
Os agentes da DH da Capital (Delegacia de Homicídios do Rio) estão em busca de novos detalhes sobre o episódio, que ocorreu na tarde de 3 de maio de 2017. O vereador e filho do presidente Jair Bolsonaro havia relatado o episódio às autoridades.
O assessor envolvido na discussão prestou depoimento pela segunda vez no começo do mês. Ele já havia dado a sua versão após o assassinato da vereadora e do motorista Anderson Gomes, mortos a tiros na noite de 14 de março de 2018.
Pelo menos outras cinco pessoas que trabalhavam no gabinete de Marielle também foram intimadas. Procurada, a Polícia Civil informou que não comenta o Caso Marielle, que corre sob sigilo.
Entrevistado pelo UOL sob a condição de não ter seu nome divulgado, o assessor relembrou o caso. Ele contou que estava apresentando a Câmara a dois amigos, uma jovem do México e um rapaz de São Paulo. Ao passar em frente ao gabinete do filho do presidente Jair Bolsonaro, comentou que o vereador fazia parte de uma família conservadora da política brasileira que beirava o fascismo.
Ele não teria percebido que Carlos estava no corredor, de costas, falando pelo celular. Segundo o assessor, Carlos ouviu e conversa e veio na sua direção, exaltado, para tirar satisfações.
"Ele perguntou: 'O que você falou?'. Eu disse que apenas estava apresentando o contexto político local para duas pessoas que não eram do Rio. Aí, ele gritou: 'Mas você me chamou de fascista'. Eu pedi desculpas e disse que só estava apresentando a minha visão. Disse que não foi com a intenção de provocar", contou.

"Esse moleque está me ofendendo. Ele me chamou de fascista", respondeu Carlos, segundo a versão apresentada pelo assessor.
"Aí, a Marielle perguntou: 'Mas vocês não nos chamam de um monte de coisa?'. Talvez tenha sido o único momento em que ela foi mais incisiva", lembrou o assessor. De acordo com uma outra assessora, Marielle teria dito: "Mas a gente também não gosta quando vocês nos chamam de esquerdopatas".
Marielle teria falado sobre uma espécie de pacto de paz que havia no corredor onde pessoas com visões políticas opostas transitavam com frequência. "Vamos deixar as nossas diferenças políticas para o plenário", propôs a vereadora, ainda segundo o assessor. Carlos Bolsonaro, então, teria se acalmado, dando fim à discussão.

De acordo com um assessor que trabalha no nono andar da Câmara Municipal, a presença de seguranças na porta do gabinete indicam que Carlos Bolsonaro está na Casa. "A segurança foi reforçada porque ele é filho do presidente. Um segurança o acompanha até quando ele vai ao banheiro".
* Com UOL
