Com candidato de direita na frente, eleições na Colômbia vão para o 2º turno

Rádio Sampaio com G1
Publicado 01/06/2026
Eleições na Colômbia: Abelardo de la Espriella (à esquerda) e Ivan Cepedo (à direita). — Foto: Reuters

Nenhum candidato conseguiu vencer a eleição presidencial da Colômbia em primeiro turno neste domingo (31). Com 99,92% das urnas apuradas, o candidato de direita Abelardo de la Espriella terminou na liderança com 43,7% dos votos, seguido pelo esquerdista Ivan Cepeda, que obteve 40,90%, e disputarão o segundo turno em 21 de junho. Os dois candidatos apareciam como favoritos para a disputa presidencial.

Logo após a divulgação dos primeiros resultados, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou no X (antigo Twitter) que não aceita a contagem inicial das eleições.

Quem é Espriella?

Líder nas urnas no 1º turno, Abelardo de la Espriella, de 47 anos, lidera o movimento ultraconservador Defensores da Pátria.

O candidato afirma admirar políticos de direita, como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente de El Salvador, Nayib Bukele — com quem tem certa semelhança física.

De la Espriella ganhou força na reta final da campanha. Ao contrário de Cepeda, ele não acredita que o problema das guerrilhas será resolvido por meio do diálogo. Para enfrentar a questão, promete uma ofensiva militar.

Dois integrantes da campanha do candidato foram mortos a tiros em 15 de maio. De la Espriella também acusou integrantes da inteligência colombiana de participarem de um plano para assassiná-lo.

Conhecido pelo apelido de "El Tigre", o advogado também defende retirar a Colômbia de organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização dos Estados Americanos (OEA). Segundo ele, essas instituições servem para promover "políticas de esquerda".

Ao mesmo tempo em que adota um discurso linha-dura, o candidato mantém um site chamado "De la Espriella Style", onde vende bebidas alcoólicas, livros, músicas nas quais canta e até roupas em que aparece como garoto-propaganda.

De la Espriella também se envolveu em polêmicas. Em uma entrevista na TV, por exemplo, se gabou do tamanho do órgão genital e afirmou que isso o ajudava a conquistar votos.

O advogado também foi questionado por ter defendido Alex Saab, empresário colombiano acusado pelo governo dos EUA de atuar como laranja do ditador venezuelano Nicolás Maduro.
Saab foi deportado para os Estados Unidos em maio.
De la Espriella afirma que a relação profissional com Saab começou antes das acusações surgirem. Segundo ele, os dois deixaram de trabalhar juntos há seis anos.

Quem é Cepeda?

Senador e filósofo, Ivan Cepeda faz parte do partido Pacto Histórico e representa a esquerda colombiana.

O senador tem 63 anos e defende a continuidade das políticas adotadas pelo governo Petro. Ele ficou conhecido principalmente por atuar na mediação das negociações de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), acordo assinado em 2016.

Apesar do acordo, no qual as Farc concordaram em se desarmar, grupos dissidentes da guerrilha continuam ativos e são apontados como responsáveis pela violência no país.

Cepeda também foi pivô de um processo judicial que resultou na prisão do ex-presidente Álvaro Uribe.

Em 2012, Uribe acusou o esquerdista de organizar um complô para ligá-lo a grupos paramilitares
Seis anos depois, a Justiça concluiu que Cepeda agiu dentro de sua função parlamentar e que Uribe tentou influenciar testemunhas por meio de terceiros.
Em 2025, porém, o Tribunal Superior de Bogotá absolveu o ex-presidente das acusações de suborno e fraude processual.

Como candidato à Presidência, Cepeda defende o diálogo como forma de encerrar o conflito armado com guerrilhas. Também apoia o aumento do salário mínimo, a redução de benefícios para congressistas e uma reforma agrária.

O senador promete dar continuidade às políticas sociais implementadas durante o governo de Gustavo Petro. A gestão de esquerda assumiu o país em meio aos impactos econômicos da pandemia e registrou aumentos do salário mínimo e queda do desemprego, mas também enfrentou críticas pelo aumento do déficit fiscal e dificuldades para aprovar parte de sua agenda no Congresso.

Mesmo assim, a economia não aparece entre as principais preocupações dos colombianos. Pesquisa do instituto Invamer divulgada neste mês apontou a segurança pública como o principal problema do país para 40% dos entrevistados, enquanto desemprego e economia foram citados por 11%.

Foi nesse cenário que De la Espriella ganhou força na disputa.

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