Metralhadoras recuperadas | Foto: reprodução

Segundo informações da Polícia Civil (PC) do Rio de Janeiro, as metralhadoras furtadas do arsenal de guerra do Exército de São Paulo foram ofertadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV), mas as facções recusaram o armamento em decorrência do mau estado de conservação e da falta de uma peça das armas.

Ainda de acordo com a PC, os integrantes do CV, que comandam o tráfico no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, não quiseram adquirir os itens porque estava faltando uma fita metálica necessária para inserir a munição nas armas. Isso ocorreu porque a peça é de uso controlado pelo Exército, sendo difícil de ser adquirida no mercado.

A negociação foi feita em um grupo de WhatsApp com as lideranças do Comando Vermelho. Um fornecedor chegou a postar um vídeo em que apareciam quatro metralhadoras .50 subtraídas do arsenal.

Um membro do PCC, conhecido por liderar grandes roubos contra agências bancárias e carros-fortes, também descartou as armas de calibre 50, pois as considerou “velhas e em mau estado”. O fornecedor chegou a pedir R$ 350 mil em cada uma e R$ 180 mil pelos fuzis de calibre 7.62, mas o integrante da facção recusou.

No último sábado (21), nove metralhadoras foram recuperadas. Ao todo, 17 já voltaram para as mãos dos militares.

Nove armas foram encontradas na lama em São Roque, interior paulista, segundo a polícia — Foto: Divulgação/Polícia Civil

 

As nove das 21 metralhadoras que foram furtadas em setembro do Exército acabaram encontradas pela Polícia Civil, na noite da sexta-feira (20), em São Roque, interior de São Paulo, escondidas no lamaçal de uma área de mata. Vídeos divulgados pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) mostram o local (veja acima).

Foram recuperadas quatro metralhadoras calibre 7,62 e cinco metralhadoras calibre .50 – conhecidas por poder de fogo e alcance para derrubar até aeronaves. O Exército foi chamado e reconheceu o armamento pelo número de registro.

O conjunto faz parte das armas que foram desviadas por militares, no período do feriado de 7 de setembro, de um quartel do Exército em Barueri, Grande São Paulo. O crime só foi descoberto em 10 de outubro, durante inspeção no Arsenal de Guerra, que sentiu falta de 13 metralhadoras, 50 e oito metralhadoras 7,62 que sumiram.

"As armas são muito pesadas e de difícil locomoção. Então elas estavam escondidas lá. E os indivíduos que estavam lá iam carregar um veículo com as armas. Só que nós chegamos antes. E ai achamos o local dessa forma. Aí eles fugiram e localizamos as armas, todas ali dentro desse alagadiço ali", disse o delegado Marcelo Prado, titular do 1º Distrito Policial (DP) de Carapicuiba, na região metropolitana, em entrevista neste sábado (21) ao g1. "Isso. Escondidas ali. Dentro da lama, molhadas. Nós tivemos que limpar as armas, inclusive. Que estavam todas sujas de barro".

Troca de tiros

De acordo com o delegado, os policiais chegaram a trocar tiros com pelo menos dois criminosos que estavam guardando as armas para entregar a outros bandidos. Eles conseguiram fugir. Uma viatura policial foi atingida por pelo menos três disparos, mas ninguém se feriu.

"Surgiu a informação de que ontem [sexta-feira] haveria um carregamento de armas naquele local. Nós fizemos a diligência rapidamente e confirmamos. Os indivíduos nos receberam já armados. Efetuaram disparos contra os policiais que estavam na viatura. Os policiais revidaram. A viatura foi bastante alvejada por disparos de arma de fogo e esses indivíduos acabaram fugindo, num lugar bem ermo, escuro, à noite, numa estrada de terra", disse o delegado.

O secretário da Segurança Pública de São Paulo (SSP), Guilherme Derrite, disse que o setor de inteligência da polícia conseguiu saber que o armamento seria entregue para criminosos entre esta sexta e sábado, em São Roque, e enviou uma equipe até o local.

A suspeita da SSP é de que todo arsenal furtado do Exército iria ser negociado e vendido para facções, como o Comando Vermelho (CV), no Rio de Janeiro, e o Primeiro Comando da Capital (PCC), que age principalmente em São Paulo.

 

Foto: Ronaldo Silva/Ato Press/Estadão conteúdo

O Exército identificou os militares suspeitos de facilitarem o furto de 21 metralhadoras do quartel militar de Barueri (SP). Segundo foi apurado pelo portal g1, serão responsabilizados e cumprirão punições disciplinares todos os militares que tinham a função de fiscalização ou controle.

Os suspeitos já estão em posse dos formulários de apuração de transgressão para a realização de sua defesa. Além disso, outras buscas estão sendo feitas, para apurar, responsabilizar e punir devidamente os envolvidos, além de recuperar as armas.

Segundo foi investigado pela Polícia Civil (PC) do Rio de Janeiro, parte do armamento foi oferecido à maior facção criminosa do estado. Cada metralhadora custava R$ 180 mil.

A investigação do Exército ainda apura a participação de três militares envolvidos na separação das armas no galpão de descarte, no transporte no carro em um local já definido, e no deslocamento até a entrega.

Entre as armas desaparecidas estão 13 metralhadoras .50 e oito fuzis-metralhadoras de calibre 7.62.

Guilherme Derrite | Foto: Gabriel Silva/Ato Press/Estadão Conteúdo

De acordo com o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite (PL), o furto de 21 metralhadoras do Arsenal da Base Militar de Barueri (SP) pode ter consequências graves, uma vez que 13 das armas têm capacidade para derrubar um avião. Derrite ainda disse que a Secretaria de Segurança Pública (SSP) se esforçará para auxiliar nas buscas pelo armamento.

“Nós, da segurança de São Paulo, não vamos medir esforços para auxiliar nas buscas do armamento e evitar as consequências catastróficas que isso pode gerar a favor do crime e contra segurança da população”, afirmou o secretário.

Além das 13 metralhadoras antiaéreas, as armas subtraídas incluem oito metralhadoras de calibre 7.62. Segundo o Comando Militar do Sudeste, as armas eram inservíveis, estando em processo de manutenção no setor responsável por iniciar o processo de destruição de armamentos que não podem mais ser reparados.

A descoberta do furto ocorreu durante uma inspeção realizada no Arsenal.

Exército investiga o caso

Oficialmente, nenhum boletim de ocorrência (BO) foi registrado pelo Exército, que tem conduzido uma investigação interna para apurar o caso. Ao todo, cerca de 480 militares estão aquartelados em Barueri, para prestar depoimentos sobre o ocorrido.

Apesar de nenhum BO ter sido registrado, a Polícia Civil (PC) e a Polícia Militar (PM) estão realizando buscas para encontrar o armamento e os responsáveis pelo crime.

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