Jovens paranaenses se conhecem como voluntários na guerra da Ucrânia, começam a namorar e retornam ao Brasil para ter o primeiro filho

Por: Rádio Sampaio com G1
 / Publicado em 14/09/2025

Casal começou a namorar na guerra da Ucrânia — Foto: Arquivo pessoal

Gustavo Ostrowski, de 22 anos, e Adriane Marschall Pereira, 21, se conheceram em circunstâncias incomuns: em meio à guerra da Ucrânia. Eles decidiram servir no exército ucraniano, começaram a namorar e, pouco tempo depois, tiveram um filho. O bebê nasceu em Cascavel, no oeste do Paraná, e está com dois meses.

Ostrowski, que é natural de Santa Helena, também na região oeste do estado, conta que se voluntariou para a guerra em janeiro de 2024. Nessa época, ele conversava com Adriane pelas redes sociais, mas os dois nunca haviam se conhecido.

Seis meses depois, a jovem viajou até a Ucrânia para encontrá-lo. Adriane, natural de Santa Tereza do Oeste, também se voluntariou como combatente, mesmo sem ter experiência prévia em conflitos.

"Decidi ir para lá conhecer ele, mesmo se não desse certo, pelo menos a gente iria aproveitar [...] Eu sempre gostei desse meio militar, principalmente das armas", disse ela.

Segundo Anderson Prado, pós-doutorado em História Política pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), o marco legal que possibilitou a inserção plena das mulheres em funções de combate na Ucrânia foi a Lei n.º 2523-VIII, aprovada pelo Parlamento ucraniano em 6 de setembro de 2018. A Lei está em vigor desde 27 de outubro do mesmo ano.

Assim, as mulheres passaram a ter o direito de exercer todas as funções militares, inclusive as ligadas diretamente ao combate, nas mesmas condições que os homens.

"A participação feminina nas Forças Armadas da Ucrânia tem crescido de maneira significativa, inclusive com a presença de brasileiras, em funções de combate direto e em atividades de apoio logístico. Ainda que voluntários estrangeiros, entre eles os brasileiros, tenham se alistado no esforço de guerra, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty) não reconhece oficialmente essa participação", explica Prado.

“As missões são todas iguais, mas por ser mulher ela tinha a opção de ficar mais recuada ou em tarefas menos pesadas. Mesmo assim, ela quis servir”, contou o namorado.

O Ministério das Relações Exteriores alertou que tem sido registrado um aumento no número de brasileiros que morrem ou se encontram em graves dificuldades ao decidirem interromper suas participações em exércitos estrangeiros. Nesse sentido, o órgão recomenda que as propostas de trabalho para fins militares sejam recusadas.

Segundo o órgão, a assistência consular, nesses casos, pode ser severamente limitada pelos termos dos contratos assinados entre os voluntários e as forças armadas de terceiros países.

O Ministério não se manifestou sobre o caso específico do casal.

Cerca de dois meses após se voluntariar, Adriane descobriu que estava grávida.

"Faltando três dias para a minha missão em campo de batalha, descobri que estava grávida. Daí eu não podia mais ir", diz Adriane. Ela lembra que passou dois meses em um treinamento rigoroso para atuar na linha de frente do conflito, mas com a gravidez precisou se afastar das zonas de combate e atuar como intérprete de português e espanhol para as famílias dos soldados.

"Eu fiz dois testes e os dois deram positivo. Avisei a médica da base e ela fez direto um ultrassom. Depois disso minhas missões foram canceladas", conta.

O casal permaneceu mais quatro meses na Ucrânia e retornou ao Brasil em janeiro deste ano.

“Voltamos para o Brasil para que nosso filho nascesse aqui. A comida era muito diferente na Ucrânia e, com os enjoos da gravidez, estava difícil para ela se adaptar”, explicou Gustavo.

O bebê nasceu em Cascavel, na região oeste do Paraná, onde o casal hoje vive com mais tranquilidade. “Agora estamos no sítio do meu pai, cuidando do nosso filho”, disse o jovem.

Agora que o bebê nasceu, o casal planeja retornar ao conflito.

“Sinto saudades da guerra, quero voltar para a Ucrânia, voltar para as missões. Mas ela não vai como voluntária, vai morar na cidade mais próxima do batalhão em que eu servir”, explica Gustavo.

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