


Os Estados Unidos decidiu classificar as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A medida, anunciada na quinta-feira (28), entrará em vigor em 5 de junho.
Pelas redes sociais, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que as facções "são as mais perigosas do Brasil", com um alcance que se estende até o território norte-americano, sobretudo devido ao tráfico de drogas. O objetivo da medida, segundo ele, é proteger a segurança nacional.
“Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Seu alcance se estende por toda a nossa região e até o país. A administração Trump continuará usando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossos interesses de segurança nacional e negar o financiamento e recursos narcoterroristas", escreveu.
A partir de junho, o PCC e o CV integrarão a lista de Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGT, na sigla em inglês). O mecanismo é utilizado pelos Estados Unidos para atingir financeiramente organizações consideradas 'ameaças internacionais', com sanções e congelamento de ativos.
O governo ainda avalia enquadrar as facções na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês), considerada mais severa. O cadastro, criado em 1996, durante o governo de Bill Clinton, mira grupos estrangeiros envolvidos em atividades terroristas ou que tenham capacidade ou intenção de realizar atos desse tipo.
Atualmente, a FTO conta com 94 organizações, incluindo o Estado Islâmico, a Al-Qaeda e o Hamas. Os últimos a serem incluídos no cadastro foram a Irmandade Muçulmana Libanesa, em janeiro de 2026, e a Irmandade Muçulmana Sudanesa, em março.
Veja a lista completa:
Hamas (1997)
Hezbollah (1997)
Frente de Libertação da Palestina (1997)
Jihad Islâmica Palestina (1997)
Frente Popular para a Libertação da Palestina (1997)
Comando-Geral da Frente Popular para a Libertação da Palestina (1997)
Partido/Frente Revolucionária de Libertação do Povo (1997)
Sendero Luminoso (1997)
Grupo Abu Sayyaf (1997)
Harakat ul-Mujahidin (1997)
Partido dos Trabalhadores do Curdistão (1997)
Tigres de Libertação do Tamil Eelam (1997)
Exército de Libertação Nacional (1997)
Al-Qaeda (1999)
Movimento Islâmico do Uzbequistão (2000)
Novo Exército Republicano Irlandês (2001)
Lashkar-e-Taiba (2001)
Jaish-e-Mohammed (2001)
Jemaah Islamiya (2002)
Partido Comunista das Filipinas/Novo Exército do Povo (2002)
Al-Qaeda no Magrebe Islâmico (2002)
Asbat al-Ansar (2002)
Brigada dos Mártires de Al-Aqsa (2002)
Lashkar-i-Jhangvi (2003)
Estado Islâmico (2004)
Exército Republicano Irlandês da Continuidade (2004)
Ansar al-Islam (2004)
União da Jihad Islâmica (2005)
Al-Shabaab (2008)
Movimento da Jihad Islâmica em Bangladesh (2008)
Brigadas do Hezbollah (2009)
Luta Revolucionária (2009)
Al-Qaeda na Península Arábica (2010)
Jaysh al-Adl (2010)
Tehrik-e Taliban Paquistão (2010)
Movimento da Jihad Islâmica (2010)
Exército do Islã (2011)
Mujahideen Indianos (2011)
Rede Haqqani (2012)
Brigadas Abdallah Azzam (2012)
Jemaah Anshorut Tauhid (2012)
Ansar al-Dine (2013)
Boko Haram (2013)
Ansaru (2013)
Batalhão Al-Mulathamun (2013)
Estado Islâmico Província do Sinai (2014)
Ansar al-Sharia em Benghazi (2014)
Ansar al-Sharia em Darnah (2014)
Ansar al-Sharia na Tunísia (2014)
Exército dos Homens da Ordem Naqshbandi (2015)
Al-Qaeda no Subcontinente Indiano (2016)
Estado Islâmico na Líbia (2016)
Estado Islâmico Província de Khorasan (2016)
Hizbul Mujahideen (2017)
Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos (2018)
Brigadas Al-Ashtar (2018)
Estado Islâmico no Grande Saara (2018)
Estado Islâmico na África Ocidental (2018)
Estado Islâmico nas Filipinas (2018)
Estado Islâmico em Bangladesh (2018)
Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (2019)
Liga dos Justos (2020)
Movimento dos Braços do Egito (2021)
Estado Islâmico na República Democrática do Congo (2021)
Estado Islâmico em Moçambique (2021)
Segunda Marquetalia (2021)
Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo (2021)
Cartel de Sinaloa (2025)
Cartel Jalisco Nova Geração (2025)
Cartel del Noreste (2025)
Nova Família Michoacana (2025)
Cartel do Golfo (2025)
Cartéis Unidos (2025)
Tren de Aragua (2025)
Mara Salvatrucha (2025)
Ansarallah (2025)
Viv Ansanm (2025)
Gran Grif (2025)
Exército de Libertação do Baluchistão (2025)
Los Choneros (2025)
Los Lobos (2025)
Harakat al-Nujaba (2025)
Harakat Ansar Allah al-Awfiya (2025)
Kata'ib Sayyid ul-Shuhada (2025)
Brigadas Imam Ali (2025)
Barrio 18 (2025)
Federação Anarquista Informal/Frente Revolucionária Internacional (2025)
Justiça Proletária Armada (2025)
Autodefesa Revolucionária de Classe (2025)
Antifa Leste (2025)
Cartel de los Soles (2025)
Clã do Golfo (2025)
Irmandade Muçulmana do Líbano (2026)
Irmandade Muçulmana do Sudão (2026)
O que muda com a decisão?
A classificação do PCC e CV como organizações terroristas permite aos Estados Unidos ampliar sanções financeiras, congelar ativos sob jurisdição norte-americana e restringir relações econômicas com pessoas ou empresas ligadas às facções criminosas. É o que explica William Pimentel, diretor jurídico da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra - SP.
Na prática, a medida cria uma nova barreira econômica internacional. Bancos, fintechs, corretoras, seguradoras, empresas de logística, operadoras de câmbio e companhias com exposição ao dólar — especialmente conectadas ao sistema Swift — tendem a intensificar mecanismos de controle e evitar qualquer vínculo com ativos, empresas, pessoas ou estruturas potencialmente relacionadas às organizações.
“Embora o impacto jurídico direto no Brasil seja limitado, os efeitos econômicos e regulatórios devem ser percebidos em setores considerados sensíveis, como combustíveis, logística, apostas, fintechs, criptoativos, comércio exterior, construção civil e meios de pagamento. A expectativa é de ampliação das exigências de compliance e prevenção à lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo”, diz Pimentel.
Por que o PCC não é considerado terrorista no Brasil?
A Lei Antiterrorismo brasileira (Lei nº 13.260) tipifica o terrorismo como a prática de atos violentos com a finalidade de provocar terror social ou generalizado, motivados por razões de xenofobia, religião, ideologia política ou preconceito, com pena de reclusão de 12 a 30 anos.
Isso significa que, para ser enquadrado como terrorismo, as ações não podem ser somente econômicas ou criminais, como é o caso de muitas facções brasileiras, mas precisam ter como objetivo provocar medo coletivo, pressionar autoridades ou desestabilizar instituições a partir de motivação política.
