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Governo eleva mistura de etanol na gasolina para 32%; especialistas alertam para impactos em veículos antigos e importados

Rádio Sampaio com G1
Publicado 14/07/2026
Governo eleva mistura de etanol na gasolina para 32%; especialistas alertam para impactos em veículos antigos e importados - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou, nesta terça-feira (14), o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%. A medida, que terá validade inicial de 180 dias, busca reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados, mas especialistas alertam que veículos antigos ou sem calibração específica podem sofrer aumento no consumo, desgaste de componentes e custos mais elevados de manutenção.

Segundo o governo, o aumento do percentual de etanol faz parte da estratégia de ampliar o uso de combustíveis renováveis diante da instabilidade no mercado internacional de petróleo. O CNPE afirma que testes realizados indicam que a nova mistura não provoca impactos relevantes no funcionamento dos veículos, inclusive os movidos apenas a gasolina.

No entanto, engenheiros e representantes da indústria automotiva defendem cautela. De acordo com especialistas, carros mais antigos, carburados ou com sistemas de injeção eletrônica menos sofisticados, além de alguns modelos importados, podem apresentar maior consumo de combustível, dificuldades na partida, perda de potência, corrosão, desgaste de bombas de combustível, bicos injetores, mangueiras, vedações e outros componentes.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) afirmou ser favorável ao uso de biocombustíveis, mas defendeu que a ampliação da mistura seja precedida por testes técnicos mais rigorosos para garantir a compatibilidade dos motores.

A mudança também pode aumentar os custos de manutenção, principalmente para proprietários de veículos importados. Especialistas citam que peças como bicos injetores, bombas de combustível, sensores e velas de ignição podem sofrer desgaste precoce, elevando o valor dos reparos.

Por outro lado, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) defende a medida e afirma que o setor tem capacidade para atender à nova demanda. Segundo a entidade, o aumento da mistura pode reduzir a importação de gasolina, fortalecer a produção nacional de etanol e ampliar a participação de combustíveis renováveis na matriz energética brasileira.

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