
Foto: cortesia ao GazetaWeb
Recentemente, foi divulgado que um idoso de 77 anos ficou ferido após sua casa desabar, na rua São Pedro, no Centro de Craíbas. A vítima ficou embaixo dos escombros e precisou ser levada ao Hospital de Emergência do Agreste (HEA), em Arapiraca, pois havia sofrido uma fratura exposta.
“Eu escutei ele pedindo ajuda: ‘me ajude, me ajude’. A menina correu e abriu a porta. Quando demos fé, ele tava lá todo ensanguentado. Fazia dó. Minha irmã, que é mais velha que eu, quando viu, começou a chorar”, disse a vizinha, dona Luzinete, em entrevista à TV Gazeta.
Antes da casa desabar, moradores locais disseram ter ouvido uma explosão. A população também diz que ouve “estrondos” todos os dias e suspeitam que o desabamento da casa tenha ligação com as atividades da Mineração Vale Verde (MVV).
A empresa, contudo explicou que o que aconteceu foram desmontes de rochas controlados, “em que todos os dados gerados são enviados aos órgãos ambientais responsáveis”. Além disso, a companhia também informou que não há relação causal entre suas atividades e os recentes desabamentos em Craíbas.
No começo deste ano, a Defesa Civil de Alagoas fez um levantamento nas casas que apresentaram rachaduras naquela região. Foram verificadas 362 casas nas imediações da MVV.

Foto: Airton Lucas / Ascom Câmara
A Câmara Municipal de Arapiraca realizou, na quinta-feira (16), uma audiência pública para discutir as operações da Mineradora Vale Verde, que fica localizada em Craíbas – mas seus reflexos também atingem outras cidades da região Agreste. A audiência foi convocada pelo presidente da Câmara, Sérgio do Sindicato (PP) e avalizada pelos outros 18 vereadores. Os debates contaram com as presenças de diretores da Mineradora, representantes do Ministério Público Estadual (MP/AL), Defesa Civil e secretários municipais.
Tremores de terra
Entre os pontos discutidos: os recentes abalos que atingiram Arapiraca e cidades da região. Sobre o assunto, o Secretário Municipal de Defesa Social de Arapiraca, Coronel Enio Bolívar, fez uma explanação das ações que estão acontecendo, incluindo a intervenção direta da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte).
Os representantes da Mineradora disseram que a MVV é parte interessada e aguarda os resultados dos trabalhos da UFRN e Instituto do Meio Ambiente (IMA). Indagados por vereadores e participantes da audiência, os técnicos afirmaram que as escavações são todas monitoradas, seguem normas de segurança. No caso das explosões, o Exército faz vistorias frequentes em relação ao material utilizado.
Imóveis
O líder comunitário Tancredo Barbosa chamou atenção para a situação dos moradores dos Sítios Lagoa do Mel e Torrões, que sofrem com as rachaduras nas casas e o risco iminente de desabamento dos imóveis, além da grande quantidade de poeira lançada no ar depois das explosões para a retirada de minérios de cobre e ferro.
Segundo ele, há uma desvalorização muito grande dos imóveis devido a situação.
Esclarecimentos
Os representantes da MVV também responderam sobre uma recente denúncia de despejo de resíduos químicos no Rio Traipu, um dos afluentes do São Francisco. Os técnicos afirmaram que o lançamento de efluentes provenientes de sua operação, bem como o processo de descarte dos rejeitos na Barragem Serrote, estão totalmente regularizados, conforme as licenças e outorgas emitidas e fiscalizadas pelos órgãos ambientais.
Que a água vista nos vídeos que circulam na internet não é tóxica, é resultante da drenagem da própria área da mineração, e sua coloração é devido a tonalidade da terra presente na área da mina. Destacando que essa água não é descartada no meio ambiente e fica armazenada na barragem.
Porta Aberta
Os representantes da Mineradora destacaram os investimentos que estão sendo feitos na economia local, projetos de contra partida na área social, entre outros. Formalizaram convicto para que os vereadores fossem até a MVV conhecer de perto todo o processo de operação.
Positivo
O presidente da Câmara, vereador Sérgio do Sindicato, avaliou a Audiência como positiva. Disse aguardar que as comunidades afetadas recebam a devida ajuda. “Contamos com a participação da sociedade, e esperamos ações positivas e efetivas para ajudar as comunidades afetadas como resultado dessa reunião”, salientou.
