


As investigações da Polícia Civil de Alagoas (PCAL), que tentavam descobrir a cadeia financeira que mantinha foragido Victor Bruno da Silva, de 18 anos, acusado de estuprar e causar lesões graves em Maria Daniella - levaram os investigadores a identificar um grupo criminoso — liderado pelo pai dele — envolvido em esquema milionário de lavagem de dinheiro e crimes fiscais. Segundo o delegado José Carlos, somente na conta do pai do jovem, conhecido como “Vitinho”, havia movimentação de R$ 150 milhões em quatro anos.
A informação foi revelada pelo delegado da Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), José Carlos, durante coletiva à imprensa realizada nesta sexta-feira (10), em Maceió.
O delegado José Carlos explicou que, diante da dificuldade em saber o paradeiro de Victor Bruno, a Polícia Civil instaurou um inquérito para investigar movimentações financeiras que pudessem identificar quem e como a fuga do acusado estava sendo sustentada.
“A investigação iniciou com relatório da Delegacia de Capturas (Deic), que realizou diligências para prender o Vitinho. A gente instaurou investigação criminal financeira, primeiramente por fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Quando nós analisamos as contas bancárias, com autorização judicial, nos assustamos”, afirmou a autoridade policial.
Segundo o delegado José Carlos, foi identificado que só o pai do “Vitinho” movimentou, em quatro anos, R$ 150 milhões em contas bancárias. Com isso, ele foi apontado como líder de um grupo criminoso de fraudes fiscais e lavagem de dinheiro, composto por seis pessoas físicas e jurídicas. Segundo o investigador, ao todo, o restante dos integrantes movimentou R$ 305 milhões em quatro anos.
O delegado afirma que, além do pai de Vitinho, o jovem também é alvo do inquérito de crimes financeiros. A autoridade policial informou que foram analisados dados e encontradas provas de como o esquema funcionava. “Os envolvidos usavam contas de pessoas físicas e de laranjas para movimentar recursos de empresas. Duas empresas do grupo tinham, no papel, um pagamento de imposto irrisório, mas, na prática, movimentavam milhões”, informou a autoridade policial.
A operação desta sexta-feira mirou sete endereços e cinco alvos, inclusive Victor Bruno. Segundo a Polícia Civil, foram apreendidos documentos, veículos, aparelhos celulares e R$ 90 mil em espécie. Também foram solicitadas indisponibilidades de valores em contas bancárias do grupo criminoso.
“Nosso objetivo era estancar e interromper essa lavagem de dinheiro e os crimes fiscais, principalmente em relação ao fisco estadual, e interromper essa cadeia de recursos que mantinha Vitinho seguro e distante, apesar de todo o esforço feito diuturnamente pela Polícia Civil”, concluiu o delegado José Carlos.
