
Câmara e Senado: fachada do prédio do Congresso Nacional na Esplanada dos Ministérios no dia 4 de julho de 2017 — Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
As contas do governo registraram um déficit primário de R$ 73,8 bilhões em março, informou Tesouro Nacional nesta quarta-feira (29).
🔎 O déficit primário ocorre quando as receitas com tributos e impostos ficam abaixo das despesas do governo. Se as receitas ficam acima as despesas, o resultado é um superávit primário. Esses valores não englobam os juros da dívida pública.
➡️Houve uma piora na comparação com o mesmo mês do ano passado, quando foi contabilizado um resultado positivo de R$ 1,59 bilhão (valor corrigido pela inflação).
➡️Esse também foi o pior resultado para meses de março desde o início da série histórica do Tesouro Nacional, em 1997, ou seja, em 30 anos.
➡️De acordo com o governo, a piora no resultado negativo está relacionada, principalmente, pela antecipação no pagamento de precatórios (sentenças judiciais) neste ano.
"Em 2026, esses pagamentos [de precatórios] concentraram-se em março, enquanto no ano anterior ocorreram majoritariamente em julho", informou o Tesouro Nacional.
Pagamento de precatórios eleva despesas
📈Segundo o Tesouro Nacional, as despesas totais do governo somaram R$ 269,88 bilhões em março deste ano, com uma alta real de 49,2% no período.
A maior parte desse forte aumento de despesas, por sua vez, está relacionada, justamente, pelo cronograma de pagamentos de precatórios (sentenças judiciais).
Este fator, de acordo com o Tesouro Nacional, impactou fortemente as rubricas de:
Sentenças Judiciais e Precatórios (+R$ 34,9 bilhões),
Benefícios Previdenciários (+R$ 28,6 bilhões), e de
Pessoal e Encargos Sociais (+R$ 11,3 bilhões).
A elevação nos gastos com benefícios previdenciários e pessoal também foram influenciadas, em menor proporção, pelo aumento na base de segurados, pela política de valorização do salário mínimo e pelos reajustes salariais concedidos ao funcionalismo público.
Receitas também sobem
📈 Em março, também houve um aumento real de 7,5% na receita líquida, após as transferências constitucionais a estados e municípios, totalizando R$ 196,1 bilhões.
O bom comportamento da arrecadação, por sua vez, está relacionado com o crescimento da economia brasileira e, também, com os aumentos de impostos anunciados nos últimos anos pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Entre as Receitas Administradas, os maiores impactos positivos vieram:
do IOF (+R$ 2,8 bilhões), fomentado pelo aumento na arrecadação associada às operações de crédito, seguro e câmbio, refletindo o aumento efetuado no ano passado;
do Imposto de Importação (+R$ 2,3 bilhões), que conjugou crescimento no volume importado e elevação na alíquota média efetiva;
do Imposto sobre a Renda (+R$ 2,3 bilhões) e da CSLL (+R$ 1,4 bilhão), impulsionados por aumentos no lucro presumido, na declaração de ajuste e no IRRF-Capital (aplicações de renda fixa); e
da Cofins (+R$ 1,5 bilhão), com destaque para o setor de serviços.
Parcial do ano
No acumulado dos três primeiros meses deste ano, ainda segundo dados oficiais, as contas do governo registraram um déficit primário de R$ 17,09 bilhões.
Com isso, houve uma forte piora na comparação com o mesmo período do ano passado, quando o resultado positivo somou R$ 58,75 bilhões (valor corrigido).
A piora nas contas do governo no primeiro trimestre deste ano também está relacionada com a antecipação no cronograma de pagamento dos precatórios (sentenças judiciais).
📈 No primeiro trimestre deste ano, houve um aumento real de 4,2% na receita líquida, após as transferências constitucionais a estados e municípios, totalizando R$ 626,41 bilhões.
📈 Ao mesmo tempo, as despesas totais do governo somaram R$ 643,52 bilhões entre janeiro e março deste ano, com uma alta real de 23,3% no período
Meta fiscal em 2026
Para este ano, a meta é de que as contas do governo tenham um saldo positivo de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 34,3 bilhões.
De acordo com o arcabouço fiscal, aprovado em 2023, há um intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central.
