
João Couto Neto preso em SP por policiais civis — Foto: Divulgação / Polícia Civil
O médico cirurgião João Batista de Couto Neto, de 46 anos, investigado em vários inquéritos por ter cometido dezenas de negligências médicas que teriam provocado mortes e mutilações em mesas de cirurgia em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, foi preso, na noite da quinta-feira (14), enquanto exercia a medicina num hospital do município de Caçapava, no interior de São Paulo. No início do ano, com a suspensão vencida em outubro e, portanto, sem impeditivos, ele havia feito um novo registro no Conselho Regional de Medicina de SP (Cremesp) para atuar.
O mandado de prisão preventiva foi expedido na quarta-feira pelo juiz Guilherme Machado da Silva, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. O médico foi indiciado por homicídio doloso — quando há intenção de matar — pela Delegacia de Novo Hamburgo, com base na conclusão de três inquéritos. A polícia suspeita que, ao todo, ele possa estar por trás de pelo menos 42 mortes de pacientes e outros 114 casos de lesão corporal.
Em contato com O GLOBO, o advogado de Couto Neto, Brunno de Lia Pires, criticou a prisão.
— Com surpresa a defesa recebeu a notícia da decretação da prisão preventiva do médico João Batista. A decisão não se reveste de qualquer fundamento fático ou jurídico e constitui clara antecipação de pena, com a finalidade de coagir e constranger o médico — disse, acrescentando ainda que entrará com um pedido de habeas corpus "o mais breve possível, para fazer cessar a absurda e imotivada prisão".
De acordo com o portal g1, os inquéritos concluídos e que culminaram neste primeiro indiciamento contra o cirurgião dizem respeito às mortes de dois homens e uma mulher. Ao site, o Cremesp explicou que, quando aceitou o registro de João Couto, sabia que o profissional havia enfrentado uma suspensão de licença, mas que "era obrigado a efetuar o registro do médico", porque a restrição era parcial.
Redes sociais apagadas
Mas quem é o médico que pode estar por trás de mais de uma centena de casos de negligência? No ano passado, quando ainda mantinha no ar suas redes sociais, Couto Neto exibia em seu perfil, como forma de propaganda pessoal, a marca de mais de 25 mil cirurgias realizadas em 19 anos de profissão – uma média de cerca de 1,3 mil por ano. O profissional era participativo na internet, onde ostentava mais de 15 mil seguidores no Instagram, além de outros 13 mil, no Facebook. Depois as redes foram apagadas.
Vítimas
" A minha mãe foi vítima dele, teve perfurações no estômago e bexiga. Já passou por nove cirurgias e ainda vai fazer outra – contou à reportagem José Fernandes, filho de uma das vítimas.
Investigação
As investigações são lideradas pelo delegado Tarcísio Kaltbac, da Polícia Civil em Novo Hamburgo. De acordo com ele, o médico, que só atuava na rede particular, chegava a acumular até 25 cirurgias num mesmo turno de plantão.
Uma das linhas da investigação da polícia é que esse comportamento visava a aumentar os ganhos financeiros, mas levava à negligência e aos erros médicos. Para o delegado, a quantidade de cirurgias impedia Couto Neto cuidar corretamente das intervenções e dos pós-operatórios. Mas os investigadores ainda tentam entender como falhas tão graves foram cometidas, o que leva à hipótese de crueldade deliberada.
— "Não conseguimos entender por que ele fazia isso com as pessoas", destacou o delegado. Segundo o delegado, além dos depoimentos, longos e numerosos, há documentos, prontuários e relatórios médicos que baseiam os vários inquéritos.

Foto: Carla Cleto
Acidentes envolvendo eletricidade podem ocasionar danos diversos. Desde o susto, a queimaduras leves ou complexas e, até mesmo, uma parada cardiorrespiratória, segundo informou o médico socorrista do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Marcell Figueiredo. De acordo com ele, caso isso ocorra, é necessário acionar os serviços do 192, cujos socorristas são especialistas neste tipo de atendimento.
Mas, afinal, o que fazer em caso de choque elétrico grave? “Primeiramente, se for em residência, não tocar no paciente até se desligar a fonte de energia. Em seguida, o paciente deve ser afastado da fonte de descarga elétrica, por meio de materiais não condutores como um pedaço de madeira. É importante observar se o paciente respira; caso respire, deitá-lo de lado. Se não respira, aguardar a equipe de resgate chegar é o ideal”, orientou o especialista.
