Ativista de extrema direita em Portugal é preso após ameaças de morte a jornalista brasileira

Ativista de extrema direita em Portugal Bruno Silva é preso após ameaças de morte à jornalista brasileira Stefani Costa — Foto: X / Reprodução

 

Um ativista de extrema direita de Portugal, denunciado por ameaças de morte a uma jornalista brasileira, foi detido em Vila Nova, na região Metropolitana de Porto, no norte do país, e teve sua prisão preventiva determinada pela Justiça após passar por sua primeira audiência nesta quinta-feira (23).

Bruno Silva, de 30 anos, que é um cidadão luso-brasileiro, foi denunciado à polícia e ao Ministério Público por Stefani Costa, correspondente do canal de notícias Opera Mundi em Portugal, em junho de 2024.

Nesta quinta, Stefani comemorou na rede social X e ressaltou a importância da decisão judicial inédita no país:

"Notícia histórica: Bruno Silva continuará preso! É a primeira vez em Portugal que alguém indiciado por ameaças e discurso de ódio recebe essa medida. Agradeço o apoio e o carinho que tenho recebido de tanta gente boa. Jornalismo nunca foi para covardes".

Nas redes sociais, Bruno Silva se apresenta como um dos primeiros militantes do partido português Chega e faz postagens com apologia ao nazismo, à xenofobia - que é o preconceito contra estrangeiros - e com teor racista.

Em um dos posts, feito depois que um português que ofereceu 500 euros pela cabeça de cada brasileiro foi denunciado, ele promete dar um apartamento no centro de Lisboa a quem realizasse um massacre e exterminasse pelo menos 100 brasileiros em Portugal, além de um bônus adicional de 100 mil euros a quem matasse Stefani.

Agora, ele irá responder por discurso de ódio e incitamento à violência.

Amanda Lima, outra jornalista brasileira que trabalha em Portugal, no jornal "Diário de Notícias", também denunciou Bruno após receber ameaças de morte e comentários xenófobos, em maio do ano passado.

Ele chegou a retratá-la como macaca em dois episódios diferentes, dizendo coisas como "volta para a tua terra" e "as tuas raízes no Brasil não se apagam".

Após a prisão de Bruno, a Polícia Judiciária de Portugal confirmou que ele tem antecedentes policiais por crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, e que “vastos elementos de prova relativos ao seu radicalismo ideológico” foram apreendidos nas buscas realizadas.

Um levantamento feito pela Casa do Brasil de Lisboa, divulgado recentemente pela agência de notícias Deutsche Welle, mostra que o discurso de ódio contra brasileiros vem crescendo em Portugal. E as redes sociais e a internet facilitam a disseminação dos ataques.

"Se em 2021 já era um problema, em 2024 nós percebemos que o discurso de ódio contra as pessoas migrantes aumentou, ficou mais violento, mais agressivo", frisa Ana Paula Costa, presidente da Casa do Brasil de Lisboa.
A coisa é tão séria que a Comissão Europeia pediu que Portugal adote medidas mais firmes contra o discurso de ódio online, que tem imigrantes como um dos principais alvos.

 

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