Ou seja: a meta será considerada formalmente cumprida se o governo tiver saldo zero, ou se chegar a um superávit de R$ 68,6 bilhões
O texto, no entanto, permite que o governo retire desse cálculo R$ 63,5 bilhões em despesas. E use esses recursos para pagar, por exemplo, precatórios (gastos com sentenças judiciais).
Com a banda em torno da meta fiscal e abatimentos legais, a previsão oficial do governo é de que suas contas tenham um déficit de quase R$ 60 bilhões neste ano.
Se os números se confirmarem, as contas do governo devem ficar negativas durante todo o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Banco Master. — Foto: Reprodução/TV Globo
A Polícia Federal (PF) quer ouvir o comunicador Léo Dias no caso Master. A oitiva será no inquérito dos influenciadores, que apura se o banco Master financiou a disseminação de ataques contra o Banco Central nas redes após a liquidação da instituição de Daniel Vorcaro.
O depoimento seria na quinta-feira (30) mas a defesa de Léo Dias afirmou ao blog que a oitiva foi adiada porque os advogados dele ainda não tiveram acesso aos autos. O blog apurou que uma nova data está sendo decidida pela PF.
Os investigadores querem saber se há relação do Master com o grupo Léo Dias, se o banco aportou dinheiro no grupo, e por qual motivo.
A PF quer saber se esses possíveis aportes podem ter sido feitos para financiar um ataque nas redes, feito por influenciadores, que receberiam dinheiro do Master para distorcer fatos sobre a atuação do Banco Central na liquidação do Master.
Há a suspeita de que Thiago Miranda, dono da Miranda Comunicação, também conhecida como Agência MiThi, tenha contrato esses influenciadores.
Segundo dados da Receita Federal, há uma ligação entre Miranda e Léo Dias. Thiago Miranda é sócio-administrador da Miranda Comunicação também é administrador da empresa Léo Dias Comunicação e Jornalismo S.A. E foi, até 2025, administrador da Léo Dias Comunicação e Jornalismo Ltda SCP VTG.
Um mesmo número de telefone aparece registrado no CNPJ da Miranda Comunicação e também no CNPJ da Léo Dias Comunicação e Jornalismo S.A.
No WhatsApp, o número está vinculado a um perfil que mostra uma foto com a inscrição "Leo Dias de Comunicação - Financeiro".
A assessoria afirma que Thiago Miranda continua sócio do Grupo Léo Dias e que Daniel Vorcaro, dono do Master, é investidor.

Alciney Santos de Araújo apita CSE x Jacuípense— Foto: Canindé Pereira
CSE e Jacuípense (BA) vão se enfrentar no domingo (03/05), às 16h, no estádio Juca Sampaio, em Palmeira dos índios. O jogo é válido pela 5ª rodada, do Grupo A-10, do Campeonato Brasileiro da série D e terá arbitragem do Rio Grande do Norte.
O potiguar Alciney Santos de Araújo vai apitar a partida, auxiliado pelos alagoanos Filipe Rodrigues e Genilson Firmino da Silva.
Rafael Carlos Salgueiro Lima, também de Alagoas, irá trabalhar como quarto árbitro.

Homenagem às vítimas do massacre que deixou nove mortos em uma escola de Tumbler Ridge, no Canadá, em fevereiro de 2026 — Foto: Christinne Muschi/The Canadian Press via AP
Familiares das vítimas de um dos massacres mais mortais da história do Canadá entraram com um processo contra a OpenAI, dona do ChatGPT, e contra o CEO Altman, em um tribunal dos Estados Unidos, nesta quarta-feira (29).
No ataque que aconteceu em fevereiro, em Tumbler Ridge, na Colúmbia Britânica, uma atiradora matou oito pessoas, incluindo várias crianças, e cometeu suicídio em seguida.
Segundo a alegação dos familiares, a empresa identificou a atiradora Jesse Van Rootselaar representava um risco oito meses antes do ataque, mas não alertou a polícia.
Na semana passada, um jornal de Tumbler Ridge publicou uma carta aberta em que Altman disse estar “profundamente arrependido” pelo fato de a conta da atiradora não ter sido comunicada às autoridades.
Os processos, apresentados no tribunal federal de São Francisco, acusam os chefes da OpenAI de não avisarem a polícia para evitar que viesse à tona a quantidade de conversas violentas no ChatGPT.
