
Foto: Paulo Nemezio/Reprodução
Um estudo de sonar, uma tecnologia utilizada para mapear cavidades, vai ser realizado para avaliar a dimensão dos danos provocados pelo colapso da mina da Braskem no Mutange, em Maceió, nas minas mais próximas.
A mina que se rompeu sob a Lagoa Mundaú era uma das 35 que a Braskem utilizava para extração de sal-gema. Desde 2019, todas as cavidades estão desativadas. Algumas chegaram a ser preenchidas com areia, mas todas as atividades nas áreas das minas foram suspensas após o alerta de risco de colapso da mina 18, emitido pela Defesa Civil de Maceió no dia 29 de novembro.
As minas que serão analisadas são as cavidades 20 e 21, que ficam totalmente dentro da lagoa Mundaú. Essas minas se conectaram e são consideradas apenas uma cavidade, denominada 20/21. Esse poço é o mais próximo da mina 18.
"Com o acontecimento da mina 18, a gente tem certeza que ela afetou outras minas, mas o tamanho e quanto isso foi afetado, a gente só vai saber com esse novo estudo. Nós próximos dias, a gente vai se reunir com a Defesa Civil Nacional, Defesa Civil Municipal e outros órgãos para aprovar o plano para que de forma imediata já nos próximos dias, a Braskem coloque em prática", afirmou capitão Douglas Gomes, chefe da seção de desastres naturais da Defesa Civil Estadual.
Para realizar o estudo, é necessário introduzir o sonar em um poço que já existe na região. O sonar é colocado na cavidade por um cabo operado por um caminhão.
Segundo o documento, caso o acesso ao poço esteja bloqueado, será necessário perfurar um novo poço para realizar o exame.
"Nós já temos um poço que dá acesso a essa cavidade 20/21, porém, nós precisamos ter um estudo melhor para saber se esse poço está em deslocamento vertical, horizontal. Para isso, a gente precisa colocar um aparelho, que é o sonar. Caso a gente não consiga ter acesso, a mina 18 pode ter afetado, aí sim nós vamos autorizar para que a Braskem cave outro poço e assim tenha acesso às cavidades 20 e 21, que hoje estão conjugadas", afirmou o capitão.
De acordo com o Ministério de Minas e Energia, o espaçamento mínimo recomendado entre as minas é de, em média, 1,5 ou 2 vezes o diâmetro da cavidade, mas o monitoramento apontou que algumas cavidades chegaram a se conectar, o que é um indicativo de que tal distanciamento não foi respeitado pela Braskem "ou decorreu das deformações das cavidades ao longo do tempo".
A operação será realizada por uma equipe de sete pessoas de empresas contratadas pela Braskem. A previsão é que a duração do exame de sonar seja de cinco dias.
"Considerando a movimentação significativa ocorrida na área da cavidade 18, há a possibilidade dessa movimentação ter causado danos aos poços localizados no entorno dessa área. Sendo assim, caso sejam encontrados danos no referido poço auxiliar 20AD, que impeçam o acesso à cavidade 20/21 e, consequentemente, a realização do exame de sonar, será necessário proceder com a perfuração de um novo poço auxiliar para acesso à cavidade 20/21", diz um trecho do documento.

