Cientistas desenvolvem gel capaz de regenerar esmalte dentário e combater cáries
Por: Victor Fernando/Rádio Sampaio
/ Publicado em 08/05/2026
Foto: freepik
Pesquisadores da Universidade de Nottingham anunciaram o desenvolvimento de um gel inovador capaz de ajudar na regeneração do esmalte dentário, considerado o tecido mais duro do corpo humano. A tecnologia, divulgada em estudo publicado na revista científica Nature Communications, pode representar um avanço no tratamento de cáries, sensibilidade e desgaste dos dentes.
Segundo os cientistas, o material biomimético foi criado para imitar o processo natural de formação do esmalte durante a infância. O gel atua como uma estrutura de suporte para minerais presentes na saliva, como cálcio e fosfato, estimulando a formação de uma nova camada mineral integrada ao dente original.
De acordo com a pesquisa, o produto utiliza proteínas recombinantes inspiradas na amelogenina, proteína responsável pela formação do esmalte dentário. Quando aplicado sobre áreas desgastadas, o gel promove a chamada “mineralização epitaxial”, organizando os minerais de forma semelhante à arquitetura natural do esmalte.
Os testes iniciais mostraram que o esmalte regenerado apresentou resistência e dureza próximas às do esmalte natural, além de reduzir a sensibilidade dentária e melhorar a proteção contra cáries. A aplicação do produto é simples e semelhante à de um verniz odontológico, secando em poucos minutos.
O professor Álvaro Mata, líder do estudo, afirmou que os pesquisadores estão “entusiasmados” com os resultados e esperam lançar o primeiro produto já no próximo ano. Especialistas destacam que a descoberta pode abrir novas possibilidades na odontologia regenerativa e reduzir a necessidade de tratamentos invasivos.
Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores ressaltam que os testes foram realizados fora do corpo humano e que ainda serão necessários estudos clínicos para avaliar a eficácia e a durabilidade do material em pacientes. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 3,7 bilhões de pessoas sofrem com doenças bucais em todo o mundo, muitas delas relacionadas à deterioração do esmalte dentário.