Alagoas: Cresce o número de casos em que a população faz 'justiça com as próprias mãos' em Alagoas.
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/ Publicado em 03/10/2019
Polícia Militar foi acionada para ocorrência — Foto: Jonathan Lins/G1
Casos de justiçamento cresceram em Alagoas. Nos últimos quatro anos, as ocorrências de 'justiça com as próprias mãos' triplicaram no estado. A polícia alerta que esse tipo de ação também é crime.
Um levantamento da OAB Alagoas mostra o aumento do número de casos de justiçamento em Alagoas.
Em 2015 - foram 36 casos com 3 mortes
Em 2018 - foram 114 casos com 12 mortes
No primeiro semestre de 2019 - foram 55 casos com 7 mortes
Fotos e vídeos mostram suspeitos de crimes sendo espancados. Em um dos casos, um suspeito foi atropelado após tentar assaltar uma mulher no bairro do Poço, em Maceió. O motorista que atropelou o homem fugiu. Em outro caso, pessoas amarram um homem suspeito de roubar uma televisão.
Um caso ainda mais grave aconteceu em Rio Largo. Dois adolescentes suspeitos de roubo foram espancados. Um deles morreu devido ao espancamento.
O delegado que investiga roubos na capital acompanhou o caso de Rio Largo. Ele alerta que justiçamento também é crime.
"Se alguém vai praticar um roubo e essa pessoa já estiver dominada, acabou o perigo. Então a partir daí, se houver mais agressões, mais lesões e que levem essa pessoa à morte, a pessoa pode responder por crime grave como homicídio ou lesão corporal seguida de morte", explicou o delegado José Carlos André dos Santos.
A Polícia indiciou cinco pessoas pela morte do adolescente.
"É um crime que é um pouco difícil de elucidar. Nós tivemos sucesso em identificar cinco pessoas que praticaram o crime em Rio Largo. As pessoas tiveram que responder por lesão corporal seguida de morte."
A socióloga Elaine Pimentel explicou que o aumento da violência revela uma população desacreditada nas instituições.
"Quando essas pessoas desacreditam da Segurança Pública, desacreditam da polícia, desacreditam do Estado e Justiça e fazem com as próprias mãos, a sociedade inteira está em vulnerabilidade. Então é preciso chegar às comunidades mais simples, mais carentes, às periferias para mostrar a possibilidade de uma Segurança Pública cidadã, de uma Justiça cidadã que a comunidade respeite e não somente tema", disse Elaine Pimentel.
Segundo a pesquisadora, o caminho para reverter a violência é investir na educação.
"É fundamental um processo educativo, que é um processo a longo prazo, que pressupõe trabalhar esses temas nos espaços educativos, nos espaços de trabalho, nas ruas, na cidade como um todo", complementou a socióloga.