Polícia Federal descobre que hackers do PCC invadiram IA governamental e planejavam atentado contra STF e outras autoridades

Por: Rádio Sampaio
 / Publicado em 21/09/2025

Foto: Ilustração/Polícia Federal

Uma investigação da Polícia Federal (PF) expõe vulnerabilidades graves no sistema Córtex, ferramenta de inteligência artificial do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que teria sido acessada ilegalmente por membros do Primeiro Comando da Capital (PCC). O crime organizado utilizou dados sigilosos da plataforma para monitorar autoridades públicas, incluindo o senador Sergio Moro, o promotor Lincoln Gakiya, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

Há indícios de planos para atentados contra a vida de ministros do STF, Moro e Gakiya, revelando riscos à segurança nacional em um sistema projetado para auxiliar investigações policiais. Criado em 2021, o Córtex integra informações de múltiplos órgãos governamentais, como Receita Federal, Sistema Único de Saúde (SUS), Detrans, câmeras de segurança e bases de dados biométricos, permitindo cruzamentos em tempo real para rastrear veículos, pessoas e atividades suspeitas.

Considerado eficiente para operações de inteligência, o sistema concentra dados pessoais e sensíveis de milhões de brasileiros, o que o torna um alvo atrativo para criminosos. No entanto, brechas de segurança permitiram que credenciais de acesso – ao menos mil logins e senhas – fossem expostas e vendidas em fóruns clandestinos da deep web, por valores a partir de R$ 20 diários, via plataformas como "i-Find" e "Painel Analytics".

De acordo com o inquérito da PF, obtido em operações como a I-Fraude, integrantes do PCC exploraram o acesso para vigilância direcionada. Consultas automatizadas foram identificadas, com um único usuário realizando cerca de um milhão de buscas em um só dia, utilizando robôs para varredura em massa. Os alvos incluíam perfis detalhados de Moro, conhecido por sua atuação na Lava Jato e como ex-ministro da Justiça; Gakiya, promotor do Ministério Público de São Paulo que liderou transferências de líderes do PCC para presídios federais em 2019; e até mesmo ministros do STF e da cúpula policial.

"O episódio evidencia a vulnerabilidade do sistema, que continua com informações disponíveis na internet", apontam investigadores, destacando negociações de dados na deep web que persistem apesar de bloqueios. Essa não é a primeira falha no Córtex. Em junho de 2023, a operação Rock You da PF desmantelou uma quadrilha que hackeou o sistema, vendendo acessos a mais de 10 mil clientes. A nova investigação, iniciada após denúncias de vazamentos, reforça preocupações com a concentração de dados em uma única plataforma.

Especialistas em cibersegurança alertam que, sem auditorias rigorosas e criptografia avançada, ferramentas como o Córtex representam "um risco sistêmico" para a privacidade e a estabilidade institucional. A repercussão política foi imediata. O deputado federal Kim Kataguiri (União-SP) protocolou um requerimento na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara para convocar o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, exigindo explicações sobre as origens da vulnerabilidade, medidas corretivas e responsabilização de gestores.

"Em qualquer país sério, um ministro teria renunciado diante do uso por facções como o PCC", criticou Kataguiri em nota à imprensa. O Ministério da Justiça não se pronunciou oficialmente até o momento, mas fontes da PF indicam que o caso pode envolver sanções internas e parcerias com agências internacionais para rastrear compradores de dados.

O vazamento no Córtex não só compromete operações antiterrorismo e anticorrupção, mas também expõe falhas na governança digital do governo federal. Com o Brasil registrando em média 11 tentativas de fraude por minuto envolvendo documentos e biometria, urge uma reforma na proteção de dados sensíveis. A PF segue apurando o fluxo financeiro das vendas ilegais, que movimentaram milhões, e planeja novas prisões. Enquanto isso, autoridades monitoradas reforçam esquemas de proteção, em um lembrete sombrio de que a tecnologia, mal gerida, pode se voltar contra o Estado.

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