


A decisão da FIFA de suspender a punição imposta ao atacante Folarin Balogun, liberando o jogador para defender os Estados Unidos nas oitavas de final da Copa do Mundo contra a Bélgica, ganhou um novo capítulo. Segundo revelou o The Athletic, uma ligação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para Gianni Infantino, presidente da FIFA, foi um dos fatores que impulsionaram a mobilização nos bastidores para revisar o caso, desencadeando uma das maiores controvérsias da história recente do torneio.
Balogun havia sido expulso na vitória americana sobre a Bósnia e Herzegovina e, pelo regulamento da FIFA, deveria cumprir suspensão automática de uma partida. No entanto, dias depois, o Comitê Disciplinar da entidade decidiu suspender a punição, permitindo que o atacante estivesse à disposição para enfrentar a Bélgica.
Logo após a decisão, Trump comemorou publicamente nas redes sociais.
— Obrigado à FIFA por fazer o que era certo e reverter uma grande injustiça — escreveu o presidente americano.
Posteriormente, veio à tona que Trump havia telefonado para Infantino no início da semana para discutir o caso. A conversa foi inicialmente revelada pela Associated Press e pelo New York Times e confirmada por fontes ouvidas pelo The Athletic.
A atuação da Casa Branca, porém, não teria se limitado ao telefonema presidencial.
Segundo a reportagem, advogados ligados ao governo americano trabalharam em conjunto com a Federação de Futebol dos Estados Unidos (US Soccer) para construir uma estratégia jurídica. Entre os envolvidos estavam o secretário de Comércio, Howard Lutnick, o diretor da força-tarefa da Casa Branca para a Copa, Andrew Giuliani, e Scott Goodwin, investidor e doador da US Soccer.
Enquanto a federação reunia argumentos para contestar a expulsão, integrantes do governo acompanhavam o andamento do processo e buscavam atualizações junto à FIFA.
O principal argumento apresentado pelos americanos era de que o VAR havia sido utilizado de maneira inadequada, com excesso de imagens congeladas e câmera lenta durante a revisão do lance, o que teria influenciado a decisão do árbitro.
Como o regulamento não prevê recurso para cartões vermelhos, a FIFA encontrou uma solução incomum: manteve a expulsão, mas suspendeu a punição automática de um jogo.
A proximidade entre Trump e Infantino tornou a decisão ainda mais controversa. Nos últimos meses, a FIFA inaugurou um escritório na Trump Tower, em Nova York, e alterou o planejamento do sorteio da Copa do Mundo para atender a um pedido do presidente americano. Durante o evento, Infantino entregou a Trump uma réplica do troféu da Copa, uma medalha comemorativa e um certificado simbólico ligado ao Prêmio Nobel da Paz.
Esses episódios já haviam levado organizações e parlamentares europeus a questionar a independência da entidade máxima do futebol.
Os estatutos da FIFA determinam que a organização deve manter neutralidade política e impedir interferências externas em seus processos disciplinares, motivo pelo qual a participação direta do governo americano passou a ser alvo de críticas.
A decisão provocou indignação na Bélgica, adversária dos Estados Unidos nas oitavas. A federação belga divulgou nota afirmando estar "estarrecida" com a suspensão da punição e informou que estuda todas as medidas cabíveis. O técnico Rudi Garcia foi ainda mais duro.
— Achei que 5 de julho tivesse virado 1º de abril na FIFA. Nossa federação está defendendo a integridade e a ética do futebol — declarou.
Já o técnico americano Mauricio Pochettino evitou alimentar a polêmica.
— Entendo a posição da Bélgica, mas para mim não há muito o que discutir — afirmou.