Segundo deles, esse aviso também poderia prejudicar os planos da empresa de abrir capital na bolsa, com uma oferta pública inicial de quase US$ 1 trilhão.
Em um comunicado, a OpenAI classificou o tiroteio como “uma tragédia” e disse que a empresa tem uma política de tolerância zero para o uso de suas ferramentas na facilitação de atos violentos.
“Como compartilhamos com as autoridades canadenses, já fortalecemos nossas salvaguardas, incluindo a melhoria de como o ChatGPT responde a sinais de angústia, conectando pessoas com suporte local e recursos de saúde mental, reforçando como avaliamos e escalamos ameaças potenciais de violência e aprimorando a detecção de reincidência de violadores de políticas”, disse a empresa.
Onda de processos
Esses casos fazem parte de um aumento de ações judiciais contra empresas de inteligência artificial, acusadas de não impedir conversas em chatbots que, segundo os autores, levam à automutilação, problemas de saúde mental e violência.
Estas são as primeiras acusações nos Estados Unidos que afirmam que o ChatGPT contribuiu para a realização de um massacre.
Jay Edelson, advogado dos autores do processo, informou que pretende entrar com mais 20 ações judiciais contra a OpenAI nas próximas semanas, representando outras pessoas afetadas pelo ataque.
Equipe de segurança da OpenAI foi ignorada, dizem ações
Jesse Van Rootselaar, que teve conversas com o ChatGPT citadas nos processos, atirou em sua mãe e meio-irmão em casa antes de matar uma assistente educacional e cinco alunos entre 12 e 13 anos em sua antiga escola, em 10 de fevereiro, segundo a polícia.
Van Rootselaar, que tinha 18 anos, cometeu suicídio em seguida.
Entre os autores do processo estão familiares das vítimas da escola e uma menina de 12 anos que sobreviveu após ser atingida por três tiros, mas permanece em terapia intensiva.
Segundo uma das denúncias, em junho de 2025, sistemas automáticos da OpenAI identificaram conversas no ChatGPT em que a atiradora falava sobre situações de violência com armas.
Integrantes da equipe de segurança sugeriram avisar a polícia depois de concluírem que ela era uma ameaça real e imediata, conforme a denúncia, que menciona um artigo do Wall Street Journal de fevereiro sobre debates internos na empresa.
No entanto, Sam Altman e outros dirigentes da OpenAI teriam desconsiderado a orientação da equipe de segurança, e a polícia não foi avisada, segundo o processo.
A conta da atiradora foi bloqueada, mas ela conseguiu abrir outra conta e continuou usando o ChatGPT para planejar o crime, de acordo com o processo.
Depois que o artigo do Wall Street Journal foi publicado, a empresa afirmou que a conta foi identificada por sistemas que detectam “usos indevidos de nossos modelos para atividades violentas”, mas que o caso não se encaixava nos critérios internos para avisar as autoridades.
Em um texto publicado na terça-feira (28) em seu blog, a OpenAI informou que prepara seus sistemas para rejeitar pedidos que possam “facilitar significativamente a violência” e avisa as autoridades quando as conversas mostram “um risco iminente e crível de dano a outros”, contando com especialistas em saúde mental para analisar situações mais delicadas.
A empresa declarou que está sempre melhorando seus sistemas e formas de identificação de riscos, levando em conta o uso da plataforma e opiniões de especialistas.
Os processos pedem uma indenização em valor não divulgado e uma decisão judicial que obrigue a OpenAI a mudar suas regras de segurança, incluindo a criação de procedimentos obrigatórios para avisar as autoridades.
Uma das vítimas chegou a entrar com um processo no Canadá, mas desistiu e optou por processar na Califórnia, disse o representante das famílias.
OpenAI enfrenta ações na Justiça
Os processos ligados ao tiroteio em Tumbler Ridge ocorrem após diversas ações judiciais contra a OpenAI em tribunais estaduais e federais dos EUA nos últimos meses, alegando que o ChatGPT incentivou comportamentos perigosos, suicídio e, em pelo menos um caso, um assassinato seguido de suicídio.
