


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta segunda-feira (31) o registro do Fruzaqla, nome comercial do fruquintinibe, como nova opção de tratamento para adultos com câncer colorretal metastático que já passaram por outras terapias. Estudos apresentados à agência apontaram aumento da sobrevida global e do período sem progressão da doença em comparação com placebo associado aos melhores cuidados de suporte.
O medicamento é indicado para pacientes com câncer colorretal que se espalhou para outras partes do organismo e que já receberam quimioterapia com fluoropirimidina, oxaliplatina e irinotecano, além de tratamento anti-VEGF. Para determinados pacientes com RAS selvagem, também é considerada a utilização prévia de terapia anti-EGFR.
O fruquintinibe é uma terapia-alvo que bloqueia os receptores VEGFR-1, VEGFR-2 e VEGFR-3, envolvidos na formação de novos vasos sanguíneos. Ao dificultar esse processo, o tratamento reduz parte do suprimento de sangue, oxigênio e nutrientes utilizado pelo tumor e busca controlar a progressão da doença.
Um dos principais estudos que avaliaram o medicamento foi o FRESCO-2, de fase 3, que contou com 691 pacientes com câncer colorretal metastático que já haviam recebido diferentes tratamentos. A mediana de sobrevida global foi de 7,4 meses entre os pacientes tratados com fruquintinibe, contra 4,8 meses no grupo que recebeu placebo e os melhores cuidados de suporte. O resultado representou redução de 34% no risco de morte durante o período analisado.
A sobrevida livre de progressão também foi maior entre os pacientes que receberam o medicamento: a mediana passou de 1,8 mês no grupo placebo para 3,7 meses com fruquintinibe.
Os números são medianas observadas no estudo e não permitem prever a sobrevida de cada paciente individualmente.
A aprovação não significa que o medicamento seja indicado como primeira opção para todos os casos de câncer colorretal. O registro concedido pela Anvisa é destinado a adultos com doença metastática previamente tratados com diferentes classes de medicamentos.
O fruquintinibe já havia sido aprovado nos Estados Unidos, em 2023, e na União Europeia, em 2024. No Brasil, a Anvisa ainda não informou quando o medicamento estará efetivamente disponível para compra. Também não houve anúncio de incorporação da terapia ao Sistema Único de Saúde (SUS).
