


O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), deve levar na próxima semana ao plenário da Corte as conclusões de um relatório da Polícia Federal (PF) que aponta indícios de uma relação próxima entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso no caso Master. A análise dependerá de uma data a ser marcada pelo presidente do STF, Edson Fachin, após manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Segundo informações da jornalista Andréia Sadi, o relatório da PF foi tornado público por Mendonça nesta terça-feira (1º) e reúne 52 mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes, extraídas do celular do ex-banqueiro apreendido pela polícia. Os documentos indicam que Vorcaro teria buscado orientação do ministro durante a crise do Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025 em meio a investigações sobre fraudes bilionárias.
O relatório também apresenta detalhes sobre um contrato de aproximadamente R$ 130 milhões firmado por Vorcaro com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes. As mensagens citam ainda o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Não foram identificadas, nos documentos, mensagens enviadas por Moraes em resposta a Vorcaro.
Em manifestação divulgada na noite desta terça-feira, Paulo Gonet defendeu a invalidação do relatório e questionou a decisão de Mendonça de determinar o aprofundamento das investigações sobre possíveis ligações de Vorcaro com autoridades.
Segundo Gonet, um ministro do Judiciário não deve conduzir investigações pré-processuais e caberia ao plenário do STF deliberar sobre investigações envolvendo integrantes da própria Corte. A PGR sustenta que a atuação investigativa nessa fase compete à Polícia Judiciária, enquanto o Ministério Público tem a atribuição de buscar elementos para eventual ação penal.
Apesar da manifestação da PGR, Mendonça deve encaminhar o caso ao plenário do STF na próxima semana. Caberá a Edson Fachin definir a data para que os ministros deliberem sobre o assunto.
