


As mudanças climáticas contribuíram para o colapso da geleira que provocou enchentes catastróficas no Nepal e no Tibete, em agosto, deixando 1,3 mil mortos e cerca de 6 mil desaparecidos. A conclusão está no primeiro estudo científico sobre o desastre, feito pela World Weather Attribution (WWA), que apontou uma crise combinada de eventos climáticos e geológicos.
No caso das mudanças climáticas, o aquecimento da atmosfera acelerou o derretimento das geleiras e elevou o limite de congelamento. Esse processo provocou o degelo do permafrost (camada de solo) dentro das fraturas de rocha, deixando as paredes das montanhas instáveis. Além disso, a mudança da fase de precipitação da neve para a chuva também pode ter enfraquecido as rochas.
“A falha da encosta em 26 de agosto ocorreu no contexto de um período quente de 12 meses, de setembro de 2025 a agosto de 2026, com os dois meses mais quentes do ano (julho e agosto) diretamente anteriores ao evento também substancialmente mais quentes que a média climatológica. Essas condições eram anômalas no local da própria ruptura da encosta e em toda a região mais ampla do Himalaia”, diz o estudo.
Para completar esse o de fragilidade, os pesquisadores apontam que um terremoto de magnitude 7,8 ocorrido em 2015 na região pode ter enfraquecido a massa rochosa e tornado a encosta ainda mais propensa ao desmoronamento. Com isso, a encosta foi considerada geologicamente vulnerável, desestabilizada ainda mais pelo recuo da geleira.
“A avalanche de rocha e gelo rapidamente se transformou em uma enchente de detritos e depois em uma enchente repentina dominada pela água que desceu a montante a velocidades médias de 188 km/h, causando erosão extensa e deposição de sedimentos. A falha envolveu um volume excepcionalmente grande de rocha e gelo que, ao impactar com o solo, liberou energia equivalente a um terremoto de 5,5”, detalhou o estudo.
Buscas
Equipes de resgate continuam trabalhando para encontrar cerca de 5,2 mil desaparecidos, incluindo 636 estrangeiros. As autoridades mobilizaram drones equipados com câmeras térmicas e helicópteros para as buscas e levaram especialistas para resgatar trabalhadores presos em túneis.
Em relação aos óbitos, apenas 105 dos 1,3 mil corpos foram identificados, devido ao avançado estado de decomposição. No fim de agosto, o distrito de Chitwan passou a realizar sepultamentos coletivos de vítimas não identificadas, com sepulturas abertas na floresta de Devghat, a cerca de 200 quilômetros dos vales de Rasuwa, uma das áreas mais afetadas pelo desastre.