Braskem é responsável por minas de sal-gema em Maceió; uma das 35 cavernas de mineração corre risco de desabar no bairro do Mutange — Foto: Roberta Cólen/G1
A Justiça Federal em Alagoas negou o pedido de bloqueio de R$ 1 bilhão das contas da Braskem para garantir indenização por danos morais e materiais, além de benefícios temporários para viabilizar a realocação, aos proprietários dos imóveis que foram incluídos nas novas áreas de monitoramento por causa do afundamento do solo.
A decisão do juiz André Luís Maia Tobias Granja, da 3ª Vara Federal, é do último sábado (23). O pedido havia sido feito em ação conjunta pela Defensoria Pública da União (DPU-AL), Ministério Público Federal (MPF-AL) e Ministério Público Estadual (MP-AL).
Ao negar o bloqueio, o magistrado afirmou que o que o bloqueio de valores para garantir o cumprimento da decisão liminar (provisória) "é medida que deve ser analisada com a devida prudência".
O pedido foi feito sob alegação de que a Braskem não cumpriu a decisão liminar (temporária) da Justiça Federal que determinou a inclusão dos imóveis na nova área de monitoramento no Programa de Compensação Financeira e Apoio à Realocação. A empresa disse que recorreu dessa decisão.
A atualização inclui imóveis que estão em parte do Bom Parto, da rua Marquês de Abrantes e da Vila Saem, além de imóveis no bairro do Farol, todos na área de monitoramento, sem ordem de evacuação, cuja realocação é opcional. A decisão, no entanto, não inclui os moradores das comunidades dos Flexais, que cobram a realocação.
Os imóveis que estão na área de monitoramento não estão com ordem de evacuação e é o que argumenta a Braskem para não cumprir a decisão. A Justiça determinou a indenização dos imóveis um dia após o alerta do risco de colapso na mina na área do antigo campo do CSA, no Mutange.
O colapso da mina ocorreu no dia 10 de dezembro. O local ficou sem monitoramento por dias, já que o equipamento usado para medir com alta precisão a movimentação do solo foi levado pela água quando a mina se rompeu sob a lagoa Mundaú.
Um novo equipamento foi colocado próximo do local do rompimento no dia 12 de dezembro, mas foi preciso esperar 10 dias até a consolidação dos dados coletados.
No dia 22, o primeiro boletim após o colapso apontou que o solo continua afundando, mas a velocidade da movimentação de terra no local, no entanto, é bem menor do que a que estava sendo registrada antes do rompimento.
A mina que colapsou é uma das 35 que a Braskem mantinha na região para extração de sal-gema. Em cinco anos, desde que surgiram as primeiras rachaduras nas casas por causa da mineração realizada pela Braskem, mais de 14 mil imóveis tiveram que ser evacuados em cinco bairros, afetando cerca de 60 mil pessoas.

Foto: Ailton Cruz
A Defesa Civil de Maceió informou que o ritmo do afundamento da mina 18, que colapsou no dia 10 de dezembro, está em queda. Coordenador do órgão, Abelardo Nobre, disse neste sábado (23) que não existe mais um cenário de preocupação. A movimentação do solo nas últimas 24h foi de 2,7 cm.
“Aquele cenário de preocupação que tínhamos antes já não existe. O afundamento reduziu significativamente, o que nos leva a entender que o solo pode se acomodar e estabilizar”, disse.
O registro dos últimos 11 dias apontam para um afundamento do solo de 33 cm com uma velocidade de velocidade de 1mm por hora. Os primeiros dados coletados na mina, após colapso, foram divulgados na sexta-feira (23).
A desaceleração no ritmo de afundamento já era esperada pelos técnicos. Mesmo com a redução, o alerta da Defesa Civil segue para que as pessoas não circulem na área desocupada.
A mina 18 é uma das 35 que a Braskem mantinha na região para extração de sal-gema. Ela e todo o seu entorno estão desocupados desde o primeiro aviso de risco de colapso na região, divulgado no dia 29 de novembro.
O local ficou sem monitoramento por dois dias, já que o equipamento usado para medir com alta precisão a movimentação do solo foi levado pela água quando a mina sem rompeu sob a lagoa.
Um novo equipamento foi colocado próximo do local do rompimento no dia 12 de dezembro, mas a Defesa Civil disse que precisava de tempo até a consolidação dos dados coletados para medir se o solo havia se estabilizado ou se continuava afundando.

Foto: Paulo Nemezio/Reprodução
O solo da mina que colapsou em Maceió continua afundando, segundo informou a Defesa Civil nesta sexta-feira (22). A velocidade de deslocamento, no entanto, é bem menor do que a que estava sendo registrada antes do colapso. O local estava sem monitoramento desde o dia do rompimento da mina.
De acordo com o órgão, o solo afundou 29,48 cm, com uma velocidade de 0,69 mm por hora, desde o colapso. Já o movimento do solo registrado nas últimas 24h foi de 16,66 mm.
A velocidade de movimentação do terreno está bem abaixo do que vinha sendo registrado antes do colapso. No último boletim divulgado pela Defesa Civil, horas antes de a mina colapsar, o ritmo da movimentação do solo eram de 0,52 cm/h e a profundidade de afundamento era de 2,35 metros.
A mina 18 e todo o seu entorno estão desocupados desde o primeiro aviso de risco de colapso na região, divulgado no dia 29 de novembro.
O local ficou sem monitoramento por mais de dez dias, já que o equipamento usado para medir com alta precisão a movimentação do solo foi levado pela água quando a mina sem rompeu sob a lagoa. O monitoramento foi retomado somente no dia 12 de dezembro e, mesmo assim, o processamento de dados não aconteceu de forma imediata.
A mina que colapsou é uma das 35 que a Braskem mantinha na região para extração de sal-gema. Em cinco anos, desde que surgiram as primeiras rachaduras nas casas por causa da mineração realizada pela Braskem, mais de 14 mil imóveis tiveram que ser evacuados em cinco bairros, afetando cerca de 60 mil pessoas.

