
Foto: Ailton Cruz
Alagoas registrou recorde de mortes por Covid-19 pela segunda semana consecutiva. A análise é do Observatório Alagoano de Polícias Públicas para o Enfrentamento da Covid-19. O mais recente levantamento foi divulgado nesta segunda-feira (19).
A transmissão do novo coronavírus em Alagoas voltou apresentar evidências de piora: casos confirmados, óbitos e casos suspeitos aumentaram e a ocupação hospitalar chegou perto dos 90%.
Na 15ª semana epidemiológica, que terminou no último sábado (17), o estado registrou 5.336 casos confirmados e 164 óbitos. Na semana anterior, foram 4.315 casos confirmados e 160 mortes.
Houve tendência de alta de casos em quase todas as localidades do estado. Arapiraca, Maceió e a Região Metropolitana registraram as maiores incidências.
Em relação aos óbitos, Maceió concentrou a maioria. Em seguida, ficaram a 1ª Região de Saúde e Arapiraca.
O número de casos suspeitos não apresentava aumento desde a 10 ª semana epidemiológica. Eram 11 mil casos em investigação nesse sábado (17), um aumento de 16% comparado à semana anterior. Aproximadamente 45% dos exames RT/PCR analisados no Laboratório Central (Lacen/AL) deram positivo.
Segundo levantamento, os leitos de UTI para Covid-19 seguem com a ocupação estabilizada. Não houve aumento, mas também não houve redução. E esses leitos estão acima dos limites de segurança, com ocupação média de 87% nas últimas semanas.
O Comitê Científico do Consórcio Nordeste (C4N) determina o patamar de 80% como o recomendado para adoção de medidas mais restritivas de circulação de pessoas, como o lockdown.
Outro ponto preocupante é a distribuição de leitos pelo estado. Apenas nove dos 102 municípios possuem UTIs exclusivas para Covid-19. Desses nove, sete se encontravam com ocupação acima de 80% no último sábado.
Palmeira dos Índios e Penedo registraram 100% de ocupação, e Maceió possuía apenas 21 leitos disponíveis.
Os pesquisadores do Observatório alertam que, como os números da pandemia no estado apresentam, novamente, sinais de descontrole, com a ocupação das UTIs em níveis perigosos, se o atual cenário não foi revertido, pode haver saturação do sistema de saúde e mais mortes.
Segundo o levantamento, em Alagoas, a vacinação já atingiu 409.739 pessoas. Desse total, 181.983 foram vacinadas na última semana.
"Assim, 12% da população recebeu a primeira dose enquanto pouco mais de 4% também recebeu a segunda dose. Mantido o ritmo de vacinação da última semana, levaremos cerca de 21 semanas para imunizar toda a população adulta alagoana, que corresponde a cerca de 66% da população. Nesse cenário, este resultado será obtido no início de setembro", diz um trecho do relatório.
Os pesquisadores do Observatório recomendam aceleração da campanha de vacinação e medidas para diminuir a circulação de pessoas para reverter o atual cenário da pandemia em Alagoas.
"A tendência de alta de casos e óbitos observada ao final da 15ª SE e a elevada ocupação hospitalar são evidências do atual cenário de descontrole da transmissão do novo coronavírus, que não sendo revertido poderá causar o esgotamento do sistema de saúde que já apresenta indícios de saturação em algumas localidades. Neste cenário, é imprescindível a aceleração da campanha de vacinação acompanhada da adoção das medidas de mitigação e supressão que têm como objetivo reduzir a circulação de pessoas com o objetivo de controlar a transmissão do novo coronavírus", diz um trecho do levantamento.
