
Foto: Alerj/divulgação
O atual conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TC/RJ), Domingos Brazão, disse que não teme uma delação contra ele, referente ao assassinato de Marielle Franco, e afirmou que um medo assim seria “descabido”. Brazão, que é ex-vereador e ex-deputado estadual, foi apontado pelo ex-policial militar Ronnie Lessa, acusado de matar Marielle, como sendo o mandante do crime.
“Não tenho medo de delação contra mim. Isso seria um troço descabido. Não tenho medo nenhum caso haja. Zero. Se eu tivesse algum envolvimento, por acaso eu conseguiria esconder?”, disse o conselheiro à CNN. “Eu não conhecia a vereadora Marielle, muito menos o Anderson, tampouco o Élcio e até mesmo o Ronnie Lessa. Não tenho nenhuma relação com essas pessoas”, completou. Anderson era motorista de Marielle e também foi assassinado. Élcio Queiroz foi o motorista de Ronnie Lessa durante o crime.
O apontamento feito por Lessa faz parte de uma negociação que tramita desde o fim de 2023. A Polícia Federal (PF) está buscando comprovar o que foi dito pelo acusado. A possível delação ainda deve passar pela aprovação do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Ainda em seu pronunciamento sobre o caso, Brazão disse que não era mandante do assassinato de ninguém. “Nós vamos ficar com a seguinte questão: a quem interessa? A quem eles estão protegendo? Porque você pode ter certeza que a mim e à minha família não é”.
O nome do conselheiro, que tem foro privilegiado, apareceu nas investigações em 2019, sendo suspeito de obstruir o andamento do caso, e voltou à cena em 2023, durante a delação premiada de Élcio Queiroz.
Apesar disso, a PF também investiga se a morte de Marielle foi motivada por disputa de terras na zona oeste do Rio de Janeiro. A suspeita é de que o mandante do crime tinha interesses comerciais na região e queria evitar que o poder público inviabilizasse a construção de imóveis de alto padrão.
