Quatro em cada dez domicílios alagoanos recebem programas sociais

O Bolsa Família é destinado a famílias com renda per capita de até R$ 218 | Divulgação/Governo Federal

 

Alagoas tinha, em 2025, 41,7% dos domicílios com algum beneficiário de programa social do governo, como Bolsa Família, BPC-LOAS ou outros programas sociais, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) divulgados nesta sexta-feira (8), pelo IBGE. O percentual coloca o estado na 4ª posição nacional, atrás apenas de Pará (46,1%), Maranhão (45,6%) e Piauí (45,3%).

A proporção alagoana ficou quase o dobro da média do Brasil, que foi de 22,7%. Em números absolutos, 477 mil domicílios alagoanos recebiam algum desses benefícios. Entre os programas investigados pela pesquisa, o Bolsa Família era o mais disseminado em Alagoas: 32,8% dos domicílios do estado recebiam o benefício em 2025. Já o BPC-LOAS alcançava 9,2% dos lares alagoanos, enquanto 9,0% recebiam outros programas sociais.

Em Alagoas, a proporção de domicílios que recebiam algum programa social do governo atingiu o maior patamar da série histórica da PNAD em 2020, primeiro ano da pandemia de Covid-19, quando chegou a 50,1% dos lares do estado.

Após esse pico, o percentual passou a recuar nos anos seguintes, caindo para 45,7% em 2021, 41,2% em 2022 e 41,1% em 2023. A partir daí, entretanto, o indicador voltou a crescer, alcançando 41,3% em 2024 e 41,7% em 2025, maior percentual registrado desde o período pós-pandemia.

O peso dos programas sociais também aparece na composição da renda. Em Alagoas, eles representaram 10% do rendimento médio mensal real domiciliar per capita em 2025, percentual acima do observado no Brasil (3,5%) e no Nordeste (8,8%). Em relação a 2024, quando essa participação era de 9,4%, houve aumento de 0,6 ponto percentual no estado.

Ao mesmo tempo, o rendimento habitualmente recebido em todos os trabalhos perdeu participação, passando de 68,4% para 66,2% da renda domiciliar per capita entre 2024 e 2025.

Apesar da forte presença dos programas sociais na composição da renda das famílias alagoanas, os rendimentos do trabalho continuaram crescendo em 2025 e atingiram os maiores valores da série histórica da PNAD Contínua. O rendimento médio mensal real da população residente com rendimento de todas as fontes chegou a R$ 2.281 em Alagoas, com alta de 5,7% em relação a 2024. Na comparação com 2019, ano anterior à pandemia de Covid-19, o avanço foi de 70,9%, enquanto frente a 2012, início da série histórica, o crescimento alcançou 163,1%.

Mesmo com a expansão, Alagoas permaneceu com o 4º menor rendimento médio de todas as fontes do país em 2025, ocupando a 24ª posição entre as 27 unidades da federação, à frente apenas de Ceará (R$ 2.179), Bahia (R$ 2.162) e Maranhão (R$ 2.043). O valor alagoano ficou praticamente no mesmo patamar da média do Nordeste (R$ 2.282), mas ainda distante da média brasileira, que chegou a R$ 3.367.

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