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Um alerta vermelho para a saúde cardiovascular do país: o número de atendimentos hospitalares por infarto em pessoas com menos de 40 anos ultrapassou 234 mil entre 2022 e 2024, segundo dados do Ministério da Saúde. Esse aumento expressivo transforma uma doença tradicionalmente ligada à terceira idade em uma ameaça real para a juventude brasileira, impulsionada por fatores como sedentarismo, estresse crônico e uso de anabolizantes.
Os números, divulgados recentemente, revelam um cenário alarmante. Nesse período, mais de 7,8 mil jovens faleceram vítimas de infarto agudo do miocárdio, com os homens liderando os registros – cerca de 156 mil atendimentos, contra 78 mil entre as mulheres. Especialistas da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) atribuem o "disparo" a mudanças no estilo de vida pós-pandemia, incluindo dietas irregulares, tabagismo e a pressão do trabalho remoto, que elevam os níveis de cortisol e obstruem artérias precocemente.
"Antes, o infarto era raro antes dos 50 anos. Hoje, vemos casos em trintões e até vinte e poucos, muitas vezes por acúmulo de placas de gordura nas coronárias devido a hábitos ruins", explica o cardiologista Dr. Roberto Kalil, do Instituto do Coração (InCor), em entrevista ao Metrópoles. Ele destaca que o Brasil registra entre 300 mil e 400 mil casos de infarto por ano no geral, mas o foco em jovens reflete uma tendência global agravada por desigualdades sociais.
Para ilustrar o impacto regional, veja a distribuição aproximada de atendimentos por infarto em jovens (2022-2024), com base em dados agregados do SUS:
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Região
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Atendimentos Estimados
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Mortes Registradas
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|---|---|---|
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Sudeste
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102 mil
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3.500
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Nordeste
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68 mil
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2.100
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Sul
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34 mil
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1.000
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Centro-Oeste
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17 mil
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600
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Norte
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13 mil
|
600
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Fonte: Elaboração própria com base em relatórios do Ministério da Saúde.
A SBC e o Ministério da Saúde recomendam ações preventivas urgentes: check-ups anuais com eletrocardiograma para quem tem histórico familiar, prática de exercícios moderados (pelo menos 150 minutos semanais) e redução no consumo de ultraprocessados. "O SUS ampliou a Rede de Atenção às Urgências para casos de infarto, com meta de reduzir óbitos em 1% ao ano até 2025", informa o portal oficial do governo. No entanto, desafios como o acesso desigual a serviços em áreas remotas persistem, especialmente no Norte e Nordeste.
Depoimentos de sobreviventes ecoam o drama. "Eu tinha 32 anos, fumava e trabalhava 12 horas por dia. O infarto veio do nada, mas mudei tudo depois", relata João Silva, de São Paulo, em rede social. Campanhas como a "Coração Jovem" da SBC visam conscientizar via apps e redes, com foco em millennials e gen Z.
Autoridades de saúde apelam: monitore sintomas como dor no peito, falta de ar e fadiga extrema. Em emergências, ligue para o SAMU (192). Com mudanças climáticas e urbanização acelerada, experts preveem que, sem intervenções, os casos podem dobrar até 2030. O Brasil precisa agir agora para que o coração jovem não pare de bater cedo demais.
