
Ministro Dias Toffoli, durante a sessão plenária do STF. — Foto: Gustavo Moreno/STF
Investigadores e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) avaliam que a situação do ministro Dias Toffoli à frente das investigações do chamado Caso Master é considerada insustentável e tende a se agravar nos próximos desdobramentos. O diagnóstico foi relatado por fontes ouvidas pelo blog da jornalista Andréia Sadi e já teria sido levado diretamente à maioria dos integrantes da Corte.
Toffoli é relator do caso no STF desde dezembro, quando decidiu levar para o Supremo as investigações sobre supostas fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro. Desde então, decisões tomadas pelo ministro têm causado estranheza entre investigadores, como a determinação para que materiais apreendidos na segunda fase da Operação Compliance Zero fossem enviados ao STF, e não à Polícia Federal.
O cenário ganhou novos contornos na última semana, após a revelação de que fundos ligados ao Banco Master compraram a participação de irmãos de Toffoli no Resort Tayayá, localizado em Ribeirão Claro, no Paraná. A transação foi divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela TV Globo.
Segundo investigadores, não há um ponto de virada capaz de encerrar a crise. A avaliação é de que o problema é estrutural, já que parte das apurações segue fora do controle do relator e do próprio Supremo. Em São Paulo, por exemplo, investigações envolvendo fundos e estruturas financeiras continuam em andamento e podem gerar novos fatos a qualquer momento, independentemente das decisões tomadas por Toffoli.
Esse quadro levou investigadores a alertarem ministros do STF sobre o risco institucional do caso. A avaliação é de que a situação pode “arrastar o tribunal para a lama”, transformando um problema individual em uma crise para toda a Corte. Ministros estariam cientes da gravidade do cenário.
Dentro do Supremo, uma ala defende que o caso seja remetido à primeira instância. Essa alternativa é vista como uma solução jurídica básica, descrita nos bastidores como “feijão com arroz”: tecnicamente defensável, sem criação de nova tese, capaz de retirar Toffoli do centro do caso e reduzir a pressão direta sobre o STF. A opção, no entanto, não é considerada honrosa, apenas a menos traumática para o tribunal.
A possibilidade de Toffoli se afastar voluntariamente da condução do caso é vista como improvável. Além disso, há críticas internas de que não houve uma tentativa coordenada de diálogo institucional para construir uma saída antes que a crise ganhasse proporções maiores.
Nos bastidores, a avaliação é de que o STF acabou inserido de forma antecipada no debate político e eleitoral. O tribunal, que já era alvo de críticas de setores da extrema-direita, passou a integrar de maneira mais ampla o radar da disputa política, em um momento de alta sensibilidade institucional.
O impasse permanece. Para parte dos ministros, a decisão está nas mãos do próprio Toffoli. Manter o caso no Supremo concentra o desgaste no relator e amplia o risco de o tribunal ser visto como juiz em causa própria. Com novos fatos podendo surgir fora do alcance do STF, a leitura interna é de que prolongar o impasse pode aprofundar a crise e empurrar a Corte para um cenário de desgaste permanente.
*Com informações do blog da jornalista Andréia Sadi.