Esses casos, que ainda estão em fases iniciais, vão obrigar os tribunais a discutir qual é a responsabilidade de uma plataforma de IA na promoção da violência e se a empresa pode ser responsabilizada por seus próprios atos ou pelos atos de quem usa o serviço.
A OpenAI negou as acusações feitas nos processos e, no caso do assassinato seguido de suicídio, afirmou que o responsável já tinha um histórico de problemas mentais.
O procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, informou no início deste mês que está investigando criminalmente o envolvimento do ChatGPT em um tiroteio que aconteceu em 2025 na Universidade Estadual da Flórida.

Presidente da FIFA, Gianni Infantino, discursa no Congresso da Fifa em Doha, no Catar — Foto: REUTERS/Kai Pfaffenbach
A Fifa anunciou um aumento substancial nas distribuições financeiras totais para a Copa do Mundo de 2026, elevando os pagamentos em dinheiro para quase US$ 900 milhões no total (cerca de R$ 4,5 bilhões na cotação atual), após preocupações em relação ao acentuado aumento dos custos para as seleções participantes do torneio na América do Norte.
Em comunicado divulgado nesta terça-feira (28), a Fifa informou que os fundos distribuídos totalizarão agora US$ 871 milhões (R$ 4,35 bilhões), um aumento em relação ao valor inicial de US$ 727 milhões (R$ 3,63 bilhões) anunciado em dezembro.
O anúncio ocorre após uma reunião do Conselho da Fifa realizada antes do Congresso da organização, programado para acontecer na quinta-feira (30), em Vancouver, no Canadá.
Esse aumento significativo surge depois que várias federações-membro da Fifa teriam expressado preocupações de que os elevados custos de viagem, impostos e despesas operacionais gerais pudessem resultar em prejuízos financeiros pela participação na Copa do Mundo, que será disputada no Canadá, no México e nos Estados Unidos, de 11 de junho a 19 de julho.
A Fifa decidiu agora mitigar essas preocupações aumentando a verba destinada aos custos de preparação de US$ 1,5 milhão (R$ 7,5 milhões) para US$ 2,5 milhões (R$ 12,5 milhões) para cada uma das 48 seleções classificadas.
O pagamento original de US$ 9 milhões (R$ 45 milhões) pela classificação para a Copa do Mundo também foi elevado para US$ 10 milhões (cerca de R$ 50 milhões).
Outras contribuições para os custos das delegações, assim como um aumento na alocação de ingressos para as equipes, também fazem parte do aumento total.
"A Fifa se orgulha de estar na posição financeira mais sólida de sua história, o que nos permite auxiliar todas as nossas associações-membro de uma maneira sem precedentes", disse o presidente da entidade máxima do futebol, Gianni Infantino, em um comunicado.
"Este é mais um exemplo de como os recursos da Fifa são reinvestidos no futebol", acrescentou.
Estima-se que a Fifa gere aproximadamente US$ 13 bilhões (R$ 65 bilhões) em receitas durante o atual ciclo quadrienal da Copa do Mundo, que se encerra com o maior Mundial da história.
A premiação anunciada pela Fifa no ano passado para a Copa de 2026 já havia superado os valores distribuídos no Catar 2022, representando um aumento de 50%.
De acordo com os números anunciados no ano passado, a seleção campeã mundial de 2026 receberá US$ 50 milhões (R$ 250 milhões), enquanto a vice-campeã receberá US$ 33 milhões (R$ 165 milhões). A equipe que terminar em terceiro lugar receberá US$ 29 milhões (R$ 145 milhões), e a quarta colocada receberá US$ 27 milhões (R$ 135 milhões).

Um cartaz da primeira-ministra dinamarquesa Mette Frederiksen afixado em um ônibus em Copenhague, Dinamarca. Em 23 de março de 2026. © — Foto: Sergei Grits / AP
O partido do Povo Dinamarquês, de extrema direita, apresentou uma proposta para mudar o Código Penal e permitir que adolescentes de 15 anos possam ser condenados à prisão perpétua ou à detenção por tempo indeterminado em casos de homicídio e crimes considerados extremamente graves. A iniciativa reacendeu o debate sobre responsabilidade penal juvenil no país.
A legenda, conhecida por defender políticas mais rígidas nas áreas de segurança e imigração, quer equiparar jovens de 15 a 17 anos aos adultos em determinadas situações criminais.
