
A investigação do parlamentar aponta que essa foi a estratégia de plantões foi feita para encobrir os desvios do dinheiro do Governo Federal, encaminhado para Alagoas, da Controladoria Geral da União (CGU). Por isso, a ação pode figurar como peça chave para subsidiar a CPI da Covid-19, no Senado Federal.
O deputado revelou durante a sessão ordinária da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE) desta quarta-feira (18), o nome do servidor que, segundo ele, recebe supersalário de R$ 70 mil do Governo do Estado, sendo pago com verba federal. Trata-se do médico Marcos André Ramalho, que ocupa o cargo de secretário-adjunto de Saúde de Alagoas. Maia ainda acusou Ramalho de ser um dos possíveis coordenadores da pré-campanha eleitoral do secretário Alexandre Ayres.
Os detalhes da investigação do parlamentar, que agiu durante todo o tempo conforme sua atribuição, será repassado para o senador Eduardo Girão (Podemos/CE), afim de que possa subsidiar um pedido de convocação dos responsáveis.
“Recebi, na semana passada, a denúncia de que um servidor da Sesau estaria recebendo salário de R$ 72 mil por mês. Não acreditei de pronto. Achei que poderia ser erro. Pesquisei no Portal da Transparência e constatei que o funcionário estaria há meses recebendo esta remuneração. Olhei nas escalas de plantões da Sesau, para saber se estava correto e, mais uma vez, confirmou que a informação era verdadeira”, destacou Davi Maia.
O deputado disse que foi, pessoalmente, até a Sesau para conferir a papelada e comparar os dados com sistema. Lá, informa que procurou o diretor do RH, que teria negado as informações, mas confirmou que o que estava no site era fiel à realidade. “É uma ponta do iceberg, são denúncias escandalosas".
A principal suspeita é que o pagamento de plantões e gastos com pessoal dificultou a apuração da CGU sobre os repasses feitos para combate à Covid-19, além de que o dinheiro era usado para a contratação de pessoal. As contratações ocorreram de forma precária para atender a emergência sanitária.
Conforme o deputado, muitos fatos precisam ser apurados, desde os R$ 5 milhões dos respiradores que nunca chegaram e os recursos nunca foram devolvidos, passando pelo uso político da secretaria, com a contratação precarizada de pessoal e a sonegação diária de informações.
Por outro lado, outros parlamentares saíram em defesa do secretário Alexandre Ayres. Ângela Garrote (PP), Fátima Canuto (PSC), Ronaldo Medeiros (MDB) e Cibele Moura (PSDB) destacaram a conduta do secretário no enfrentamento à Covid-19 e o elogiaram pelo trabalho ao longo deste período.
