Furto de 21 metralhadoras de quartel em SP; 480 militares estão retidos

Por: Rádio Sampaio com G1
 / Publicado em 14/10/2023

Metralhadoras calibre .50, como a que aparecem na foto acima já foram apreendidas antes pela polícia. Arma costuma ser usada por quadrilhas de criminosos em ataques a caixas eletrônicos — Foto: reprodução/TV Globo

 

furto das 21 metralhadoras de um quartel em Barueri, na Grande São Paulo, nesta semana, já é o maior desvio de armas registrado pelo Exército brasileiro desde 2009, quando o Instituto Sou da Paz começou a fazer esse tipo de levantamento. Treze das armas levadas têm poder de fogo para derrubar aeronaves.

Após o desparecimento das 13 metralhadoras calibre .50 e outras 8 metralhadoras calibre 7,62 , confirmado numa vistoria na última terça-feira (10), cerca de 480 militares do Arsenal de Guerra em Barueri foram obrigados por seus superiores hierárquicos a ficarem 'aquartelados'.

A corporação não trata a medida como uma prisão, mas do lado de fora, familiares dos 'aquartelados' ouvidos neste sábado (14) pela reportagem reclamaram que não têm notícias dos militares. Até a última atualização desta reportagem nenhum suspeito pelo sumiço do armamento foi identificado ou detido. E nenhuma das armas havia sido recuperada.
O Sou da Paz é uma entidade sem fins lucrativos que faz análises entre armas e segurança pública. De acordo com a ONG, antes do sumiço das metralhadoras em Barueri, o maior registro de desvio de armas dentro de um quartel até então tinha ocorrido há 14 anos no batalhão do Exército em Caçapava, no interior paulista.

O que diz o Exército

Apesar de ter confirmado o furto das 21 armas em Barueri, o Exército alegou que elas são "inservíveis", ou seja: não funcionavam, e passariam por manutenção. Além disso, a corporação informou que irá apurar internamente o que ocorreu por meio de um inquérito policial militar.

O desparecimento das armas ocorreu na mesma semana que o comandante do Exército no Brasil. general Tomás Ribeiro Paiva, visitou quartéis do estado de São Paulo. Ele não esteve em Barueri, onde ocorreu o furto das metralhadoras.

Fontes da reportagem avaliam se o sumiço do armamento ocorreu por alguma falha da segurança do Arsenal de Guerra ou se tem algum militar envolvido no furto.

Veja abaixo a íntegra da nota do Comando Militar do Sudeste (CMSE) sobre o caso do furto do armamento em Barueri:

"O Comando Militar do Sudeste informa que, no dia 10 de outubro de 2023, em uma inspeção do Arsenal de Guerra de São Paulo, foi verificada uma discrepância no controle de 13(treze) metralhadoras calibre.50 e 8 (oito) de calibre 7,62, armamentos inservíveis que foram recolhidos para manutenção. Imediatamente, foram tomadas todas as providências administrativas com o objetivo de apurar as circunstâncias do fato, sendo instaurado um Inquérito Policial Militar.

Toda tropa está aquartelada de prontidão (cerca de 480 militares), conforme previsões legais, para poder contribuir para as ações necessárias no curso da investigação. Os militares estão sendo ouvidos para que possamos identificar dados relevantes para a investigação.

Os armamentos são inservíveis e estavam no Arsenal que é uma unidade técnica de manutenção, responsável também para iniciar o processo desfazimento e destruição dos armamentos que tenham sua reparação inviabilizada".

O que diz a Segurança Pública

Procurada pela reportagem, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que o caso está sendo investigado internamente pelo Exército e que as polícias auxiliam na procura das armas.

Veja abaixo o que a pasta comentou:

"A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo lamenta o furto das 13 armas antiaéreas (metralhadoras calibre .50) da Organização Militar do Exército Brasileiro, localizada em Barueri, Grande São Paulo e informa que, até o momento, a Polícia Civil não foi procurada para registro da ocorrência.

Tendo em vista o evidente risco de desdobramentos para a segurança da população, as polícias Civil e Militar empreendem massivos esforços no sentido da localização do material subtraído e da identificação e prisão dos autores do crime."

g1 também pediu posicionamento ao Ministério da Defesa, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.

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