EUA deve taxar PCC e CV como terroristas após pressão do clã Bolsonaro, diz NYT

Por: Rádio Sampaio com Metrópoles
 / Publicado em 28/03/2026


Reprodução/Instagram

 

O governo dos Estados Unidos considera classificar as duas maiores facções criminosas do Brasil, Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), como grupos terroristas após pressões da família Bolsonaro. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (27/3) pelo jornal The New York Times.

A possibilidade de incluir o PCC e CV no rol de organizações terroristas vem sendo debatida pelo Departamento de Estado dos EUA, informaram fontes ligadas a administração Trump para o NYT. As discussões ocorrem após contatos dos filhos de Jair Bolsonaro com a diplomacia norte-americana.

Na quinta-feira (26/3), o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) embarcou para os EUA. Lá, o filho de Jair Bolsonaro deve participar da Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC) em Dallas.

Até o momento, o governo dos EUA ainda não fez declarações públicas sobre o assunto. No início do mês, contudo, a chancelaria norte-americana comunicou ao Itamaraty que poderia incluir as duas facções na lista de grupos terroristas.

O governo brasileiro já se mostrou contra a possibilidade, e argumenta que classificar o PCC e CV fere a legislação do país. Além disso, o Brasil teme que a mudança possa ameaçar a soberania nacional, já que isso possibilitaria uma intervenção militar dos EUA sob a justificativa de combater o terrorismo.

Nesta sexta-feira (27/3), o assunto foi discutido pelo ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Os dois se reuniram na França, às margens da Cúpula de Chanceleres do G7.

Diante da pressão norte-americana, a administração de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) têm se mostrado aberto a cooperar no combate a tais grupos à nível transnacional — mas sem dar sinal verde para a possível classificação do PCC e CV como grupos terroristas.

A possível inclusão das facções brasileiras na lista faz parte de uma ampla campanha de Trump contra o tráfico internacional na América Latina.

Medida semelhante foi adotada contra cartéis venezuelanos no início do ano. A mudança justificou uma operação dos EUA, cujo resultado foi a captura do ex-presidente Nicolás Maduro.

 

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