


Alagoas entrou oficialmente em uma nova frente de pesquisa mineral. A Agência Nacional de Mineração (ANM) autorizou a Neominera Mineral Intelligence a pesquisar terras raras em uma área de 923,19 hectares entre Estrela de Alagoas e Bom Conselho, em Pernambuco.
O alvará já foi publicado e tem validade de três anos. A empresa terá prazo de até 60 dias para iniciar os trabalhos de campo. A autorização, no entanto, não significa que exista uma jazida de terras raras comprovada na região. A pesquisa é justamente a etapa que vai tentar confirmar se há ocorrência mineral e se ela apresenta condições para avançar para estudos mais detalhados e, futuramente, eventual exploração.
A novidade surge num momento em que terras raras ganharam importância econômica e geopolítica mundial. São 17 elementos químicos utilizados, entre outras aplicações, em motores elétricos, turbinas eólicas, eletrônicos, equipamentos de alta tecnologia e sistemas de defesa. A ANM classifica esse grupo dentro da discussão dos minerais críticos e estratégicos, considerados fundamentais para a transição energética, para a indústria e para a segurança de suprimentos.
O Brasil tem uma posição relevante nesse mercado. Dados mais recentes da ANM apontam reservas de aproximadamente 11,4 milhões de toneladas de terras raras, equivalentes a 13,9% das reservas mundiais consideradas no levantamento, atrás apenas da China. Apesar disso, a produção brasileira ainda é pequena diante do potencial geológico existente.
A área de Alagoas faz parte de um conjunto de três autorizações concedidas à Neominera, startup fundada no Recife em abril deste ano. Os alvarás abrangem 2.803 hectares em cinco municípios de Pernambuco e Alagoas.
Além de Estrela de Alagoas e Bom Conselho, a empresa recebeu autorização para pesquisar terras raras em Caetés e numa área entre Arcoverde e Pedra, ambos em Pernambuco.
A pesquisa em Estrela de Alagoas amplia um mapa mineral que já começa a apresentar novas possibilidades no Estado. Alagoas possui produção comercial de cobre em Craíbas, através da Mina Serrote, além das atividades tradicionais relacionadas a calcário, areia, brita e outros minerais. Levantamentos recentes da ANM também apontam novas autorizações de pesquisa para diferentes substâncias em várias regiões do Estado.
A autorização para terras raras não permite, neste momento, estimar reservas, investimentos futuros, geração de empregos ou arrecadação. Esses efeitos somente poderão ser avaliados se a pesquisa confirmar um depósito com viabilidade técnica, econômica e ambiental.