Atualmente, menores de 18 anos não podem receber prisão perpétua na Dinamarca. Para essa faixa etária, a pena máxima aplicada gira em torno de 12 anos de prisão.
A Dinamarca já prevê prisão perpétua para adultos condenados por crimes graves, embora a legislação permita revisão posterior da pena.
“Se você tem idade suficiente para cometer esse tipo de crime, também tem idade suficiente para ser julgado pelo sistema de justiça criminal”, afirmou Anders Vistisen, eurodeputado do Partido do Povo Dinamarquês, em entrevista à emissora pública DR.
Caso Hjallerup
A proposta ganhou força após a decisão recente da Suprema Corte da Dinamarca em um caso que gerou forte repercussão nacional. Os juízes mantiveram a pena de 12 anos de prisão para um jovem de 17 anos condenado por estuprar e matar uma menina de 13 anos em Hjallerup, no norte do país.
O caso voltou ao noticiário neste mês, quando os pais da vítima falaram publicamente pela primeira vez. Em entrevista a uma emissora de TV dinamarquesa, a mãe da menina afirmou que “não passa um dia sem pensarmos nela”, ao relatar o impacto permanente da tragédia sobre a família.
Na decisão, a Corte destacou que o condenado era menor de idade no momento do crime e não possuía antecedentes criminais. Já o Conselho Médico-Legal havia avaliado que o jovem representava risco para outras pessoas e defendia uma pena de duração indeterminada.
“Estou pronto para deixar que os tribunais julguem de acordo com as mesmas regras para pessoas com mais de 18 anos”, declarou Anders Vistisen ao defender a mudança na legislação.
Crimes graves são raros
Com cerca de seis milhões de habitantes, a Dinamarca registra, segundo a Rigsrevisionen (órgão estatal de auditoria), aproximadamente 6 mil crianças e adolescentes entre 10 e 17 anos envolvidos em estatísticas criminais por ano.
Apenas uma pequena parcela acaba recebendo pena de prisão, o que indica que crimes de violência extrema cometidos por menores seguem sendo relativamente raros na Dinamarca.
Especialistas em reintegração social defendem que adolescentes devem receber tratamento diferente dos adultos, com foco em recuperação e prevenção da reincidência.
Tramitação da proposta
Na Dinamarca, para uma lei ser aprovada é necessária maioria simples no Parlamento. Se todos os 179 deputados participarem da votação, são necessários ao menos 90 votos favoráveis no Folketing, o Parlamento nacional.
O Partido do Povo Dinamarquês não tem força suficiente para aprovar sozinho a mudança e dependeria do apoio de outras legendas, especialmente do bloco de direita.
O debate recoloca no centro da política dinamarquesa o equilíbrio entre segurança pública, punição e reabilitação juvenil.

Renato Araújo/Câmara dos Deputados
A Corte de Cassação de Roma, última instância da Justiça italiana, marcou para o dia 22 de maio a audiência que julgará o recurso de Carla Zambelli contra decisão que autorizou a extradição da ex-deputada federal.
No mês passado, a Corte de Apelação de Roma autorizou a extradição da ex-deputada ao Brasil, pelo caso da invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A defesa recorreu e o novo julgamento ocorrerá mês que vem.
Mesmo que a Corte de Cassação decida autorizar a extradição, o processo ainda depende do aval do ministro da Justiça italiano Carlo Nordio, do governo da primeira-ministra Giorgia Meloni.
Caso seja confirmada a extradição, a ex-deputada federal deve cumprir pena na Penitenciária Feminina de Brasília, conhecida como Colmeia. Atualmente ela está custodiada no presídio de Rebibbia, em Roma.
A Justiça italiana também julga a extradição de Zambelli pelo caso do porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, em um processo distinto. A Corte de Apelação de Roma também decidiu favoravelmente à extradição neste caso. A defesa afirmou que também irá recorrer à última instância neste processo.
Zambelli está presa na Itália desde julho do ano passado. A Justiça italiana autorizou o detimento da ex-parlamentar argumentando “grave risco de fuga” caso ela permanecesse em liberdade.

