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China aprova primeiro implante cerebral comercial para pessoas com tetraplegia

Rádio Sampaio com G1
Publicado 07/08/2026
Foto: Ilustração

A China aprovou o primeiro implante cerebral comercial destinado a pessoas com tetraplegia causada por lesão medular cervical. O dispositivo, chamado NEO, utiliza sinais captados diretamente do córtex motor, aliados à inteligência artificial e à reabilitação, permitindo que pacientes recuperem parte dos movimentos, como ocorreu com Dong Hui, que voltou a escrever o próprio nome após seis anos de paralisia.

O implante NEO foi desenvolvido pela empresa chinesa Neuracle Technology em parceria com pesquisadores da Universidade de Tsinghua, em Pequim. O sistema registra a atividade elétrica do córtex motor e utiliza algoritmos de inteligência artificial para interpretar a intenção de movimento do paciente, transformando esses sinais em comandos para dispositivos de reabilitação.

Um dos primeiros beneficiados foi Dong Hui, de 39 anos, que ficou tetraplégico após um acidente ocorrido há seis anos. Depois de passar pela cirurgia de implantação do dispositivo e realizar 11 meses de reabilitação, ele voltou a segurar uma caneta e conseguiu escrever seu nome, seguido da palavra "Obrigado".

Segundo os pesquisadores, a tecnologia funciona como uma interface cérebro-computador (BCI), que cria uma nova via de comunicação entre o cérebro e dispositivos externos quando os sinais nervosos deixam de alcançar os membros devido à lesão medular. No caso de Dong Hui, o sistema foi utilizado em conjunto com uma luva robótica para estimular os movimentos da mão durante a reabilitação.

A aprovação do NEO pelo órgão regulador chinês representa um marco para a medicina por ser a primeira autorização comercial de uma interface cérebro-computador invasiva destinada ao tratamento de pacientes com tetraplegia. O dispositivo é indicado para pessoas com lesão medular cervical que atendam aos critérios clínicos estabelecidos.

Diferentemente de outros sistemas em desenvolvimento, o NEO capta os sinais cerebrais a partir da superfície da dura-máter, membrana que protege o cérebro. A estratégia torna o procedimento menos invasivo, reduz riscos cirúrgicos, como hemorragias e cicatrização do tecido cerebral, e facilitou sua aprovação regulatória.

Especialistas destacam que o avanço também abre debates sobre segurança, privacidade dos dados cerebrais, responsabilidade pelo uso da inteligência artificial e acesso igualitário à tecnologia, à medida que as interfaces cérebro-computador deixam os laboratórios e passam a integrar a prática clínica.

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