


Os Estados Unidos prorrogaram por mais 180 dias a suspensão de um amplo pacote de sanções contra a Síria. O anúncio foi feito após o encontro do presidente norte-americano Donald Trump com o novo líder sírio, Ahmed al-Sharaa, ocorrido na Casa Branca, na segunda-feira (10).
A decisão, formalizada em comunicado conjunto dos Departamentos do Tesouro, Estado e Comércio, renova a isenção concedida em maio sob a Lei César de Proteção Civil da Síria (2019) — legislação que havia imposto severas restrições econômicas ao antigo governo de Bashar al-Assad.
Segundo o documento, a suspensão autoriza empresas a exportar bens civis básicos, softwares e tecnologias de origem americana para a Síria sem necessidade de licença especial. Entretanto, continuam proibidas transações com governos ou entidades ligadas à Rússia e ao Irã, além de produtos listados na Lista de Controle de Comércio.
Reaproximação histórica
O gesto marca o ponto mais alto da reaproximação entre Washington e Damasco desde a deposição de Assad, no fim do ano passado. Ahmed al-Sharaa, que liderou as forças rebeldes que derrubaram o antigo regime, tornou-se o primeiro chefe de Estado sírio a visitar oficialmente a Casa Branca desde a independência do país, em 1946.
Sua ascensão, no entanto, é controversa: o novo presidente foi comandante do Hayat Tahrir al-Sham (HTS), grupo que teve vínculos com a Al-Qaeda e foi removido recentemente das listas de organizações terroristas dos EUA, Reino Unido e ONU.
Durante o encontro, realizado a portas fechadas, Sharaa e Trump discutiram a reconstrução da Síria, a retomada das relações bilaterais e “questões regionais de interesse comum”, segundo comunicado do governo sírio.
Fotografias divulgadas por Damasco mostram os dois líderes apertando as mãos no Salão Oval, ladeados por altos funcionários americanos, como o vice-presidente JD Vance e o chefe do Pentágono Pete Hegseth.
De ex-militante a aliado de Washington
A transformação de Sharaa — de ex-jihadista procurado a interlocutor diplomático — é descrita como “um momento simbólico” da nova fase síria. “É um passo decisivo na tentativa de legitimar o governo pós-Assad e integrá-lo ao sistema internacional”, avaliou Michael Hanna, do International Crisis Group.
Trump, por sua vez, tem elogiado o novo líder, a quem chamou de “jovem e atraente”. Segundo fontes diplomáticas, Washington pretende apoiar financeiramente a reconstrução síria e instalar uma base militar próxima a Damasco para “coordenar a ajuda humanitária e monitorar a segurança regional”.