Reprodução/ Redes sociais
O governo da Colômbia anunciou, nessa terça-feira (28/4), a prisão do homem suspeito de ser responsável pelo ataque com explosivos que deixou ao menos 20 mortos e dezenas de feridos no sudoeste do país. O atentado ocorreu no último sábado (25/4), na Rodovia Pan-Americana.
A captura, em uma área rural, foi confirmada pelo presidente Gustavo Petro. O homem foi identificado como José Alex Vitoncó, conhecido como “Mi Pez” ou “David”. Ele é apontado pela Polícia Nacional como o principal responsável pelo atentado e uma peça-chave do narcotráfico na região.
De acordo com as autoridades colombianas, Mi Pez trabalha em estreita colaboração com Iván Jacobo Idrobo, vulgo Marlon, identificado como o principal líder das facções dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).
O histórico dele inclui a coordenação de 40 ataques terroristas e o comando de aproximadamente 600 homens armados, com atuação nas regiões de Valle del Cauca, Cauca, Nariño e Huila.
“Ele é a principal força motriz por trás do narcotráfico no sudoeste da Colômbia, com rotas para o Panamá e os Estados Unidos, financiando a aquisição de explosivos e drones para ataques terroristas”, afirmou a polícia em comunicado.
26 ataques terroristas em dois dias
Pelo menos 20 pessoas morreram no sábado após um ataque com explosivos contra veículos na Rodovia Pan-Americana, no departamento de Cauca, no sudoeste da Colômbia.
As Forças Armadas atribuíram o atentado a dissidências das FARC, ligadas ao líder conhecido como “Iván Mordisco”.
O Instituto Nacional de Medicina Legal informou que 15 das 20 vítimas já foram identificadas — todas adultas, sendo 15 mulheres e cinco homens. Os corpos foram liberados para as famílias.
Em nota, o órgão afirmou que seguirá com os trabalhos para identificar os cinco restantes, garantindo rigor técnico e apoio aos familiares. A explosão atingiu cerca de 15 veículos.
De acordo com o comando militar, a região vive uma escalada de violência. Em apenas dois dias, foram registrados 26 ataques nos departamentos de Cauca e Valle del Cauca, todos atribuídos a estruturas dissidentes das FARC.

Reprodução
O influenciador polonês Łatwogang conseguiu arrecadar 250 milhões de zlotys (R$ 343 milhões) para uma instituição de caridade que ajuda crianças com câncer ao passar nove dias com uma transmissão ao vivo ininterrupta.
O feito pode configurar um recorde. Até então, a maior quantia arrecadada por uma transmissão ao vivo beneficente foi de US$ 19.458.634,71 (cerca de R$ 96 milhões) na França, de acordo com o Guinness World Records.
A live foi encerrada no domingo (26/4) e contou com a ajuda de Chris Martin, vocalista do Coldplay, de Wojciech Szczęsny, ex-goleiro do Arsenal, e de Robert Lewandowski, atacante do Barcelona.
O dinheiro arrecadado será doado para a Cancer Fighters Foundation (CFF). A instituição disse que vai divulgar tudo o que for feito com a ajuda recebida.
A ONG leva ajuda a crianças, adolescentes e adultos de toda a Polônia.
Pelo Instagram, o youtuber agradeceu a todos que ajudaram, disse que não aceita parabéns e se recusou a dar entrevistas.
“Nosso comentário é absolutamente desnecessário. Nestes 9 dias, já dissemos o suficiente. Aos meios de comunicação que se importam, pedimos que divulguem a arrecadação e a conscientização de que o câncer não é uma sentença. Porque isso é a única coisa que nos importa”, disse.

Reprodução/X
Desde que foi estabelecido um cessar-fogo entre os Estados Unidos, Israel e o Irã, imagens de mulheres nas ruas de Teerã sem cobrir a cabeça se multiplicam. O desafio ao uso obrigatório do véu, um dos pilares da República Islâmica, levanta questionamentos: trata‑se de um momento passageiro de tolerância, de uma ilusão de mudança ou do sinal de uma transformação mais profunda no país?
Nas ruas da capital iraniana, a vida voltou a ocupar o espaço público. Vendedores ambulantes e músicos retomaram as calçadas, enquanto homens armados e postos de controle praticamente desapareceram, com exceção de algumas praças estratégicas.