Para o médico do Samu, é importante que os primeiros socorros sejam iniciados o mais rápido possível para evitar que a corrente elétrica cause muitos danos no organismo com complicações graves. “Além do risco imediato de morte quando a corrente é muito alta, o choque elétrico pode afetar o corpo de outras formas e, por isso, o atendimento médico é fundamental”, salientou.
Ele explicou que o Samu procura saber, no momento da ligação, se a fonte de descarga elétrica continua ativa e faz as orientações citadas acima. Quando o fato não acontece em uma residência e sim em fontes externas, como postes ou fiações, é acionado o órgão competente distribuidor de energia.
“No local, com a vítima, avaliamos a cena para possível identificação de risco à equipe e abordamos o paciente”, explicou Marcell Figueiredo.
Nesse momento são verificados, pelos socorristas, os sinais vitais da vítima, assim como os sinais indicativos da passagem da corrente elétrica no corpo (lesão de entrada e de saída).
“A partir daí iniciamos condutas clínicas a depender do quadro apresentado, que varia entre cuidados básicos, como monitorização e analgesia, até mesmo massagem cardíaca, caso o paciente esteja em parada cardiorrespiratória”, explicou o médico, ressaltando que o paciente é destinado para a unidade de referência, onde a principal é o Hospital Geral do Estado( HGE).

Mauricio e família | Foto: Felipe Chié/Arquivo pessoal
O jovem Maurício Bernardo da Silva (23), se formou em medicina no dia 11 deste mês, depois de seis anos na Universidade Federal de Alagoas (Ufal) de Arapiraca. Antes de se formar, em julho, ele recebeu o diploma e se registrou no Conselho Federal de Medicina (CFM). Desde então, passou a trabalhar e conseguiu “aposentar” o pai, João Vicente da Silva (47), que trabalhava como cortador de cana há 35 anos.
Maurício e sua família vivem no bairro Cruzeiro, em São Sebastião. Atualmente, já formado, o jovem trabalha em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) da cidade e tem plantões semanais em Arapiraca e São Miguel dos Campos.
“Desde que entrei na faculdade, eu carrego uma lista de prioridades. Agora [depois do pai deixar o corte de cana], a primeira é colocar eles em um lugar melhor; estamos procurando uma casa maior. Depois vou comprar um carro. Só quando deixar tudo bem ajeitadinho para eles é que vou partir para minha especialização e outras coisas pessoais”, disse Bernardo.
Segundo os pais de Maurício, o rapaz sempre foi um aluno exemplar. Foi destaque no seu primeiro ano de pré-escola, quando só tinha cinco anos e já sabia escrever. A mãe do médico, Adriana da Silva (43), disse que todo professor o elogiava e que a diretora, de quando ele estudava no 9° ano, chegou a conseguir uma bolsa de 50% do valor da mensalidade em uma escola particular de Arapiraca. A mesma diretora disse que custearia a outra metade para ele estudar em um colégio melhor.
Contudo, a família recusou e preferiu que o filho seguisse em uma escola pública, sem depender da ajuda de terceiros. Com isso, Maurício foi para uma escola pública, em Arapiraca, considerada melhor que as de São Sebastião. Mas mesmo antes de tudo isso, quando Bernardo ainda estava no ventre de Adriana, ela já pensava que ele seria um médico.
“Desde que eu estava com ele na barriga, dizia para mim mesma que carregava um doutor. Não falava para ninguém, mas tinha esse sonho, porque ele foi o meu segundo filho; o primeiro faleceu em uma cirurgia em Maceió, quando tinha dois anos e seis meses. Ele morreu, e eu estava do lado dele”, contou a mãe.
“Vai ser difícil se formar por ser cortador de cana” e “esse é um curso para filho de rico” foram duas das frases que os pais de Maurício escutaram, mesmo o filho tendo boas notas. Segundo o jovem, a família passou por muita dificuldade, mas a situação era mais tranquila por ele estudar em instituições públicas.
“Como estudei em escola pública, sempre foi muito tranquilo, e na faculdade também. Mas o que está claro na minha mente é que meus pais foram tudo para mim: acreditaram, nunca desistiram do sonho e fizeram o que puderam para que eu chegasse à faculdade”, disse Bernardo.
Além dele, Vicente e Adriana possuem outro filho, de 22 anos, que também seguiu para a área da saúde, fazendo o curso de técnico de enfermagem, em Arapiraca.
João Vicente disse que, apesar das dificuldades de um cortador de cana, ele tem orgulho do que conseguiu construir na vida através dessa profissão. “Foi graças a esse serviço que arrumei o que comer para mim e para meus filhos. Comecei nisso tinha ainda 14 anos e sempre fiz tudo com amor pela família”, afirmou.
