Bolsonaro é internado em hospital em Brasília; ex-presidente fará cirurgia para tratar hérnia

Por: Rádio Sampaio com G1
 / Publicado em 24/12/2025

O ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão — Foto: Pablo Porciuncula/AFP

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi internado nesta quarta-feira (24) no hospital DF Star, em Brasília, após autorização do ministro Alexandre de Moraes para deixar a sede da Polícia Federal, onde está preso. Ele passará por uma cirurgia para tratar uma hérnia na quinta-feira (25).

Bolsonaro deixou a sede da PF por volta das 9h30, depois de embarcar em uma viatura da polícia pela garagem. O trajeto até o hospital dura em torno de cinco minutos.

Esta é a primeira vez que Bolsonaro deixa a unidade prisional, 32 dias após ser preso preventivamente por tentar violar a tornozeleira eletrônica e, posteriormente, começar a cumprir a pena de forma definitiva.

O ex-presidente de 70 anos foi admitido na unidade hospitalar nesta manhã, para iniciar os procedimentos pré-operatórios. A cirurgia eletiva de hérnia inguinal bilateral está marcada para o dia de Natal, e será a oitava cirurgia do ex-presidente.

A hérnia inguinal (também chamada hérnia na virilha) acontece quando os tecidos do interior do abdômen saem por um ponto fraco da parede muscular abdominal formando uma espécie de abaulamento no local. Quando isso ocorre dos dois lados, ela é chamada de bilateral.

Bolsonaro será acompanhado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. O ministro do STF Alexandre de Moraes também autorizou visitas dos quatro filhos de Bolsonaro: Flávio, Carlos, Jair Renan e Laura.

Na decisão que autorizou o procedimento cirúrgico, Moraes detalhou as medidas de segurança e estabeleceu que a transferência de Bolsonaro para o hospital deveria ser realizada "de maneira discreta", com desembarque "feito nas garagens do hospital".

Bolsonaro ficará em uma área do hospital isolada dos demais pacientes. Ele deve passar pelos procedimentos para avaliar o risco cirúrgico nesta tarde – exames de sangue e de monitoramento cardíaco.

Moraes também determinou que:

  • A PF deve providenciar completa vigilância e segurança do custodiado durante sua estadia, bem como do hospital, mantendo equipes de prontidão.
  • Também precisará garantir a segurança e fiscalização 24 horas por dia, mantendo, no mínimo, dois policiais federais na porta do quarto do hospital, bem como as equipes que entender necessárias dentro e fora do hospital.
  • Também está proibida a entrada de computadores e telefones celulares no quarto onde ficará Bolsonaro — exceto os equipamentos médicos.

A previsão é que ex-presidente permaneça internado para acompanhamento após o procedimento por cerca de cinco a sete dias, de acordo com a equipe médica.

Bolsonaro passou por uma perícia médica, há cerca de uma semana, realizada pelo Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal, que concluiu que o ex-presidente tem hérnia inguinal bilateral – um problema que afeta os dois lados da região da virilha – e precisaria de intervenção cirúrgica.

O problema de saúde pode causar inchaço, dor ou desconforto, especialmente ao fazer esforço, tossir ou ficar muito tempo em pé — embora às vezes seja assintomático.

Apesar do quadro, os peritos afirmaram que não há indicação de necessidade de realização da cirurgia em urgência ou emergência. Portanto, o procedimento é de caráter eletivo, para melhorar a qualidade de vida do paciente.

A cirurgia para tratar o quadro é chamada de herniorrafia inguinal. É considerado um procedimento cirúrgico seguro e de baixo risco, com recuperação geralmente rápida, especialmente quando realizado com técnicas modernas. Em geral, costuma durar cerca de três horas.

Os peritos também analisaram o quadro de soluços de Bolsonaro, uma das principais queixas de saúde do ex-presidente, e avaliaram que o bloqueio do nervo frênico é uma medida tecnicamente adequada e deve ser feito o quanto antes.

Bloqueio do nervo frênico: é um procedimento que reduz temporariamente a atividade do nervo que controla o diafragma, ajudando a interromper soluços persistentes. Ele é feito com anestesia local, por meio da aplicação de um medicamento próximo ao nervo, geralmente guiada por ultrassom. É indicado apenas quando os soluços não respondem a tratamentos comuns e causam impacto clínico relevante.

Mas, segundo a GloboNews apurou, a previsão dos médicos é que Bolsonaro faça apenas a herniorrafia. O procedimento de bloqueio do nervo frênico deve ser feito em outra ocasião.

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