Mas o que mais chama a atenção é a presença crescente de mulheres sem véu, muitas vestindo roupas com estilo ocidental. Para várias delas, há uma sensação inédita de liberdade — ainda que frágil.
Ziba, iraniana de cerca de 40 anos, é uma delas. Ela conversou com a RFI sobre o fenômeno. “O véu nos foi imposto em 1979 como um valor externo. Com o tempo, entendemos que não era um valor nosso. Para rejeitá‑lo e conquistar o que queremos, pagamos um preço muito alto. Isso é uma grande vitória. E vamos defendê‑la com unhas e dentes. Não vamos abrir mão dela.”
Durante os protestos de 2022, desencadeados pela morte de Mahsa Amini — presa por não usar o véu “de forma adequada” —, muitas mulheres adotaram a estratégia de carregar um lenço sobre os ombros, caso fossem repreendidas pela polícia. Agora, até esse gesto preventivo desapareceu. As autoridades parecem tolerar a situação e demonstram relutância em intervir.
Essa aparente flexibilização, porém, não convence a todas. É o caso de uma pintora iraniana, contatada de Paris, que pediu anonimato. “Isso não é, de forma alguma, um sinal de mudança do governo. Não houve nenhum avanço real nos direitos das mulheres.”
Segundo ela, que vive em Teerã, a realidade continua a mesma: “Apesar das aparências, não houve mudança concreta nas liberdades individuais.”
A obrigatoriedade do véu segue prevista em lei e permanece como um dos pilares da teocracia iraniana. O que mudou foi a aplicação da regra, agora menos rigorosa — ao menos em alguns bairros de Teerã e em certas cidades do país.
Essa tolerância já havia sido observada durante a guerra de junho de 2025 contra Israel e se manteve nos protestos de dezembro contra o alto custo de vida. Também persiste no contexto da guerra entre Estados Unidos e Israel, atualmente suspensa por um cessar‑fogo considerado frágil.
“Há três anos, isso era inimaginável”, diz Zahra, de 57 anos, moradora de Isfahan, no centro do Irã. “Não uso mais o véu, mas gostaria de ter vivido algo assim na juventude”, conta.
Apesar disso, o hijab não desapareceu do cotidiano. As temidas vans brancas da polícia da moralidade quase não patrulham mais as ruas, mas mulheres sem véu ainda podem ser abordadas. Em bancos, universidades e prédios administrativos, o uso continua sendo exigido.
“Um preço alto”
Por trás das imagens que circulam nas redes sociais — mulheres sem véu em cafés e espaços públicos — há também custos e punições. Negin, gerente de um café em Teerã, lembra que a exposição cobrou seu preço.
“Pagamos muito caro por isso”, afirma. “Fomos tratadas com brutalidade durante anos, e isso continua. Nosso estabelecimento já foi fechado várias vezes, recebemos multas e fomos forçadas a pagar subornos.”
O que mais a revolta é o discurso oficial. “Quando dizem que isso é ‘liberdade’ e que as mulheres hoje são mais livres, isso me enfurece”, diz a jovem de 34 anos.
De fato, os direitos das mulheres seguem severamente limitados no Irã. O governo reprimiu com mãos de ferro os protestos de dezembro e janeiro, com dezenas de milhares de prisões. Durante o conflito mais recente, milhares de pessoas também foram detidas, segundo organizações de direitos humanos.
A ONG Anistia Internacional avalia que a “resistência generalizada” à essa obrigação pressionou as autoridades nos últimos anos. Hoje, imagens de mulheres sem véu aparecem até na televisão estatal — desde que elas demonstrem lealdade ao regime e denunciem os inimigos da República Islâmica.
“Nada mudou”
Para Sahrzad, dona de casa de 39 anos, isso não representa uma mudança real. “Todos os dias, mais mulheres vencem o medo e saem sem hijab. Esse movimento está se espalhando”, diz. “Mas não vejo nenhuma transformação no sistema.”
Ela é categórica: “Nada mudou, exceto os vídeos exibidos na TV estatal de jovens sem véu gritando: ‘Meu líder, meu líder, eu daria minha vida por você’.”
A realidade, no entanto, não é homogênea. A situação varia de região para região, e ninguém sabe dizer por quanto tempo essa relativa tolerância vai durar.
