Foto: Ilustração

Em carta endereçada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o presidente eleito da Argentina, Javier Milei, diz desejar um "trabalho frutífero e de construção de laços" entre Brasil e Argentina. O documento foi entregue pela futura chanceler argentina, Diana Mondino, ao chanceler brasileiro, Mauro Vieira, neste domingo (26).

"Desejo que o tempo em comum como presidentes e chefes de governo seja uma etapa de trabalho frutífero e de construção de laços que consolidem o papel que Argentina e Brasil podem e devem cumprir no acordo das nações", diz trecho da carta.

Em outro trecho, Milei reconhece as ligações geográficas e estratégicas entre os dois países.

"Sabemos que nossos países estão estreitamente ligados pela geografia e história e, a partir disso, desejemos seguir compartilhando áreas de complementariedade a nível de integração física, comércio e presença internacional, que permitem que toda esta ação conjunta se traduza, para ambos os lados, em crescimento e prosperidade para argentinos e brasileiros."

Na mensagem, Milei convida Lula para a posse e afirma que o presidente brasileiro "sabe e valoriza" o significado do momento de transição de governo.

O presidente eleito da Argentina disse que os dois países "têm muitos desafios" pela frente e que acredita que mudanças, baseadas nos "princípios da liberdade", posicionarão Argentina e Brasil como "países competitivos", nos quais os cidadãos para desenvolver suas capacidades e escolher o que futuro que desejam.

A carta, datada em 25 de novembro, termina com Milei dizendo que espera encontrar Lula na ocasião da posse. O presidente eleito da Argentina também diz: "receba a minha saudação, com estima e respeito."

Fotos: Bolsonaro (Ueslei Marcelino/Reuters) e Milei (Getty Images)

O ex-presidente Jair Bolsonaro conversou, através de uma chamada de vídeo, com o presidente eleito da Argentina, Javier Milei, após a vitória deste nas eleições do último domingo (19). O contato foi confirmado por Eduardo Bolsonaro e, posteriormente, pelo próprio Jair.

Durante o contato, o ex-presidente disse que Milei tem um trabalho muito grande pela frente. “Como eu disse na mensagem que te mandei aí, o trabalho vai para fora da Argentina”, afirmou. “Você representa, para o Brasil, muita coisa, e tenha certeza que tudo o que for possível fazer por você, estarei à sua disposição”.

De acordo com o que foi repercutido por Eduardo Bolsonaro, Milei disse que, durante a campanha, Sergio Massa teria recorrido à ajuda do governo Brasileiro. “Lula tentou interferir na eleição argentina a favor de Massa”, declarou o filho de Bolsonaro.

O deputado federal ainda informou que ele e o pai receberam um convite do presidente eleito argentino, para comparecer à posse presidencial, em 10 de dezembro. Bolsonaro disse que iriam e que seria uma grande honra.

Foto: Juan Mabromata/AFP

Com a vitória de Javier Milei na eleição para presidente da Argentina, no último domingo (19), os títulos americanos das ações da petrolífera estatal YPF, a maior do país, subiram cerca de 41% por volta das 17h de hoje (20), em decorrência das expectativas de que Milei seja o responsável pelo avanço do processo de privatização da companhia. A empresa de mineração e construção Tenaris também teve uma alta, de 1,7%.

A YPF é responsável pela supervisão do desenvolvimento de Vaca Muerta, a segunda maior reserva de gás de xisto do mundo e a quarta maior reserva de óleo de xisto. 51% da companhia foi nacionalizada há mais de uma década.

Mudanças no país e nas relações internacionais

Em seu discurso após a vitória, o libertário disse que se iniciava a “reconstrução da Argentina”. Entre suas propostas estão a dolarização da economia e o fechamento do Banco Central. Além disso, ele também propõe uma redução do tamanho do Estado, reduzindo o número de ministérios para oito. Atualmente, existem 18 ministérios no Governo Argentino.

Em agosto deste ano, Milei disse que acreditava ser necessário “eliminar” o Mercosul, por considerar a união dos países “defeituosa” e prejudicial aos argentinos. Ele também criticou a China, que vem realizando investimentos na Argentina.

Foto: Luis ROBAYO/AFP

Aconteceu, neste domingo (19), o segundo turno da eleição para presidente da Argentina. O pleito foi vencido pelo libertário Javier Milei (La Libertad Avanza), com mais de 53% dos votos válidos. Antes do final da apuração, o outro candidato, Sergio Massa (Unión por la Patria), reconheceu a derrota para Milei.

Segundo a Rede Bandeirantes, Massa chegou a ligar para Milei, parabenizando-o por ter vencido a disputa. Javier recebeu o apoio de Patricia Bullrich (Juntos por el Cambio), que ficou em terceiro lugar no primeiro turno, com 23,84% dos votos.

Entre as propostas de Milei estão o fechamento do Banco Central argentino e a utilização do dólar como moeda corrente no país. Ele crê que o mercado deve regular-se a si mesmo.

Javier Milei | Foto: Tomas Cuesta/Getty Images

O candidato à presidência da Argentina, Javier Milei, possui mais intenções de voto do que o seu concorrente, Sergio Massa, segundo uma pesquisa feita pela Atlas-Intel. Milei possui 48,6% das intenções de voto, enquanto Massa tem 44,6%. A pesquisa foi realizada entre os dias 5 e 9 de novembro, com 9.971 eleitores, e possui margem de erro de 1 ponto percentual para cima ou para baixo.

A maior intenção de voto em Milei pode se dar pelo apoio da candidata Patricia Bullrich, que ficou em terceiro lugar no 1° turno das eleições argentinas. Considerando somente os votos válidos, o ultraliberal tem 52,1% das intenções, enquanto Massa tem 47,9%.

Rejeição de propostas

A pesquisa também revelou que os eleitores rejeitam muitas propostas de Javier, como a de fechar o Banco Central do país e trocar o peso argentino pelo dólar americano. Esta última proposta contraria, pelo menos, 35% das pessoas entrevistadas. Além disso, cerca de 68% dos entrevistados rejeitam a proposta de flexibilização da compra de armas por civis.

A maior rejeição se encontra na proposta de permitir a venda de órgãos: 78% das pessoas entrevistadas foram contra.

Foto: Reuters/Matias Baglietto e Tomas Cuesta/Getty Images

Os candidatos Sergio Massa e Javier Milei irão disputar o segundo turno pela presidência da Argentina, que acontecerá no dia 19 de novembro. Massa tem 36,15% dos votos válidos, enquanto Milei tem 30,31%. Os números foram divulgados às 21h30, com 80,32% das urnas apuradas. Patricia Bullrich está com 23,71%.

Na Argentina, para se eleger presidente no primeiro turno, um candidato precisa ter mais de 45% dos votos válidos ou mais de 40% com diferença superior a 10% do segundo colocado. No Brasil, o presidente é eleito com mais de 50% dos votos.

Após o segundo turno, as autoridades eleitas tomarão posse no dia 10 de dezembro.

Eram cinco candidatos disputando a presidência. Além de Sergio Massa (Unión por la Patria), Javier Milei (La Libertad Avanza) e Patricia Bullrich (Juntos por el Cambio), participaram do pleito Juan Schiaretti (Hacemos por Nuestro País) e Myriam Bregman (Frente de Izquierda).

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