
Foto: Felipe Dana (ap)
Autoridades dos Estados Unidos informaram ao presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, sobre a intenção de classificar as facções Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas, medida que pode ampliar o combate financeiro aos grupos e gerar impactos diplomáticos com o Brasil.
O aviso foi feito durante reunião com autoridades norte-americanas, que destacaram que a possível classificação visa endurecer o enfrentamento às organizações, especialmente no combate à lavagem de dinheiro. Segundo o Departamento de Estado, o enquadramento permitiria ampliar mecanismos para bloquear recursos e dificultar o acesso dessas facções ao sistema financeiro internacional.
A comunicação prévia ao Brasil foi interpretada como um gesto diplomático, já que outros países não foram informados antecipadamente sobre medidas semelhantes, como ocorreu com o México, onde cartéis foram classificados como organizações terroristas sem aviso prévio.
Caso a medida seja confirmada, haverá uma mudança significativa na política externa dos EUA para a América Latina. A classificação como organização terrorista estrangeira aciona instrumentos mais rígidos do Departamento do Tesouro, como congelamento imediato de ativos em território americano e proibição de apoio material por indivíduos ou instituições sob jurisdição dos EUA.
A iniciativa, no entanto, coloca o governo brasileiro em uma posição delicada. A abordagem tradicional do Brasil prioriza o combate ao crime organizado por meio de cooperação policial, enquanto a proposta norte-americana eleva o tema ao nível de segurança nacional.
Há preocupação por parte de autoridades brasileiras de que a medida possa abrir precedentes para sanções indiretas ou interferências externas, com possíveis reflexos na soberania nacional, na economia e em setores como o turismo.
