitos, porém, avaliam que isso prejudicará as livrarias de bairro, que não têm margem financeira para concorrer com grandes redes.

 

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