


Levantamento da AtlasIntel divulgado nesta quarta-feira (3/6) mostra que a maioria dos brasileiros demonstra baixa preocupação com uma eventual tentativa dos Estados Unidos de influenciar a eleição presidencial de 2026. Segundo a pesquisa, 45,5% afirmam não estar preocupados com essa possibilidade, enquanto 10,9% dizem estar pouco preocupados.
Por outro lado, 36,5% dos entrevistados declaram estar muito preocupados e outros 6,9% afirmam estar algo preocupados.
O levantamento foi realizado em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre Brasília e Washington e poucos dias após o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras.
A mesma pesquisa também mostrou que 54,8% dos brasileiros têm imagem negativa de Trump, enquanto 41,7% possuem percepção positiva.
Apesar disso, os Estados Unidos mantêm avaliação ligeiramente favorável entre os brasileiros: 50,5% possuem visão positiva do país, contra 46,4% que manifestam opinião negativa.
Polarização política marca resultado
Os resultados indicam que a percepção sobre uma eventual interferência externa acompanha a polarização política observada no país desde as eleições de 2022.
Entre os entrevistados que votaram no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno de 2022, 72,3% disseram estar muito preocupados com uma eventual tentativa de influência dos Estados Unidos na disputa presidencial de 2026.
Apenas 12,2% afirmaram não estar preocupados.
Já entre aqueles que votaram no ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o cenário foi praticamente inverso. E, 82,7% disseram não estar preocupados com a hipótese, enquanto apenas 2,5% declararam estar muito preocupados.
Pesquisa ocorre em meio a tensão entre Brasil e EUA
O levantamento foi realizado em um momento de aumento das tensões entre os governos de Brasília e Washington.
Na última semana, a administração Trump oficializou a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras e ampliou sanções financeiras contra as facções por meio do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), ligado ao Departamento do Tesouro.
A medida foi comemorada pelo senador Flávio Bolsonaro, que afirmou ter defendido pessoalmente junto ao presidente americano o enquadramento das organizações criminosas como grupos terroristas.
Já o governo Lula demonstrou preocupação com possíveis impactos da decisão sobre a soberania nacional e defendeu o aprofundamento da cooperação bilateral em segurança sem a adoção desse enquadramento.
A pesquisa ouviu 1.273 brasileiros adultos por meio de recrutamento digital aleatório. A margem de erro é de três pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%.
