Foto: ilustração

Nesta quinta-feira (20), tem início o inverno brasileiro, que pode trazer chuvas acima da média em Alagoas. A informação é do meteorologista e superintendente de Prevenção em Desastres Naturais da Secretaria do Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), Vinícius Pinho.

“Nosso inverno tem duas características distintas. Primeiro, a gente pode dividir ele em duas partes, sendo que na primeira parte do inverno há uma queda, um declínio gradual das temperaturas médias em todo o nosso estado. Nós estamos na primeira metade da quadra chuvosa, ainda dentro do período chuvoso com expectativas de chuvas acima da normalidade”, afirmou. “Já na segunda metade do inverno, acaba o período chuvoso, o tempo fica bem mais seco, bem mais firme, há também um aumento gradual das temperaturas médias e os ventos começam a soprar mais de Leste, e no finalzinho um pouco mais de Nordeste, um vento mais quente”, continuou.

Mesmo que as chuvas estejam acima da média histórica, o meteorologista informou que elas devem ser melhor distribuídas do que nos anos anteriores. Isso, entretanto, não descarta os cuidados. “Mesmo que essas chuvas sejam bem distribuídas, a gente não tem como descartar a ocorrência de um ou outro evento mais severo no nosso estado”, observou.

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Na última semana, o Brasil enfrentou mais uma onda de calor, com a temperatura ficando 5°C acima da média em algumas regiões. Segundo a professora Renata Libonatti, do Departamento de Meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), um estudo com as 14 principais regiões metropolitanas brasileiras mostrou que, entre 2000 e 2020, foram 50 mil mortes associadas às ondas de calor.

“Esse número é 20 vezes maior do que o número de pessoas que morreram por deslizamentos. Apesar de as pessoas morrerem por causa de ondas de calor, não se percebe que essas mortes são associadas às ondas de calor. A Europa começou a ter essa percepção de ondas de calor como desastre fatal a partir da França, em 2003. Foi uma onda de calor gravíssima, que matou entre 20 mil e 40 mil pessoas. Agora (lá) já existem protocolos que são aplicados”, disse a professora.

Segundo Libonatti, as ondas de calor no Brasil são desastres negligenciados, pois não há uma linha de ação transversal entre alertas meteorológicos e protocolos para os órgãos de saúde e de assistência.

Há ainda a questão o estresse térmico, que não está relacionado apenas à temperatura, mas à umidade relativa do ar, à incidência de radiação solar, à velocidade do vento, entre outras variáveis. “Em geral, o estresse térmico são condições ambientais relacionadas com essas variáveis que fazem com que o corpo humano passe a ter uma sensação desconfortável e várias consequências, como desidratação, confusão mental, cansaço”, explicou.

As ondas de calor fazem parte de eventos que agravam esse estresse. De acordo com a docente, uma conta que foi feita com projeções climáticas considera que, em 2030, teremos cerca de 27 milhões de pessoas expostas a condições de estresse térmico.

Para evitar esses problemas mais sérios, a meteorologista fala de adotar planos que vêm sendo discutidos ultimamente. “Uso de materiais para construção que tenham a capacidade de absorver um pouco o calor; a presença de corpos d’água é uma medida que precisa ser estudada; a construção de telhados verdes ou a construção de prédios que favoreçam a circulação do ar; diminuir a emissão de gases associados aos transportes, com mudanças significativas na frota veicular. Tudo isso estamos falando em termos de infraestrutura”.

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