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A Justiça de São Paulo determinou, nesta terça-feira (10), que a morte da policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, passe a ser investigada como feminicídio. Inicialmente, o caso havia sido registrado como suicídio no primeiro boletim de ocorrência.
A policial foi encontrada morta em casa com um tiro na cabeça no dia 18 de fevereiro. O marido dela, o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, foi quem acionou a polícia e afirmou que os dois haviam discutido antes de ela tirar a própria vida.
A família da vítima contestou essa versão e afirmou que Gisele amava a vida, pretendia se separar do marido e era muito apegada à filha de 7 anos, fruto de um relacionamento anterior. Diante das suspeitas, parentes solicitaram a exumação do corpo, realizada na última sexta-feira (6).
Laudos periciais obtidos após a exumação apontaram a presença de lesões no pescoço e no rosto da policial, compatíveis com pressão exercida por dedos das mãos e marcas de unhas na pele. Um exame anterior já havia identificado ferimentos semelhantes. Apesar disso, os dois laudos confirmam que a causa da morte foi o disparo de arma de fogo na cabeça.
Outros elementos também passaram a ser analisados na investigação. Uma vizinha relatou ter ouvido um disparo por volta das 7h28, enquanto o telefonema do marido à polícia ocorreu apenas às 7h57. O socorro chegou ao local às 8h13.
Bombeiros que atenderam a ocorrência afirmaram que o caso chamou atenção porque a arma estava bem posicionada na mão da vítima, algo incomum em situações de suicídio. Um dos socorristas também relatou que o tenente-coronel disse estar no chuveiro quando ouviu o disparo, mas não havia sinais de água no apartamento e ele estava seco. Além disso, não havia marcas de sangue que indicassem tentativa de socorro.
Após a vítima ser levada ao hospital, o marido tomou banho novamente, mesmo tendo sido orientado por policiais a seguir diretamente para a delegacia.
Outro ponto investigado ocorreu no fim da tarde do mesmo dia, quando três mulheres que se apresentaram como policiais militares foram ao prédio para limpar o apartamento do casal. À noite, câmeras de segurança registraram o retorno do tenente-coronel ao local, onde permaneceu por mais de uma hora antes de sair levando roupas e outros objetos.
Com a decisão judicial, o caso passa a ser investigado como possível feminicídio. A apuração segue em andamento.