Foto: Paulo Nemezio/Reprodução
O resultado da análise das primeiras amostras retiradas da Lagoa Mundaú após o rompimento de parte da mina 18 da Braskem indicam que não houve alteração significativa na qualidade da água. A conclusão foi apresentada por pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e do Instituto do Meio Ambiente (IMA) nesta segunda-feira (18).
Para a análise, foi feito o comparativo com amostras coletadas antes do colapso da mina. Os testes realizados em laboratório não indicaram elevação dos índices de sódio, cálcio e magnésio, entre outros que poderiam afetar o ecossistema na lagoa.
"Nessas análises que nós fizemos, nenhum desses compostos que nós encontramos, inclusive na mancha, apresentou índice elevado em relação ao que a gente já tinha de histórico", explicou o pesquisador e professor Emerson Soares, que coordena o projeto Laguna Viva, da Ufal.
A mancha a qual o professor se refere é a área exata onde houve o rompimento, que ficou com água turva. Os resultados mostraram que a única alteração se deu na amostra coletada nesse local, apontando alteração no nível de transparência da água.
Embora a notícia seja otimista, os pesquisadores ressaltam que é preciso continuar monitorando a área.

Paulo Nemezio/Reprodução
A Defesa Civil informou na tarde desta quarta-feira (13) que vai coletar dados por mais 10 dias antes de divulgar os resultados das primeiras análises feitas na área da mina que colapsou em Maceió. Um novo dispositivo foi instalado no início da semana para medir com precisão se o solo no local continua ou não afundando.
O equipamento que fazia esse monitoramento antes do colapso ficava à margem da lagoa Mundaú, mas foi perdido quando o solo se abriu. O coordenador da Defesa Civil, Abelardo Nobre, explicou que o equipamento ainda precisa passar por uma calibragem, embora a informação anterior era de que esse resultado seria divulgado hoje.
"A gente precisa de um prazo de 10 dias para que a gente possa ter a informação confiável da movimentação do solo. Esse prazo é para calibrar ele e precisamos de dias de transmissão de dados para que a gente possa ter o processamento deles em forma de um gráfico", disse.
Ainda de acordo com o coordenador, os dispositivos instalados nas outras 34 minas da Braskem, que não correm risco de colapso, estão funcionando normalmente. A mina e todo o seu entorno estão desocupados desde o primeiro aviso de risco de colapso na região, divulgado no dia 29 de novembro.
"Os outros DGPS [equipamentos que monitoram a movimentação do solo] que estão bem próximos à área têm informação confiável e não apresentam nenhuma anomalia", afirmou Abelardo Nobre.
O DGPS, que foi instalado na mina na segunda-feira (11), é capaz de medir a movimentação do solo em tempo real. Já a profundidade da cratera que se abriu quando a mina se rompeu deve ser mensurada por um sonar, que não tem previsão para ser instalado na área colapsada.
"A gente precisa de imagens de sonar e ainda não há segurança para fazer isso, nem por embarcação e nem de forma remota. Somente com esse sonar vamos ter a ideia real interna daquele local e a profundidade da mina. É algo que exige tempo, é um fenômeno geológico que impõe risco", afirmou o coordenador da Defesa Civil de Maceió.

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O local da mina 18 da Braskem, no bairro do Mutange, em Maceió, está sem monitoramento desde o rompimento que aconteceu no domingo (10). O equipamento usado para medir com alta precisão a movimentação do terreno (em detalhe na imagem acima, feita dias antes) foi levado pela água quando a mina sem rompeu sob a lagoa.
Segundo a Defesa Civil Municipal, um novo equipamento deve ser instalado para mensurar se o solo continua afundando no local, mas não há prazo para isso acontecer. Entretanto, a Braskem informou que iniciou a instalação de um novo sensor na área, com apoio de um helicóptero, na tarde desta segunda, após autorização dos órgãos competentes.
Logo após o rompimento da mina, a Defesa Civil afirmou que não existia mais risco de um novo colapso na área.
A mina 18 é uma das 35 que a Braskem mantinha na região para extração de sal-gema, mineração apontada como a causa da instabilidade no solo que levou à desocupação de mais de 14 mil imóveis, afetando cerca de 60 pessoas. As outras 34 minas seguem sendo monitoradas normalmente, sem indicação de reflexo pelo rompimento.
O último registro feito pelo equipamento, horas antes de a mina ceder, apontava para uma redução na velocidade de movimentação do solo de 0,52 cm/h. O terreno no local já havia cedido 2,35 metros desde o dia 30 de novembro, quando essa medição passou a ser feita.
“A região afetada pelo rompimento e as demais no entorno dos poços de sal seguem sendo monitoradas 24 horas por dia. Reforçamos que o evento se concentrou na mina 18, sem vítimas, já que a área estava desocupada, e o monitoramento não indica comprometimento de minas próximas”, disse o coordenador da Defesa Civil Municipal, Abelardo Nobre.
O rompimento de parte da mina aconteceu às 13h15 de domingo, sob o trecho da lagoa Mundaú que fica próximo à margem do continente.

