


Cientistas dos Estados Unidos divulgaram os resultados de um novo teste clínico da AD109, considerada a primeira medicação oral desenvolvida para tratar a apneia do sono, condição frequentemente associada ao ronco intenso e interrupções na respiração durante o sono. O estudo, conduzido por pesquisadores da University of Pittsburgh em parceria com a empresa Apnimed, acompanhou 646 participantes por seis meses e apontou resultados considerados promissores para uma possível aprovação comercial do tratamento a partir de 2027.
Segundo os pesquisadores, o medicamento atua durante o sono ajudando a manter as vias respiratórias abertas, reduzindo episódios de obstrução e diminuindo o ronco. A proposta é oferecer uma alternativa para pacientes que não conseguem se adaptar ao CPAP, aparelho atualmente utilizado como principal tratamento para a apneia do sono.
Os resultados do ensaio clínico foram publicados na revista científica American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine. De acordo com os dados divulgados, a medicação reduziu em 44% os episódios de interrupção respiratória entre os voluntários que utilizaram o remédio, enquanto o grupo placebo registrou redução de 17%.
Os pesquisadores também observaram melhora na oxigenação do sangue e redução de 36% no ronco entre os pacientes que utilizaram a pílula. Entre os participantes que continuaram o tratamento até o fim, cerca de 22% apresentaram remissão total da doença.
Apesar dos resultados considerados positivos, os cientistas destacaram que a eficácia foi parcial e que aproximadamente um quinto dos pacientes abandonou o tratamento devido a efeitos adversos, como enjoo, insônia e dificuldade para urinar. Não houve registro de efeitos colaterais graves.
A empresa responsável pelo medicamento já solicitou o registro da AD109 junto à FDA, agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos, utilizando um processo acelerado de análise. A expectativa é que a resposta oficial sobre a possível liberação do medicamento ocorra no primeiro trimestre de 2027.
Especialistas ressaltam que o CPAP continua sendo o tratamento mais eficaz para a apneia do sono, mas avaliam que a nova medicação pode representar uma alternativa importante para pacientes que não conseguem aderir ao aparelho tradicional.