Dívida pública vai a 80,1% do PIB, maior patamar desde a pandemia

Por: Victor Fernando/Rádio Sampaio
 / Publicado em 03/05/2026

Foto: reprodução

A dívida pública bruta do Brasil subiu para R$ 10,4 trilhões em março, equivalente a 80,1% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta quinta-feira. O indicador cresceu 0,9 ponto percentual em relação ao mês anterior e atingiu o maior patamar desde julho de 2021, durante a pandemia. A alta reflete o aumento dos juros, novas emissões de dívida e a variação do PIB nominal, em meio a um cenário de desafios fiscais.

O cálculo da dívida bruta inclui os passivos do governo federal, do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e dos governos estaduais e municipais. Considerado um dos principais termômetros da saúde fiscal do país, o avanço do endividamento amplia a pressão sobre as contas públicas e reduz o espaço para gastos não obrigatórios, como investimentos, que hoje representam menos de 10% do orçamento federal.

Segundo o Banco Central, a elevação mensal foi impulsionada principalmente pelos juros nominais, responsáveis por um acréscimo de 0,9 ponto percentual, além das emissões líquidas da dívida (0,4 ponto). Já a variação do PIB nominal contribuiu para reduzir o indicador em 1,2 ponto percentual.

No critério nominal, que inclui o pagamento de juros, o setor público registrou déficit de R$ 199,5 bilhões em março. Em 12 meses, o rombo acumulado chegou a R$ 1,217 trilhão, o equivalente a 9,41% do PIB.

A dívida líquida do setor público, que desconta os ativos do governo, também apresentou alta, alcançando 66,8% do PIB, ou R$ 8,6 trilhões — crescimento de 1,3 ponto percentual no mês.

Já o resultado primário do setor público consolidado, que exclui os juros da dívida, foi negativo em R$ 80,7 bilhões em março, revertendo o superávit de R$ 3,6 bilhões registrado no mesmo período do ano passado. O resultado foi composto por déficits do governo central (R$ 74,8 bilhões), dos governos regionais (R$ 5,4 bilhões) e das estatais (R$ 0,5 bilhão).

Especialistas apontam que o cenário de juros elevados e resultado primário insuficiente deve manter a trajetória de crescimento da dívida nos próximos meses, aumentando a atenção sobre o equilíbrio das contas públicas.

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