Tamiflu pode reduzir em 52% as hospitalizações por influenza; uso precoce é considerado essencial

Rádio Sampaio com G1
Publicado 30/05/2026

Até 16 de maio, o país registrou mais de 8 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por influenza, cerca de 70% a mais do que no mesmo período de 2025. Em meio ao avanço das internações e ao aumento da circulação do vírus, infectologistas ouvidos pelo g1 destacam a importância do uso precoce do antiviral oseltamivir, conhecido comercialmente como Tamiflu, que pode reduzir em até 52% as hospitalizações relacionadas à doença.

Segundo o Ministério da Saúde, praticamente todos os estados brasileiros estão em nível de alerta, risco ou alto risco para SRAG, com exceção de Rondônia. Em 20 unidades da federação, há também sinal de crescimento da tendência de longo prazo. As hospitalizações por Influenza A seguem em alta na região Sul e em estados como São Paulo, Espírito Santo, Roraima e Tocantins.

Antiviral deve ser iniciado nas primeiras 48 horas

De acordo com infectologistas, o Tamiflu apresenta melhores resultados quando iniciado nas primeiras 48 horas após o surgimento dos sintomas. O medicamento é indicado para pacientes com diagnóstico de influenza e pode reduzir a duração da doença, diminuir complicações e evitar casos graves.

O Ministério da Saúde informou que o antiviral é recomendado para pessoas com risco de agravamento e para casos de SRAG, mesmo sem confirmação laboratorial.

Tamiflu pode reduzir em 52% as hospitalizações por influenza; uso precoce é considerado essencial — Foto: Adobe Stock

Tamiflu pode reduzir em 52% as hospitalizações por influenza; uso precoce é considerado essencial — Foto: Adobe Stock

Queda nas internações e redução do risco de morte

Entre os principais benefícios observados em estudos citados pelos especialistas, a redução das hospitalizações aparece como um dos resultados mais expressivos.

Segundo infectologista da Fiocruz André Siqueira, o uso do oseltamivir está associado a:

  • redução de cerca de um dia na duração dos sintomas;
  • diminuição de 40% a 50% das complicações leves em adultos;
  • redução de 28% das complicações em grupos de alto risco;
  • queda de 52% nas hospitalizações;
  • redução de 18% na mortalidade entre idosos.

 

Além disso, o Ministério da Saúde destaca que o medicamento pode reduzir em até 38% o risco de morte.

Os especialistas alertam, porém, que o benefício tende a ser menor quando o tratamento é iniciado tardiamente, especialmente após o desenvolvimento de pneumonia ou outras complicações.

O objetivo do uso precoce é:

  • reduzir os dias de sintomas,
  • diminuir a intensidade da doença e
  • evitar a progressão para quadros mais graves.

Testagem ainda enfrenta limitações

Apesar da importância do diagnóstico, os infectologistas afirmam que os testes para identificar Influenza nem sempre são realizados nos serviços de emergência. Entre os motivos apontados estão restrições orçamentárias e dificuldades de reembolso por parte dos convênios.

Segundo Siqueira, em muitos pacientes de risco o resultado do exame não altera a conduta médica, já que o antiviral é indicado mesmo sem confirmação laboratorial. Por isso, os testes acabam sendo mais utilizados em pacientes hospitalizados e para fins de vigilância epidemiológica.

Vacinação segue como principal estratégia de prevenção

O Ministério da Saúde reforça que a vacinação continua sendo a principal forma de prevenir casos graves, internações e mortes por Influenza. Mais de 26,4 milhões de doses já foram aplicadas no país. Atualmente, a vacina é oferecida prioritariamente a grupos definidos pela pasta, entre eles crianças pequenas, idosos, gestantes, profissionais da saúde, pessoas com doenças crônicas e outros públicos considerados mais vulneráveis.

A coordenadora do Departamento Científico de Imunização da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), Claudia Valente, destaca que a meta de cobertura vacinal para influenza na população em geral, estimada pelo Ministério da Saúde, é de 90%, e essa meta não tem sido alcançada nos últimos anos. Ela defende um incentivo maior para a população aderir melhor à campanha.

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