
Uma mulher moradora da cidade de Taquarana, interior de Alagoas, foi diagnosticada com Síndrome de Ondine, doença rara que faz com que Dijane Silva pare de respirar durante o sono. O problema surgiu após ela ter contraído Covid.
O neurologista e pesquisador Fernando Gameleira explicou que a doença pode acometer um em cada 200 mil nascidos vivos, mas a síndrome por ser desenvolvida de outras formas.
“Essa síndrome é excepcionalmente rara, mas ela também acontece em lesões cerebrais adquiridas de forma ainda mais rara como tumores cerebrais, encefalites, derrames cerebrais e quaisquer outros tipos de lesões que venham a afetar os centros de controle da respiração no tronco do encéfalo”, relatou o médico.
Quando contraiu o coronavírus, Dijane teve 75% dos pulmões comprometidos e problemas na saturação. Ela precisou ser intubada algumas vezes. Após vencer a Covid, foi encaminhada para um neurologista para investigar as causas da falta de ar.
Por causa das paradas durante o sono, Dijane necessita de acompanhamento 24 horas. Ela ficou internada por mais de um ano. Precisou fazer o procedimento de traqueostomia. Ela foi liberada para ir para casa, onde é acompanhada por enfermeiras o tempo todo.
“Se eu for dormir tem que ser com aparelho, seja de dia ou a noite. É o aparelho e o oxigênio”, conta Dijane.
Através da Defensoria Pública ela conseguiu um respirador e a equipe técnica para acompanhá-la. O quarto foi adaptado para suas necessidades. Mesmo assim, Dijane diz que o sofrimento é grande por causa do desconforto causado pela traqueostomia.
O neurologista disse que o caso dela está sendo avaliado para dar mais conforto e qualidade de vida.
“Nós estamos em investigação junto com colegas de Porto Alegre e acreditamos que poderemos ajudar a paciente a ter uma qualidade de vida melhor porque, felizmente, nesses casos adquiridos o prognóstico é melhor do que nos casos geneticamente determinados”, avaliou Gameleira.

