Alagoano é um dos indicados ao prêmio de melhor ator no Festival de Cinema de Gramado

Interpretando jovem que fala com carros, alagoano concorre como melhor ator no Festival de Gramado — Foto: Divulgação

O ator alagoano Luciano Pedro Jr, de 23 anos, é um dos indicados ao troféu Kikito como melhor ator, o prêmio máximo concedido no Festival de Cinema de Gramado que está em sua 49ª edição. Ele atua no filme Carro Rei. O longa da pernambucana Renata Pinheiro, foi exibido nesta quarta-feira (18), no evento que termina no próximo sábado.

No filme, Luciano interpreta “Uno”, um rapaz que fala com carros e foi homenageado pelos pais com o nome do modelo de uma marca de automóveis por ser o primeiro veículo adquirido por eles.

A atuação surgiu na vida do maceioense como um exercício de diversão, após convite de um professor de literatura para acompanhar aulas de teatro na escola. O menino que se envolveu com a arte de forma despretensiosa, nem poderia imaginar a indicação na qual está concorrendo.

O filme é seu primeiro longa metragem, mas ele já participou de outras três obras:

  • “Serial Kelly”, de René Guerra

  • “Paterno”, de Marcelo Lordello

  • “Fim de Semana no Paraíso Selvagem”, de Pedro Severien

Luciano conta que ainda na época de escola começou a participar de oficinas de teatro na unidade do Sesc no bairro do Poço, em Maceió, e escutou de uma professora uma frase que permeou sua trajetória. “Vai dançar, meu menino, vai dançar,” disse Thaís D’Abronzo.

“Guardei aquilo comigo, e daí em diante eu segui nessa dança. Fiz teste pra um curta, que acabou sendo meu primeiro filme, o Avalanche, de Leandro Alves. Quando voltei das filmagens, percebi que era isso que queria. Aí fui fazer faculdade de teatro, testes de elenco e cá estou,” contou o alagoano.

Dores e alegrias de ser um artista cênico alagoano

O ator diz que ser do estado é viver no mesmo solo de grandes artistas e citou algumas de suas referências. “Como artista cênico, a alegria de ser daqui é viver a experiência de um estado muito rico culturalmente falando. Tive e tenho alegrias de ter referências grandiosas, que vão desde Jofre Soares a Igor de Araújo. Atrizes como Ane Oliva, por exemplo.”

Ele ressaltou, no entanto, que existem algumas dificuldades enfrentadas por quem é de Alagoas e deseja se tornar artista cênico.

“No geral, a dificuldade maior é o investimento no processo de formação, que são da escola até outras instituições e de fomentos públicos para a criação e continuidade de projetos de artes cênicas,” comenta.

A disputa de melhor ator

“Um reconhecimento da dedicação a um trabalho muito especial. Sobretudo um trabalho coletivo.” É assim que Luciano vê a indicação para a categoria de melhor ator. O ator estava em Tamandaré, Pernambuco, filmando um novo projeto, quando recebeu a notícia através de uma produtora.

Ele tem como um dos concorrentes ao prêmio o ator Matheus Nachtergaele com quem já contracenou e se tornaram amigos, saldo de uma obra feita por muitas mãos. “Somos amigos hoje em dia. Sempre nos falamos, nos reencontramos ano passado no Festival de Penedo,” conta.

Para o alagoano, concorrer com ele e outros atores deixa a sensação de satisfação e o desejo de continuar vivendo experiências similares. “Eu estou sem pensar muito. Estar entre os grandes, já me deixa contente. No fim, o que importa mesmo é ter vivido uma experiência incrível e ter a possibilidade de continuar a fazer isso com dignidade.”


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