Alagoas realiza o terceiro transplante de fígado

Alagoas realiza o terceiro transplante de fígado

Depois de oito horas de cirurgia bem sucedida na Santa Casa de Maceió, um adolescente de apenas 16 anos, residente na capital alagoana, recebeu um fígado captado no estado da Paraíba. Esse é o terceiro transplante de fígado realizado em Alagoas desde o credenciamento do Estado para realização desse tipo de procedimento, em abril de 2020.

O paciente sofria de cirrose criptogênica, termo usado para cirrose de etiologia desconhecida. Atualmente o paciente encontra-se na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), foi extubado e o fígado está fluindo bem. O doador era um jovem de 21 anos de idade, vítima de um acidente na Paraíba. A cirurgia de alta complexidade, financiada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), terminou sem intercorrências e foi coordenada pelo médico Oscar Ferro, que atuou com os médicos Fábio Mourão, Felipe Augusto, Leonardo Soltinho, Amanda Lyra, Larissa Borges, Cira Queiroz, além da equipe da UTI e da Enfermagem.

O paciente se inscreveu na lista de transplantes no dia 5 de julho deste ano e quase cinco meses depois conseguiu realizar o procedimento na Santa Casa de Maceió, hospital credenciado pelo Ministério da Saúde (MS). A lista de transplantes é única, tem ordem cronológica de inscrição e os receptores são selecionados para receber os órgãos em função da gravidade ou compatibilidade sanguínea e genética com o doador.

A coordenadora da Central de Transplantes de Alagoas, Daniela Ramos, fez um agradecimento. “Nós estamos muito felizes e agradecidos a Deus e à família doadora por esse momento ter se concretizado. Há também um sentimento de muita gratidão por todos os profissionais que se envolvem nesse processo. E tudo isso foi possível graças à união de vários esforços”, ressaltou.

Daniela Ramos explicou um pouco sobre a captação do órgão, que deve ser feita de maneira muito ágil. “Nós aqui da Central de Transplantes do Estado somos responsáveis por organizar e agilizar toda essa logística junto à Coordenação Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde. Tivemos a parceria da FAB [Força Aérea Brasileira] que veio aqui no nosso Estado e que levou a nossa equipe de captação. Nós temos uma equipe de captação à disposição. Então, sempre que há uma doação autorizada, essa equipe está disponível para realizar essa captação. E, dessa vez, foi uma captação fora do Estado”, relatou.

Transplante de Órgãos

O doador vivo pode doar um rim, medula óssea, parte do fígado (em torno de 70%) e parte do pulmão (em situações excepcionais). Já um único doador falecido pode salvar mais de oito vidas, podendo doar coração, pulmão, fígado, os rins, pâncreas, córneas, intestino, pele, ossos e válvulas cardíacas.

No Brasil, para doar um órgão basta comunicar à família sobre o desejo de ser doador para que a família possa autorizar posteriormente. Mas a recusa familiar ainda é alta e se torna um dos principais motivos para que um órgão no Brasil não seja doado: mais de 43% das famílias recusaram a doação de órgãos de seus parentes após morte encefálica comprovada, em 2020, segundo dados da ABTO. Em Alagoas esse número está em 40%.

Importante ressaltar que, no Brasil, anualmente, em média, 12 mil pessoas apresentam morte cerebral, um dos critérios para a doação de órgãos. Desse número, aproximadamente 6 mil pessoas poderiam ser doadoras de órgãos. Por outro lado, em média 23.800 pessoas têm a necessidade de receber um transplante a cada ano. Portanto, a chance de que alguém seja doador de órgãos é quatro vezes menor do que a chance de que venha a precisar de um transplante.

Segundo o Ministério da Saúde (MS) do total de transplantes realizados no País, 96% são feitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Orientações sobre transplante de órgãos

– No Brasil, para ser um potencial doador de órgãos, basta comunicar a família sobre o desejo, não sendo mais obrigatório deixar isso registrado na Carteira de Identidade.

– Para ser realizado o transplante de órgãos, além da autorização familiar, precisa ser constatada a morte encefálica do doador, que é a parada irreversível da função do encéfalo, ou seja, é quando o cérebro para de funcionar. A morte cerebral permite a doação de órgãos e tecidos, mas a morte cardíaca, só a doação de tecidos.

– Qualquer pessoa pode ser doadora, exceto os portadores de doenças infecciosas ativas ou de câncer. E a doação não desfigura o corpo do doador.

– Para doadores vivos, o doador deve ter mais de 18 anos de idade e o receptor deve ser cônjuge ou parente consanguíneo até quarto grau (pais, filhos, irmãos, avós, tios ou primos). Se não houver parentesco, será preciso autorização judicial.

– A doação de órgãos e tecidos não acarreta nenhum custo ou ganho material à família do doador nem do receptor.


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