Foto: Reprodução
Após rompimento da mina 18, que era operada pela mineradora Braskem, em Maceió, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai se reunir nesta terça-feira (12) com o governador de Alagoas, Paulo Dantas, e o prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC). Segundo a prefeitura de Maceió, o objetivo da reunião é tratar sobre os últimos acontecimentos relativos ao rompimento da mina, ocorrido no domingo (10), e seus impactos para a cidade.
Um dos temas que devem ser abordados é o déficit habitacional de aproximadamente 40 mil pessoas em Maceió, ampliado pelo afundamento de solo, processo que iniciou-se em 2018. Desde então, cerca de 60 mil pessoas precisaram ser realocadas.
Nas redes sociais, o prefeito de Maceió comunicou a viagem à capital federal na manhã de hoje. “Acabo de embarcar para Brasília atendendo a um pedido do presidente da Câmara Federal, deputado Arthur Lira. Vamos encontrar representantes do Governo Federal para trazer auxílio a Maceió. O trabalho não espera e a gente tem pressa para ajudar as pessoas”, disse.
Também devem participar do encontro o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL); o ministro dos Transportes, Renan Filho; o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha; e os senadores Renan Calheiros (MDB-AL), Fernando Farias (MDB-AL) e Rodrigo Cunha (Podemos-AL).

Garça torta nas imediações da Lagoa Mundaú | Imagem: reprodução
Na manhã de hoje (11), pescadores denunciaram que o sururu e outros animais da região da Lagoa Mundaú estão morrendo após o rompimento da mina 18, no último domingo (10). Com isso, o sustento de várias famílias que trabalham com o sururu foi prejudicado.
“Acabei de chegar da lagoa. Eles querem crescer, um morre, o outro fica por cima, insistindo, e não tem condições de sobreviver. A gente está vendo que esse sururu não foi morto por causa de molusco que veio da África, mas por causa da Braskem”, disse o pescador Waldemar Waldomiro, conhecido como seu Dida.
Além do sururu, uma garça também foi encontrada morta na área. “Seria bom que o IMA [Instituto do Meio Ambiente] fizesse exame nela, para saber o motivo da morte, mas por aqui a gente nunca viu isso”, disse Waldomiro.
Segundo outros trabalhadores locais, uma mancha branca foi avistada na lagoa depois do colapso da mina. Luciano Teixeira foi um dos que viu a mancha e falou que “o marisco que está nascendo vai se acabar” e que quer uma ajuda de custo para os pescadores. “Há dois anos o pescador está sem sururu na lagoa, trabalhando com outras coisas, mas não estão se mantendo, porque nossa renda é o sururu. A lagoa é a nossa riqueza”, afirmou.
O IMA está coletando material para comparar os dados obtidos antes e depois do colapso, para verificar os níveis de salinidade da água e outros impactos gerados pelo rompimento da mina.
Abaixo, veja os registros feitos pelos pescadores, mostrando os animais mortos.

Imagem: reprodução/Operações Aéreas de Alagoas
No último domingo (10), após o rompimento da mina 18, no Mutange, uma equipe do Grupamento Aéreo da Secretaria de Segurança Pública (SSP) de Alagoas coletou uma amostra da água da Lagoa Mundaú. A ação foi feita depois de uma solicitação da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil, que tem o objetivo de descobrir o impacto do rompimento na lagoa.
A análise da água será feito por membros do Instituto do Meio Ambiente (IMA), com a intenção de que seja feito o “tratamento correto e eficaz”.
Abaixo, veja um vídeo do helicóptero da SSP sobre a Lagoa Mundaú. O material foi coletado através de um cabo pendurado, para não comprometer a qualidade da água que seria analisada.
Vídeo: Operações Aéreas de Alagoas
Nas redes sociais, imagens foram compartilhadas, mostrando um rastro formado na lagoa depois do rompimento da mina. Confira a seguir:
