França tem nova onda de protestos contra cortes no orçamento

Diversos sindicatos da França convocaram mais de 250 manifestações país a fora contra medidas orçamentárias, nesta quinta-feira (18). A greve deve paralisar os setores de saúde, educação, transporte e os serviços públicos do Governo.

Em Paris, linhas de metrô e trens regionais também foram afetados. O Ministério do Interior estima até 800 mil manifestantes.

Cerca de 80 mil policiais foram deslocados, incluindo tropas de choque, drones e veículos blindados. Os atos fazem parte do movimento "Vamos bloquear tudo".

Um manifestante segura um cartaz com os dizeres "Com Lecornu, todos nós vamos acabar pelados" durante uma manifestação em Nantes, como parte de um dia de greves e protestos nacionais contra o governo e os cortes previstos no próximo orçamento, com o apoio do movimento "Bloquons Tout" (Vamos Bloquear Tudo) — Foto: REUTERS/Stephane Mahe

Um manifestante segura um cartaz com os dizeres "Com Lecornu, todos nós vamos acabar pelados" durante uma manifestação em Nantes, como parte de um dia de greves e protestos nacionais contra o governo e os cortes previstos no próximo orçamento, com o apoio do movimento "Bloquons Tout" (Vamos Bloquear Tudo) — Foto: REUTERS/Stephane Mahe

Os manifestantes pedem que os planos fiscais do governo anterior sejam abandonados, que haja mais investimento em serviços públicos, aumento de impostos para os mais ricos e que a mudança que obriga as pessoas a trabalhar por mais tempo para receber a aposentadoria seja abandonada.

Essa nova onda de protestos acontece menos de duas semanas depois do novo primeiro-ministro Sébastien Lecornu assumir o cargo. A mudança gerou manifestações em Paris. Lecornu foi nomeado pelo presidente Emmanuel Macron após a renúncia de François Bayrou.

O plano orçamentário para 2026 começou a ser discutido nesta quarta-feira (17) Essa seria uma tentativa de evitar a queda de seu governo, como ocorreu com seus dois antecessores. Para garantir uma maioria estável, o político de centro-direita busca o apoio da oposição socialista, que cobra diversas medidas, incluindo a implementação da chamada "taxa Zucman".

A proposta prevê taxar em 2% ao ano fortunas acima de 100 milhões de euros (cerca de R$ 626 milhões), atingindo apenas 0,01% dos contribuintes, segundo seu idealizador, o economista francês Gabriel Zucman.

Estudantes seguram uma faixa com os dizeres "greve, bloqueio, sabotagem, quem poderia ter previsto?" enquanto bloqueiam a linha do bonde em Paris, como parte de um dia de greves e protestos nacionais contra o governo e os cortes previstos no próximo orçamento, com o apoio do movimento "Bloquons Tout" (Vamos Bloquear Tudo). — Foto: REUTERS/Tom Nicholson

Estudantes seguram uma faixa com os dizeres "greve, bloqueio, sabotagem, quem poderia ter previsto?" enquanto bloqueiam a linha do bonde em Paris, como parte de um dia de greves e protestos nacionais contra o governo e os cortes previstos no próximo orçamento, com o apoio do movimento "Bloquons Tout" (Vamos Bloquear Tudo). — Foto: REUTERS/Tom Nicholson

Contexto político

O presidente Emmanuel Macron e o novo primeiro-ministro Sébastien Lecornu enfrentam forte pressão para corrigir o déficit público, que no ano passado quase dobrou o teto de 3% da União Europeia.

O plano orçamentário anterior, de corte de 44 bilhões de euros, foi rejeitado pelo parlamento, derrubando o então primeiro-ministro François Bayrou. Lecornu ainda não esclareceu se manterá esse plano, mas indicou abertura ao diálogo.

“Continuaremos mobilizados enquanto não houver uma resposta adequada”, disse Sophie Binet, líder da central sindical da Confederação Geral do Trabalho (CGT). “O orçamento será decidido nas ruas.”

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