Ataque no Catar eleva tensão internacional e afeta relação com Israel

Amiri Diwan do Estado do Catar/Anadolu via Getty Images

 

Doha viveu momentos de desespero após ser alvo de bombardeios do exército israelenese na última terça-feira (9). Sob o argumento de atacar uma “organização terrorista”, Israel teve como alvo líderes do grupo palestino Hamas, que estavam na capital do Catar para discutir um acordo de cessar-fogo. Agora, a pressão internacional e a revolta do Catar deixam Israel cercado.

O exército israelense atingiu a sede do escritório político do grupo palestino Hamas, com o objetivo de atingir os líderes que estavam em reunião para discutir formas de alcançar um acordo de cessar-fogo com Israel.

Entre os sobreviventes estão Khalil al-Hayya, um alto funcionário do Hamas que encabeça as discussões sobre um cessar-fogo na Faixa de Gaza. Ainda assim, seis membros ligados ao grupo palestino foram mortos nos bombardeios.

Segundo a presidência do Egito, um dos mediadores das negociações de cessar-fogo, em comunicado, “o ataque constitui uma flagrante violação do direito internacional e dos princípios de respeito à soberania dos Estados e à sua inviolabilidade territorial”.

As forças israelenses declararam, momentos após a ofensiva, que os alvos do ataque “lideraram as atividades terroristas do Hamas por anos e são diretamente responsáveis pelo massacre de 7 de outubro e pela gestão da guerra contra Israel”.

A ofensiva contra o prédio em Doha deixou diversos líderes mundiais apreensivos, incluindo figuras importantes como o Papa Leão XIV, que se manifestaram nas redes sociais.

O presidente francês, Emmanuel Macron, alegou que o ataque contra o Catar é “inaceitável, seja qual fo o motivo”.

“Expresso minha solidariedade ao Catar e ao seu emir, Sheikh Tamim Al Thani. A guerra não deve, em hipótese alguma, se espalhar pela região”, apontou Macron.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer , também condenou “os ataques de Israel em Doha, que violam a soberania do Catar e correm o risco de uma escalada ainda maior na região”.

Antonio Guterres chamou os ataques aéreos de uma “violação flagrante da soberania e integridade territorial do Catar”.

O papa Leão XIV também expressou preocupação com a ofensiva e contou que a “situação é muito grave”.

Em meio às declarações internacionais, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reafirmou que a ofensiva é de total responsabilidade de Israel e apenas de seu país: “A ação de hoje contra os principais chefes terroristas do Hamas foi uma operação totalmente independente de Israel.”

Em resposta ao Netanyahu, o primeiro-ministro do Catar, xeique Mohammed bin Abdulrahman bin Jassim Al-Thani, condenou o ataque e aparentou estar indignado com a situação. Segundo ele, Israel “matou qualquer esperança” dos reféns israelenses  ao atacar Doha.

Al-Thani criticou Netanyahu, afirmando que acreditava estar “lidando com pessoas civilizadas” e classificou a ação do primeiro-ministro de Israel como “bárbara”.

Escalada militar

João Miragaya, mestre em história pela Universidade de Tel-Aviv, assessor do Instituto Brasil-Israel e membro do podcast Do Lado Esquerdo do Muro, contou ao Metrópoles que os objetivos, segundo o primeiro-ministro israelense, “são de pressionar o Hamas a aceitar a sua proposta de cessar-fogo e retaliar o atentado reivindicado pelo Hamas em Jerusalém essa semana”.

“Há aqueles que creem que o objetivo real é sabotar as negociações pelo cessar-fogo, uma vez que o fim da guerra atrapalha os planos expansionistas de setores do seu governo que o ameaçam constantemente”, relatou o especialista.

Ainda segundo Miragaya, a chance de uma escalada militar após o ataque é pequena: “O Catar disse que retaliará, mas o país não dispõe de meios militares poderosos para causar danos à Israel”.

“A retaliação diplomática, no entanto, pode ser grave para Israel”, avaliou Miragaya.

O Catar é um dos principais mediadores nas negociações para um acordo de cessar-fogo entre Hamas e Israel. Até o momento, as negociações ainda estão em andamento, com a participação dos Estados Unidos.

“O Catar é uma incógnita. Ao mesmo tempo que eles têm todas as razões para abandonar o seu papel de mediadores, sabem que isso lhes tira de uma posição de poder e influência”, pontuou Miragaya.

As forças israelenses afirmaram que vão manter as ações, junto à Agência de Inteligência de Israel, contra o Hamas.

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